quinta-feira, 2 de junho de 2016

O GOLPE DESMASCARADO E O GOVERNO DESNUDADO!

                                                                               


O VAZAMENTO DOS DIÁLOGOS DE ROMERO JUCÁ EXPÕE AS ENTRANHAS DO GOLPE E DEIXA O GOVERNO TEMER NU DIANTE DE SUAS INÚMERAS CONTRADIÇÕES!

Publicado originalmente em 24/05/2016

David Lucius

As entranhas do golpe foram expostas de uma forma inusitada. Nesta segunda-feira, 23 de maio, os meios de comunicação reproduziram o vazamento de um diálogo do então ministro e senador licenciado Romero Jucá (um dos principais articuladores do golpe parlamentar) com Sérgio Machado (ex-presidente da Transpetro). Nos diálogos, que deixam os vazamentos do ex-senador Delcídio parecerem uma brincadeira de criança mal comportada, Jucá e Sérgio Machado dialogam abertamente sobre os interesses, o desenvolvimento e as consequências do impeachment, ao serem revelados, os diálogos deixam claro e patente, até para os mais ignaros, que fomos vítimas de um golpe orquestrado pelo Congresso Nacional, com apoio do judiciário e do STF para colocar no poder um governo que representa os interesses das diversas frações da burguesia, de uma forma conjunta, ou seja, um golpe em que a burguesia unificou os setores oposicionistas e governistas, colocando para fora do governo os setores que não representavam claramente seus interesses, mas que apenas aliavam-se de forma indecisa e insegura na defesa dos interesses do grande capital.

Após a crise econômica se abater de forma fulminante, Dilma sofreu um desgaste profundo. Em meio a crise e a inúmeras denúncias de corrupção, seu governo tenta de forma desesperada realizar um ajuste fiscal contra os interesses da grande maioria da população, primeiro timidamente, no final de seu primeiro governo com o então Ministro Guido Mantega, e depois de forma mais agressiva com o Ministro Joaquim Levy. Devido a imensa oposição popular seu governo tenta realizar as reformas de forma paulatina, sem o apoio do Congresso, que prefere iniciar um processo de chantagem e barganha política como meio de obter regalias políticas e econômicas. O desgaste acaba numa guerra aberta com o Congresso, representado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Aos poucos, tanto a tropa de choque de Eduardo Cunha, quanto os deputados da base do governo (os que não faziam parte do PT e do PcdoB) e os da oposição fecharam questão em realizar o impeachment para colocar um governo que os blindassem da operação Lava-Jato e realizasse um ajuste fiscal que fosse realizado sem meias medidas, um governo que defendesse os interesses da burguesia, o grande capital e salvasse o regime político do total esgotamento, evitando que fossem consumidos em escândalos de corrupção e por delações premiadas, com um amplo apoio da imprensa burguesa em suas diversas tendências, da classe média reacionária (os coxinhas) e da quase totalidade dos partidos políticos burgueses.

Nas gravações, Jucá fala da necessidade de se organizar o impeachment para impedir a continua “sangria” dos políticos burgueses (em especial os do Congresso), barrar as delações premiadas, o papel de Temer como aliado íntimo de Cunha, o papel do STF e da imprensa no golpe, e até a prisão de Lula para inviabilizar o final do governo Dilma.

As gravações, que segundo fontes são apenas o início de uma séria devastadora, são uma aula de como se organiza um golpe e os interesses de classe por de trás do golpe, assim como demonstra que o governo de colaboração de classes do PT apenas abriu o caminho para essa trajetória ao não organizar uma resistência popular e operária contra o processo de impeachment e por ter dado o pontapé inicial no ajuste fiscal, estando totalmente desmoralizado diante das massas para realizar essa luta.

As contradições afloram de forma clara e o governo Temer já começa a ser colocado contra a parede por um grande movimento popular que pede sua saída, nas ruas o grito de Fora Temer já é uníssono, mas não é complementado por um de Volta Dilma, os setores mais ligados ao PT ficam agora constrangidos ao ver que o executor do ajuste é Henrique Meirelles, antigo Presidente do Banco Central da Era Lula. Se dermos crédito a todo o diálogo realizado por Jucá e seu interlocutor estaríamos diante de um pacto de não agressão, em troca da imunidade para alguns dirigentes do PT, assim como para o resto dos políticos afetados pela Lava-Jato. O esgotamento do PT e da frente popular ficam mais evidentes a capa novo capítulo da crise.

O governo Temer é um governo puro da burguesia, um governo do ajuste, que teve sua forma híbrida de colaboração de classes com o período dos governos do PT, por isso que o que vemos é mais do mesmo, só que de uma forma pura e condensada. Onde antes vimos o germe, agora vemos uma planta germinando, contudo para a analogia ser perfeita seria melhor compará-la a alguma espécie de parasita ou a uma erva daninha.

Há quase 80 anos, um dos grandes teóricos do marxismo, Leon Trotsky, assim definia a crise de Estado de um governo de Frente Popular (em que há a colaboração de um partido pequeno-burguês ou operário de esquerda com partidos burgueses):

O governo moderno nada mais é do que um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa." Nesta fórmula sucinta, que os dirigentes social-democratas desprezavam como um paradoxo jornalístico, encontra-se, na verdade, a única teoria científica sobre o Estado. A democracia idealizada pela burguesia não é, como pensavam Bernstein e Kautsky, uma casca vazia que se pode, tranquilamente, encher sem se importar com o conteúdo. A democracia burguesa só pode servir à burguesia. O governo de "Frente Popular" dirigido por Blum ou Chautemps, Caballero ou Negrin é tão somente "um comitê para administrar os negócios comuns de toda a classe burguesa". Quando este comitê se sai mal em seus negócios, a burguesia expulsa-o do poder a pontapés.”

O texto apesar de quase centenário, parece que foi escrito ontem, tamanha a precisão com que pode ser aplicado à crise política e econômica no Brasil e todas as suas variáveis e possíveis consequências.

                                                                      

quarta-feira, 1 de junho de 2016

TODO APOIO À GREVE DO CPERS E ÀS OCUPAÇÕES DAS ESCOLAS PELOS ESTUDANTES SECUNDARISTAS NO RIO GRANDE DO SUL ATÉ A VITÓRIA E PELO ATENDIMENTO DE TODAS AS REIVINDICAÇÕES!

                                                                     


Fábio André Pereira (TRIBUNA CLASSISTA - CPERS / RGS)

No dia 13 de maio realizou-se no Gigantinho em Porto Alegre a assembléia do CPERS onde os educadores votaram pela GREVE POR TEMPO INDETERMINADO cansados de estarem sofrendo ataques e do TERRORISMO feito pelo governo SARTORI, GOVERNO DE GANGSTERS !!!!

Estavam presentes pouco mais de 2.000 pessoas que confirmaram então a tão chamada GREVE DE VANGUARDA, caracterização assim sempre feita pela ARTICULAÇÃO, que quando repudiava e atacava em suas falas preferia dizer que necessitava do diálogo e da negociação e não da VANGUARDA porque eram “GREVES FURADAS QUE NÃO DAVAM EM NADA”, fazendo uma reflexão tardia depois da emblemática TRAIÇÃO DO 11 DE SETEMBRO DE 2015, NO PEPSI ON STAGE, onde nós do TRIBUNA CLASSISTA defendemos juntamente com os companheiros do MLS, MLC, ALICERCE, PSTU, MES, CS, COMBATE CLASSISTA, CONSTRUÇÃO PELA BASE, RESISTÊNCIA POPULAR-FAG, PCB, CEDS, INTERSINDICAL, TOMAR OS CÉUS DE ASSALTO E O BLOCO DE LUTAS, a GREVE POR TEMPO INDETERMINADO.

Com o argumento de que era uma posição de “seita”, “de nos arvorarmos os donos da verdade”, a ARTICULAÇÃO GOLPEOU toda categoria do magistério decidindo em plena assembleia que iria ficar com a decisão do conselho geral do CPERS no momento mais decisivo da mesma, onde a votação foi pela ampla maioria dos presentes, no PEPSI ON STAGE, de permanecer em greve e por tempo indeterminado. Como se não bastasse só isso, temendo a reação da categoria, manobrou mais uma vez levando o conselho geral para SANTA MARIA, evitando então de dar uma satisfação para o carro chefe da greve que era PORTO ALEGRE.

Mas as coisas não tinham parado por ali, as armações e golpes na categoria continuariam. Em SANTA MARIA, na condição de membro majoritário da direção central do CPERS, a ARTICULAÇÃO aprovou no conselho geral a participação do CPERS na nova FRENTE BRASIL POPULAR. Além disso, a presidente HELENIR disse que conseguia dormir com a consciência tranquila e deitar a sua cabeça no travesseiro normalmente porque o que aconteceu naquela assembléia foi “um ataque de vândalos arremessando cadeiras na direção central” e que ela entendia que havia agido corretamente, ao não SOLICITAR A CONTAGEM DOS VOTOS NA ASSEMBLÉIA, porque o conselho geral pela maioria dos núcleos tinha votado não à greve por tempo indeterminado, ou seja, passando por cima da decisão de instância maior que é a própria assembléia geral.

Passado este período, houve um novo encontro no Gigantinho, onde passou então tardiamente a tão esperada GREVE POR TEMPO INDETERMINADO PARA COMBATER O TERRORISMO DO GOVERNO SARTORI E TODA A SUA MÁFIA. Durante a assembléia foi escolhido o comando estadual de greve que para estabelecer uma questão de unidade na luta chamou todas as forças que militam dentro do sindicato CPERS, entre as quais, o TRIBUNA CLASSISTA. Terminada a assembléia, o COMANDO ESTADUAL DE GREVE juntamente com toda a categoria, foram em caminhada até o palácio Piratini para entregar a pauta de reivindicações. Saímos de lá agendados com o governo para uma audiência no dia17/05/16, às 9:00 HORAS da manhã. Porém aconteceu um fato inusitado, iniciaram-se as ocupações feitas pelos estudantes secundaristas nas escolas e o número de escolas ocupadas até a realização da primeira audiência com o governo já passava de 35 ocupações; além disso, no segundo dia de greve já contávamos com a adesão de 50% da categoria.

O governo, assustado com o movimento e as ocupações, mudou o local da audiência, saindo do palácio Piratini e transferindo a mesma para a SEDUC, porque surpreendentemente o colégio PAULA SOARES nos fundos do palácio Piratini estava ocupado pelos estudantes. A mobilização da categoria veio avançando em um crescente e ao final do segundo dia de greve já tínhamos 76 escolas ocupadas pelos estudantes no estado do RS.

Os resultados da primeira audiência não foram positivos, pois compareceu representando o governo o secretário adjunto de educação, o presidente do IPE, o secretário-chefe da casa civil e o secretário do planejamento. O secretário da fazenda não compareceu e alegaram a sua ausência por estar em viagem com o governador no Rio de Janeiro. A única coisa positiva que se conseguiu foi que o governo se pronunciasse na audiência e também através da imprensa em um documento público oficial, comprometendo-se que não iria haver repressão nas ocupações das escolas, pedido este feito pelo COMANDO ESTADUAL DE GREVE, afinal são nossos alunos, nossos estudantes que estão ocupando as escolas. No dia 18 de maio, já tínhamos no estado do RS 76 escolas ocupadas, a greve da nossa categoria atingia os 50% e continuava a crescer. No dia seguinte, dia 19 de maio, já eram 125 escolas ocupadas e a categoria já estava com 55 % de adesão à greve em todo o estado.

A canção de nossos estudantes é assim nas ocupações: “MÃE, PAI, TÔ NA OCUPAÇÃO E SÓ PRA TU SABER EU LUTO PELA EDUCAÇÃO !!! “.

A categoria já estava ao final daquele dia atingindo os 60% de adesão à greve e as ocupações aumentando nas escolas do estado do RS. HOJE TEMOS UM TOTAL DE MAIS DE 190 ESCOLAS OCUPADAS NO ESTADO DO RS e a adesão da categoria à greve já chegou aos 70%. O governo do estado assustado com isso marcou uma nova audiência de emergência desta vez no CAFF, porém a segunda audiência terminou pior que a primeira, o secretário de educação VIEIRA DA CUNHA estava retornando de suas férias na EUROPA e estava assumindo a ponta das negociações com o COMANDO ESTADUAL DE GREVE. Nada de novo no front, porque a audiência virou um engodo do governo com mais blá-blá-blás do que propostas concretas em relação à pauta de nossa categoria. O que mais nos espanta é que o próprio secretário de educação já havia pedido demissão de seu cargo para o governador que não aceitou e lhe deu as férias para refletir um pouco mais e descansar, afinal o MAGISTÉRIO ESTADUAL HAVIA DECLARADO A SUA GREVE POR TEMPO INDETERMINADO !!!!

Mais uma vez foi solicitada a pauta, quando o governo acenava, pasmem! com um data show sobre a crise financeira no estado, e o porquê que não poderiam falar em aumento, reajuste, continuando então a falar nos cortes como o parcelamento, que a linha de corte poderia ser menor ainda na folha de pagamento do mês de junho, etc. “Nada de data show!”, falou o COMANDO ESTADUAL DE GREVE, “queremos discutir a pauta e esta audiência já está com problemas, porque o secretário da fazenda novamente fugiu da raia”. Resultado: o que conseguimos de concreto foi que o governo marcasse então uma TERCEIRA AUDIÊNCIA para dar retorno ao COMANDO ESTADUAL DE GREVE sobre a pauta de nossa categoria. Cobramos a retirada do PL 44 que está em tramitação na Assembléia Legislativa e que tem audiência pública marcada para segunda-feira, dia 30/05/16, às 14 hs, e no mesmo dia teremos um ato UNIFICADO COM TODOS OS SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS que iniciará às 10 hs para também cobrar do governo os cortes e a retirada do PL 44. O governo marcou para o MAGISTÉRIO ESTADUAL a nova audiência no dia 31/05/16 no CAFF ÀS 9H. Segue a seguir toda a pauta de reivindicações do CPERS/sindicato :

Uma das ameaças do governo Sartori é o Projeto de Lei 257, que condiciona a renegociação da dívida com a União desde que os Estados arrochem os salários dos servidores.

Não permitiremos arrocho salarial!

Dizemos NÃO ao PL 257!

Queremos nosso reajuste emergencial, o cumprimento da Lei do Piso com garantia de 1/3 de horas atividades e a reposição dos 69,44%.

Todos esses são DIREITOS BÁSICOS dos educadores e direitos devem ser respeitados.

NÃO AO:

✓ Parcelamento e atraso de salários

✓ Parcelamento do 13º

✓ Não pagamento do piso

✓ LDO com reajuste zero até 2018

✓ Aumento da carga horária para 16 horas, sem aumento de salário

✓ Arrocho salarial

✓Enturmações

O governo estadual não cumpre seus compromissos conosco: parcela e atrasa nossos salários, não paga o piso, e, ainda assim, aumenta nosso trabalho.

FORA SARTORI!!!! FORA TODOS OS GANGSTERS DESTE GOVERNO QUE SÓ ATACAM OS TRABALHADORES !!!!!

Em tempo: PARTICIPAMOS DAS ETAPAS MUNICIPAL E ESTADUAL DO II ENE - ENCONTRO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, QUE IRÁ REALIZAR A SUA ETAPA NACIONAL DE 16 A 18 DE JUNHO, EM BRASÍLIA. A ETAPA MUNICIPAL ACONTECEU NO DIA 12 DE ABRIL NO SIMPA, EM PORTO ALEGRE. A ETAPA ESTADUAL ACONTECEU NOS DIAS 21,22 E 23 DE ABRIL NO COLÉGIO ESTADUAL TÉCNICO PAROBÉ TAMBÉM EM PORTO ALEGRE, E FOI FEITO O CONVITE PARA TODOS OS PARTICIPANTES DA ETAPA ESTADUAL PARA A CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA, NA FALA DE ABERTURA E, EM NOME DO TRIBUNA CLASSISTA, DEPOIS NA MESA DE DEBATES E NO GRUPO 5 SOBRE TRABALHO E FORMAÇÃO. NO ENCERRAMENTO, NA PLENÁRIA FINAL, FALAMOS DE NOVO E REFORÇAMOS O CONVITE PARA A CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA.


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UM PONTO MAIS ALTO DA CRISE MUNDIAL

                                                                               
                                                                                   


Jorge Altamira (Dirigente do Partido Obrero da Argentina), texto original de 23/01/2016


A queda das bolsas e do preço do petróleo nas últimas semanas alcançou dimensões muito amplas. No caso das ações, as cotizações caíram, especialmente em Londres e Tóquio, no que os profissionais da especulação chamam de “território de correção” (quando superam os 20%, prognosticando uma tendência de queda). O mesmo ocorreu com o índice Russell, que reúne o maior número de empresas cotizantes na bolsa de Nova York. O petróleo, por seu lado, quebrou o que chamam de “linha de resistência” dos U$30,00 o barril.

Os meios financeiros informam que as perdas de “capitalização da Bolsa de Valores” alcançaram, desde o pico em meados do ano passado, aos 3,5 trihões de dólares. Uma desvalorização desta amplitude, em um lapso tão curto de tempo, revela o caráter fictício do valor do capital que se cotiza na Bolsa. Esta informação não nos esclarece, por outro lado, acerca das perdas reais que sofreram os especuladores, que tem adquirido essas ações a crédito. As quedas obrigam os “investidores” a depositar dinheiro adicional para cobrir a depreciação das garantias representadas pelas ações que compraram. Algo similar se pode dizer sobre a ficção do novo preço do petróleo, porque esse preço corresponde a papéis que creditam aos especuladores o direito de negociar um petróleo que eles não tem fisicamente. Não corresponde a uma alteração dos custos de produção. A expectativa de que o Irã acrescente no mercado petroleiro uma produção ainda maior, a partir do fim das sanções impostas pela ONU, detonou uma nova queda, ainda que essa maior produção somente se efetivará dentro de seis meses a um ano. As perdas reais que sofreram os especuladores localizados do lado “incorreto” da equação, além de ser, de novo, reais afetam aos bancos que os financiaram. Mais grave ainda é a situação das companhias petroleiras que financiaram-se com um endividamento enorme e daqueles Estados que dependem da entrada de recursos fiscais do petróleo. A possibilidade de que todas essas quedas se traduzam em quebras reais depende, ainda que até certo ponto, dos acordos e desacordos que podem alcançar credores e devedores.

Lehman Brothers


Os Editorialistas de jornais como o The Wall Street Journal e o Financial Times minimizaram os riscos de uma crise generalizada. Sustentam, por um lado, que os eventos assinalados constituem uma anomalia, alegando que “não há sinais de recessão” e que os indicadores econômicos, ao menos nos Estados Unidos, são “robustos”. Agrega, o Financial Times, que a baixa nos preços do petróleo é um dado positivo, porque causa um aumento do poder aquisitivo dos consumidores. De acordo com isso “havia que passar o inverno” (boreal). Os argumentos, de todos os modos, surpreendem:

1- A detonação de uma crise tem lugar, precisamente, quando os indicadores na véspera são excelentes.

2 – Junto ao petróleo vem caindo fortemente todas as matérias-primas minerais e também alimentares ( e no entanto, não se tem visto que houvesse reativada a economia). Em um marco de sobreprodução, a deflação resultante acentua a queda dos lucros dos capitais, incrementa o valor real de suas dívidas e diminui inclusive a demanda de consumo pessoal devido ao desemprego total ou parcial, assim como a redução dos salários.

Um outro ponto em debate entre os especialistas diz respeito se a queda foi desatada pelo menor crescimento da China, a baixa do preço do petróleo ou a “mudança de fase” dos países emergentes, que de supostos “tigres” que puxavam a economia mundial para cima, converteram-se em uma hipoteca impagável.

Desde o inicio da crise, no entanto, está claro que ela tem um caráter de conjunto que desloca continuamente seu eixo de gravidade, porém, precisamente por essa característica, conserva seu ponto central nos EUA.

Constitui também uma distorção apresenta-la por países, ou seja fazendo abstração do conteúdo social dos Estados. Em numerosos países estão se desmoronando seus pilares industriais e/ou financeiros, de modo que a queda das finanças públicas não é mais do que a consequência. A crise e desvalorização da Petrobras ameaça levar junto grande parte das indústrias e construtoras brasileiras; a da PDVSA implica a liquidação de um conjunto de ativos estatais e a deterioração da economia familiar; tudo isso vale para a siderurgia e o carvão da China, assim como das economias locais, as construtoras e os bancos.

O resgate de capitais, especialmente bancos, a partir da debacle de 2008, redundou na acentuação de um sistema capitalista “zumbi”, que sobrevive sobre a base do dinheiro público e que desatou como consequência um crescimento enorme do capital fictício. Os trilhões de dólares dispensados pelos bancos centrais e seus respectivos fiscos na última década não somente alimentaram, em última instância, um processo especulativo sem precedentes, acentuando a super-produção contra tudo o que exige um quadro de excessos de capitais e de produção. É o que que ocorreu com os subsídios, a siderurgia, e a construção civil na China, e coma indústria petroleira não convencional nos Estados Unidos, que emergiram como consequência de um financiamento a taxas de juros próximas de zero. Estes procedimentos artificiais para reanimar a taxa de lucro capitalista esgotaram-se. Especialmente os bancos e fundos de investimento que cobrem de dinheiro efetivo devido a ausência de oportunidades lucrativas de investimentos, ao mesmo tempo que o endividamento das empresas em indústrias de referência é maior do que nunca. A famosa crise dos anos 30 do século passado estourou, precisamente, quando o caixa contábil capitalista encontrava-se em um máximo histórico.
Para um economista entrevistado por Ambito Financeiro (22/01), nem China nem o petróleo são os “detonantes” da situação atual. “A causa” diz, são os Estados Unidos. “Desde março do ano passado, os lucros esperados, pelas empresas, são negativos (…) o faturamento vem mal e os lucros ainda pior”. Agrega: “a China cresce menos porque o que fabricam norte-americanos e europeus nesse país e o exportam para os Estados Unidos e Europa tem menos demanda. O problema é a quase estagnação dos Estados Unidos e da Europa”. Definitivamente, a bolsa norte-americana encontra-se sobre valorizada, por um lado, devido a uma especulação e o aumento dos preços das ações, devido a compras financiadas por taxas de juros baixíssimas e, por outro, por uma queda generalizada dos lucros. Esta situação deve desembocar, em seu limite, em uma nova etapa de quebras. É um retorno ao seu ponto de partida (a quebra do Bearnan Sternm primeiro, em 2007, e a do Lehman Brothers, em 2008) em uma escala financeira e social, consideravelmente mais elevada.

A TRANSIÇÃO CHINESA

Não obstante a crise anterior, a que se desenvolve na China é simplesmente extraordinária; representa um ponto de alteração na crise mundial e no conjunto da situação política. Não é esta, no entanto, a opinião do “establishment”. Para este a China deveria completar sua grande performance das últimas décadas passando de uma economia de exportação para uma economia de serviços: educação, saúde, crédito generalizado. A refutação de que a China estaria ameaçada por uma crise de alcances inestimáveis, residiria nas possibilidades imensas que ofereceria a passagem a uma economia realmente moderna. A China enfrenta uma enorme sobreprodução industrial financiada com um endividamento ainda maior. “O endividamento da geral da China (…), e em especial de suas corporações não financeiras, é maior que a dos Estados Unidos”. (Martin Wolf, editor do Finantial Times, 20/01).

A “transição” salvadora, no entanto, não avança, devido a isso. “Ainda que o governo promete uma grande tolerância para companhias do setor privado e investidores estrangeiros em algumas áreas da economia, não há apetite por privatizações generalizadas em áreas tradicionais dominadas pelo Estado (…). O enfoque preferido do Estado, com relação às “companhias zumbis” é proceder a fusões e aquisições em lugar de quebras e liquidações”. Porém as 'fusões e aquisições' supõem a associação ou venda de empresas a preços próximos de seu valor de quebra, e a venda dos ativos supérfluos a preço de arremate. Isto é o que não pode realizar o governo chinês, porque representaria um salto no vazio, por um lado, e pelo temor de uma revolta social, por outro. Para “muitos analistas, no entanto, o retrocesso da indústria pesada é tão selvagem que o governo não poderia salva-la mesmo que quisesse (Mitchell, Finantial Times, 20/01). À luz disso tudo, ainda que o 'detonante' encontre-se nos Estados Unidos, trata-se de uma bomba de controle remoto que produziria uma explosão na China. Entretanto, a superprodução industrial, a queda da taxa de lucro e o endividamento produziram uma feroz saída de capitais, da ordem de 1 trilhão de dólares por ano. A China tem seu próprio 'mercado blue' em Hong Kong, Macau ou inclusive Londres, aonde sua moeda se cotiza abaixo da 'oficial'. A reação do governo tem sido recorrer ao método Kicillof, com resultados que acabaram sendo mais catastróficos.

BRASIL

O que os chineses estão receosos de fazer, no Brasil vai em ritmo de samba. É o caso da Petrobras, que foi assinalada pelo desenvolvimentismo brasileiro como a vanguarda da industria nacional. A sua volta desenvolveram-se empreiteiros e provedores industriais de equipamentos para perfuração complexas e para refinarias. Entre a queda do preço do petróleo, a tendência decrescente dos lucros (compensada por um endividamento crescente) e a retirada do financiamento internacional, a Petrobras passou de uma capitalização na Bolsa de 270 bilhões para aos atuais 25 bilhões, uma desvalorização sem precedentes (Valor Econômico de 16/01). A indústria criada em sua periferia enfrenta a bancarrota. “hoje, diz um colunista do diário citado, estão sendo oferecidos entre 20 e 30 ativos, que incluem Brasken, Liquigas, Br Distribuidora, TAG e terminais da GNI no Rio de janeiro e outras cidades”. Estão também negociando a venda de sua empresa de fertilizantes. Para sair de sua crise pretende vender também os oleodutos e passar de proprietária a usuária. O prognóstico oficial é que o PIB do Brasil cairá uns 4% em 2016 e uma taxa duas vezes e meia mais alta na indústria. O diário em questão afirma que a “capitalização da Petrobras (pelo Estado) resulta inevitável”, no entanto, adverte que quando o tema foi colocado no ano passado “a discussão não prosperou pelo impacto direto que teria na já elevada dívida pública do setor público”.

O destino da Petrobrás e de boa parte da indústria brasileira devera desatar uma crise social e política imensa, que apenas se insinua com a operação 'Lava-Jato'. A siderurgia e a metalurgia brasileira estão operando com metade de sua capacidade; a imprensa alerta para a eminência de dez milhões de desocupados. A crise mundial nessa etapa converteu a crise desatada pela quebra do Lehman Brothers em um episódio iniciático.

PDVSA não desenvolveu nenhuma indústria em seu entorno, porém foi convertida, na Venezuela, na financiadora da indústria nacionalizada e de grande parte das cooperativas e planos sociais (a nacionalizada Sidor estaria trabalhando com 30% de sua capacidade). Para 2016, PDVSA e o Estado venezuelano enfrentam vencimentos de dívidas internacionais que são impagáveis. Encontra-se colocada a questão do 'default', com suas imensas consequências políticas internacionais.

A queda de preços das matérias-primas, assim como o elevado endividamento dos períodos de 'vacas gordas', tem produzidos uma saída de capitais da América latina, somente em 2015 foram uns U$S 700 bilhões.

Estados Unidos-Arabia Saudita

A superprodução de petróleo esta estreitamente vinculada com a política aplicada de resgate capitalista para sair da crise. Ocorre que, apesar dos progressos tecnológicos, o desenvolvimento da produção de gás e petróleo não convencionais (xisto) não poderia ter se desenvolvido, nos Estados Unidos, sem o enorme subsídio que representaram as baixíssimas taxas de juros. Possibilitaram a entrada no mercado de uma produção cujo custo oscilava entre U$S 50 e U$S 80 o barril. Isto autoriza as suspeitas dos governantes venezuelanos e sauditas de que a superprodução de petróleo foi uma orientação estratégica dos Estados Unidos para golpear e condicionar, a uns e outros, no plano político.

A pugna chegou a um momento crucial, porque, de um lado, cerca de umas cinquenta empresas decidiram retirar os fundos de investimentos, que comprometem a vários bancos. O Wells Fargo, o maior banco dos Estados Unidos, tem comprometidos uns U$S 20 bilhões nessa indústria. Segundo uma agência internacional, “as grandes companhias petroleiras dependem do dinheiro de seus credores” (Ambito 22/01). Por outro lado, a Arábia Saudita decidiu manter a negativa em reduzir a produção de petróleo para elevar os seus preços. O resultado é uma quebra no orçamento do reino e um forte deficit fiscal. A saída eleita pelo reino para manter sua competitividade no mercado foi o de privatizar parte de sua empresa estatal, Aramco, cerca de uns 30% sobre o valor de uns 3 trilhões de dólares. A intenção de arrecadar um caixa de 900 bilhões de dólares choca-se com a óbvia barreira de que uma colocação semelhante de ações desvalorizaria imediatamente o seu valor de mercado. A crise do petróleo está levando à quebra da Rússia, um fenômeno de alcance 'geopolítico', eufemismo para esconder a tendência à guerra, porém, principalmente, a uma quebra do regime de Putin. Os aposentados russos acabam de impedir uma redução de seus benefícios por parte do governo.

Em grande parte do mercado mundial desenvolve-se essa luta por quebrar os rivais e monopolizar o mercado: a mineradora Rio Tinto está aumentando seus investimentos em um mercado claramente em queda para quebrar competidores como Glencore, que está vendendo ativos comprados pouco antes da crise. Nesta disputa pode sair muito afetada a Vale do Rio Doce, as ações dessa companhia encontram-se uns 40% abaixo do seu valor de emissão.

Episódios

A imprensa mundial alerta sobre outros episódios que ilustram a extensão da presente crise ou a diversidade de detonantes do que está sendo colocado. O comentário do dia na Europa é o elevado nível da carteira de inadimplentes incobráveis dos bancos italianos, uns 280 bilhões de euros. O Banco Monte dei Paschi enfrenta, esta vez parece que de forma definitiva, uma bancarrota, que arrastaria outras financeiras.

Até o mercado dos abutres especuladores parece afetado. Os chamados “títulos lixo”, que foram emitidos por companhias com menor capacidade de pagamento, tem caído de forma substancial. Os abutres que compraram ações por preço de arremate (“falling knive”) se viram prejudicados por uma queda ulterior de suas cotizações.

 A conclusão que emerge de tudo isso é que 2016 será um ano de grandes convulsões políticas.

                                                                                

domingo, 29 de maio de 2016

SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL EM LUTA!

                                                                       


GUILHERME GIORDANO (TRIBUNA CLASSISTA - Porto Alegre)


No dia 26/05 foi realizada uma Assembleia Geral convocada pelo SINDISPREV/RS, sindicato que representa os servidores públicos federais da Previdência Social (INSS), Trabalho e Saúde, para discutir e mobilizar a categoria contra o desmonte da previdência social pública, a extinção do Ministério da Previdência com a vinculação das aposentadorias e demais benefícios previdenciários à arrecadação fazendária, ataque aos direitos trabalhistas com desmantelamento do Ministério do Trabalho, privatização do SUS, aumento exorbitante do Plano de Saúde dos servidores federais (GEAP) em média de 40%, com a consequente expulsão da categoria do mesmo, PL 257/2016 que o governo Dilma enviou para o Congresso Nacional às vésperas da votação do impeachment para agradar os golpistas com pedido de votação em urgência urgentíssima, o qual prevê, entre outros, a quebra da estabilidade no emprego dos servidores das três esferas do Estado, aumento da alíquota de 11% para 14% do INSS para os servidores públicos da ativa e aposentados, fim dos concursos públicos, etc. 
Foi aprovado um calendário de lutas que prevê entre outros pontos a realização de plenárias nacionais setoriais e gerais convocadas pela FENASPS para os dias 10 e 11/06.

A Assembleia Geral aprovou unanimemente as propostas do TRIBUNA CLASSISTA de CONGRESSO NACIONAL da classe trabalhadora com delegados eleitos nos locais de trabalho, estudo e moradia, para aprovar um programa das necessidades vitais e lutar por um governo próprio dos trabalhadores, bem como de participação da categoria na CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA que ocorrerá nos dias 16 e 17/07, em Montevidéu, em defesa da UNIDADE SOCIALISTA DOS TRABALHADORES DA AMÉRICA LATINA.

Na quinta-feira (26/05) ocorreu, na sede do SindisprevRS, a Assembléia Estadual dos Servidores da Saúde, Trabalho, Previdência e Anvisa. A assembleia contou com a participação de um número expressivo de servidores das diversas categorias e regiões do Estado. Após informes e debates de conjuntura, onde foram expostos os ataques do governo, frente à crise do capital, fazendo com que novamente os trabalhadores paguem a conta, foram deliberados os seguintes assuntos:

1 - Oposição ao governo interino de Michel Temer ou qualquer governo que retire direito dos trabalhadores; FORA TEMER, NENHUM DIREITO A MENOS! - essa resolução aprovada foi apresentada pelo ALICERCE SOCIALISTA, agrupamento em que militam a maioria dos dirigentes sindicais do SINDISPREV/RS


Nota: O TRIBUNA CLASSISTA na Assembleia apresentou a seguinte formulação: "ABAIXO O GOLPE! FORA O GOVERNO GOLPISTA DE TEMER! POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES!"

- Essa formulação foi apresentada pelo TRIBUNA CLASSISTA, caracterizando o impeachment como a cobertura constitucional do golpe de estado, o terceiro golpe parlamentar na América Latina, e sob a base de que os trabalhadores devem emergir na situação política de maneira independente da política de conciliação de classes do PT e de todas as variantes burguesas e pró-imperialistas com um programa e uma política própria. O argumento de cunho sindicalista do dirigente do ALICERCE foi de que não poderíamos dividir a categoria, pois existem setores que compareceram nas marchas impulsionadas pelos golpistas e nas marchas impulsionadas pelos defensores do governo Dilma, e que portanto, a posição do sindicato deveria ser essa, de abstencionismo, embelezando um governo que nasce de um golpe de estado contra as massas, dando-lhe o nome de "interino", ao mesmo tempo que faz uma enorme concessão ao governo de conciliação de classes de Dilma e aos anteriores de Lula, que só retiraram conquistas da categoria, com o seu "NENHUM DIREITO A MENOS!"


2 - Construção de uma alternativa de luta dos trabalhadores que vivem do salário, pela garantia dos direitos conquistados ao longo dos anos e muitas lutas;

3 – Elaboração de um Seminário sobre as Reformas: Previdência, Trabalho, SUS e Políticas Sociais;

4 – Reforçar as denúncias sobre o sucateamento e reformas propostas pelo governo para a Previdência Social (INSS), Saúde, Trabalho, Anvisa e Assistência Social com notas na Imprensa e demais meios de comunicação.

5 – Participação de todos os setores integrantes do SindisprevRS nas atividades estaduais e municipais em defesa dos serviços públicos, saúde, trabalho, anvisa e previdência;

6 - Participação o Lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência no dia 31/05 Em Brasília ;

7 - Participação na audiência na ALERGS no dia 30/05 às 14 horas contra o PL 044/2016;

8 - Indicar para a Plenária Nacional da Fenasps paralisação de 72 horas contra o desmonte do INSS/Previdência Social;

9 - Atividades no dia 31/05 nos locais de trabalho com uso de camisetas pretas, distribuição de carta aberta à população e atos onde for possível contra o desmonte do INSS;

10 - Encaminhar através da Fenasps ao FONASEFE - Fórum Nacional de Servidores Públicos Federais e às Centrais Nacionais de Trabalhadores a construção de Congresso Nacional da Classe Trabalhadora apresentada pelo TRIBUNA CLASSISTA;

11- Participação em 16 e 17/ 07 da Conferência Latina Americana onde será debatida a unidade dos trabalhadores de esquerda da America Latina, apresentada pelo TRIBUNA CLASSISTA.

                                                        _____________

Foram aprovadas ainda Moção de Solidariedade aos estudantes secundaristas que estão ocupando as escolas; Aos Professores em Greve e aos Trabalhadores da França.

Foram eleitos para participar do lançamento da Frente parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social os seguintes nomes: Ana Lago; Dinara ; José Campos; Sônia Bonifácio; Vânia e Vera Dornelles.

Para os Encontros setoriais foram eleitos os seguintes nomes:

INSS- Alexandre; Anahy; Eloísa; Daniel: Fábio; Giovani; Jorjão; Sidnei; Jorge Patrício; Samanta;

Saúde - Sônia Alves e Sandra Natividade ;

Anvisa - Orlando; Paulo César e Castilhos;

MT - Viviam e Guilherme.

Para a Plenária foram eleitos como delegados: Orlando; Sonia Alves; Vivian; Giovani; Jorge Patrício; Daniel; Fábio e Sidnei.

CALENDÁRIO:

30/05 – Participação em audiência pública na ALERGS, contra o PL 44/2016!

31/05 - Ato publico, às 10hs em frente ao ex-MTE contra as reformas e o desmonte do serviço publico (INSS, SUS, MTE, ANVISA)

11/06 - Encontros setoriais INSS, Saúde, Trabalho e Anvisa

12/06 - Plenária Nacional

16 e 17/7 - Participação na Conferência Latino Americana



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SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS DE FLORIANÓPOLIS EM LUTA!

                                                               


                                 Alfeu Goulart (TRIBUNA CLASSISTA - Florianópolis)


Reunidos em assembleia terça-feira, 24 de maio, os Servidores Públicos Municipais de Florianópolis discutiram os próximos passos na luta contra o prefeito César Souza Jr., que respondeu com oficio dizendo não ter dinheiro em caixa para efetuar a segunda parcela do PCCV (20%) sobre o salário-base na folha de pagamento do mês de maio . Foi aprovada paralisação de vinte quatro horas em data a ser confirmada (8 , 9 e 10/06 ) a fim de que coincida com o calendário nacional de paralisação e a construção da greve na categoria para que outras questões pendentes sejam resolvidas: regulamentação e pagamento das horas extras dos plantões dos Educadores Sociais da Assistência Social , condições de trabalho dignas, materiais de qualidade, alimentação adequada na merenda de escolas e creches, por condições minimas de atendimento nas Upas, onde a falta de materiais e de medicamentos é constante; é consenso na categoria que o prefeito e seu partido, o PSD, agem desde o primeiro dia de seu mandato no sentido de sucatear o Serviço Público, em Florianópolis, beneficiando seus apaniguados em CCs que chegam à cifra de 730 nomeados com altos salários, assim como aumentos de 40% nos valores dos contratos das empresas terceirizadas da vigilância e limpeza.

A assembleia aprovou a proposta apresentada pelo Tribuna Classista que a CUT e a CSP/CONLUTAS convoquem imediatamente um Congresso Nacional com delegados eleitos na base e que se aprove um Plano de Lutas para organizar a Greve Geral para derrotar o golpe de estado através da intervenção independente da classe trabalhadora sem apoiar Dilma e o PT , como forma de dar uma saída Operária e Socialista à crise no Brasil e na América Latina.

Fora Temer!

Abaixo o golpe e todos os golpistas!

Não pagamento das dividas interna e externa !

Estatização do Sistema Financeiro!

Reforma Agrária sobre o controle dos Trabalhadores !

Pela unidade dos Servidores e funcionalismo Públicos Municipais, Estaduais e Federais!



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terça-feira, 10 de maio de 2016

FORA CÉSAR SOUZA JR. DA PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS!

                                                               

Alfeu Bittencourt Goulart

Os servidores públicos municipais de Florianópolis deflagraram Greve a partir do dia 02/03 contra a política de sucateamento e terceirização e pela reposição da inflação do período 10,37%, data-base 2016 antecipada em função do calendário eleitoral, sempre com participação massiva dos servidores nas assembleias e passeatas contra o ataque do prefeito César Souza Junior (PSD) e seus amigos, vereadores envolvidos no roubo dos cofres públicos - Ave de Rapina, operação assim denominada pelas investigações da Policia Federal onde foram desviados R$ 35 milhões, enquanto empresas terceirizadas que atuam no Serviço Público Municipal tiveram aumentos astronômicos nos preços das prestações dos serviços,  além da criação de gratificações ilegais para cargos em comissões, um escárnio. Não exitou em usar a guarda municipal, que atacou manifestantes em frente ao prédio da administração com spray de pimenta, quando buscavam resposta para a pauta de reivindicações, tendo sido muitos os atingidos de forma covarde pelo pau-mandado, do malufista Gilberto Kassab. Além disso ameaçou os grevistas com corte de ponto, processos administrativos e em entrevista na rede Record de televisão avisou ter colocado a policia civil para investigar piqueteiros que convenciam os colegas a aderirem ao movimento, que não havia motivo para aumento salarial, etc. Nada disso adiantou, os trabalhadores não se curvaram às ameaças do filhote da ditadura, e a greve continuava crescendo em resposta à intransigência do prefeito em apresentar uma proposta que atendesse a pauta da categoria.

Passados dezesseis dias do inicio da paralisação, após assembléia, os servidores se dirigiram em passeata conjunta com os servidores estaduais e trabalhadores da COMCAP, também paralisados contra o calote do prefeito e a ameaça iminente de privatização, à Câmara Municipal. O prefeito em meio à crise instalada pela debandada de partidos aliados e troca de secretários, inclusive o da Administração, até então o preposto do prefeito nas mesas de negociação, encontrava-se no local e a comissão de negociação e diretores do SINTRASEM foram "recebidos" e foi agendada mesa para dia 17/03, mas a categoria respondeu com palavras de ordem que queria apresentação de proposta imediatamente e formou piquete na porta principal e no portão da garagem da Câmara. De pronto, diretores do sindicato falaram ao microfone no caminhão de som para a categoria dirigir-se às suas casas para descansar e pediam que os trabalhadores desobstruíssem o portão para que o carro com o prefeito pudesse sair, pois a categoria e o sindicato corriam o risco de serem acusados de manter o prefeito em cárcere privado (sic), em que pese ele estivesse nas dependências do legislativo municipal, aqui temos um primeiro sinal de capitulação política da direção sindical rechaçada pela categoria que não arredou pé e companheiros da base também usaram o microfone acompanhando a manifestação por apresentação de proposta já no dia 16, o que não teve resposta à pauta nesse dia.
              
No dia 17/03 foi apresentada a primeira resposta à pauta de reivindicações: 4/%, (2% em maio e 2% em outubro); vale alimentação de R$ 18,50. No ínterim das vinte quatro horas seguintes surgiriam mais duas propostas (5% e 6%), todas condicionando o fim da greve no dia 18, e nenhuma resposta concreta em relação ao item da pauta de reivindicações que trata das precárias condições de trabalho nas escolas, creches, postos de saúde, regulamentação dos plantões dos servidores da SAMU e dos Educadores Sociais da Assistência Social, que apesar de acordado, nem 2015 a Secretaria se nega a regulamentar, assim como pagamento das horas-extras. A questão dos ACTs que sofreram calote no final do ano passado também não estava colocada em nenhuma das propostas, assim como também a questão do atraso do pagamento do 1/3 de férias, além do que tais propostas a tomar como base a de 6/% representa apenas cerca de 60/% das perdas salariais do período, já que dados oficiais do IBGE cravou em 10,37 % a inflação para o período, diante das taxas de juros estratosféricas (SELIC 14,25%) e nenhuma perspectiva de redução de preços e um quadro estável de paralisação da categoria em torno de 80%, tais propostas não eram condições suficientes para encerrar a greve, já que não atendiam minimamente nossa pauta de reivindicações.

Com a categoria já se deslocando para assembléia do dia 18/03 e reunião do comando de greve encaminhando-se para o final, a comissão de negociação foi chamada para mesa com a Administração. A assembléia foi aberta tendo como ponto de pauta inicial análise de conjuntura nacional, o representante da direção do sindicato (Esquerda Marxista foi o primeiro a discursar sobre o tema, seguido pelo representante do PT (Partido dos Trabalhadores - da corrente do jornal O Trabalho). Finalizando o bloco de três falas o companheiro da Conlutas (PSTU). quando a mesa abriu inscrições para que a plenária da assembléia se posicionasse no debate, em uma manobra o vereador e servidor Ricardo (PR), partido do centro de delinquentes políticos golpistas do Congresso Nacional encaminhou proposta contrária para que a base da categoria não se expressasse sobre o ponto de conjuntura nacional, que devia partir para a discussão da nova proposta que a comissão teria para apresentar para o comando. Rapidamente, a mesa acatou o encaminhamento, abortando assim a discussão sobre conjuntura com a categoria, a assembléia foi suspensa, com os representantes do conselho deliberativo e o comando de greve retirando-se para reunirem à sombra de uma árvore. Em questão de alguns minutos estava selado o destino de mais uma grande greve dos municipários de Florianópolis, ou seja, para a direção do SINTRASEM e o Jornal O Trabalho os servidores deveriam aceitar 6% em quatro parcelas: (2% em abril, 2% em outubro): (1% em fevereiro e 1% em abril de 2017), o que segundo os defensores do fim da greve era um avanço já que a proposta retiraria a judicialização da greve que pedia a criminalização do movimento e a multa imposta ao sindicato e os trabalhadores teriam que repor "apenas" seis dias úteis como forma de pagamento dos dias parados, além de que contemplava a classe dos auxiliares de sala com a passagem para o nível técnico condicionada à aplicação da segunda parcela do PCCS, incluída na pauta. Pois não há garantias que o prefeito cumpra, ele age à margem da lei, Fora da Lei.

Essa que foi apresentada para o comando como uma proposta suficiente para tirar a categoria da greve mostrou na verdade uma capitulação política diante do prefeito por parte da Esquerda Marxista (direção do Sindicato) que, inclusive não tiveram coragem para defender a proposta. Quando a assembléia foi reiniciada abstiveram-se de defender o vitorioso índice de 6% em quatro parcelas, o qual defenderam com unhas e dentes com numerosas intervenções minutos antes na reunião do comando, delegando esta tarefa aos militantes do O Trabalho que cumpriram o papel de cúmplice pela aceitação dessa proposta rebaixada; o seu principal militante no inicio de sua fala pelo fim da greve não teve meias palavras: “essa greve é uma greve com tempo de validade";  ou outra militante que argumentou pelo fim da greve e que o enquadramento dos auxiliares de sala ao nível técnico na carreira era uma vitória e bradou: “é isso ai galera! dinheiro no bolso, vamos para a balada”, expondo claramente que a unidade da categoria ficou pelo segundo ano consecutivo somente no discurso e o que de fato prevaleceu foi a divisão da categoria. Opondo-se a este famigerado parcelamento no índice de reposição da inflação que é o que de fato unificaria a categoria, o que é um retrocesso em 2% ao  parcelado acordo de 8% de 2015 onde a vitória foi apresentada como a implementação do PCCS, e que a pauta fosse atendida minimamente em todas as classes do quadro de carreira dos servidores e nas condições de trabalho amplamente denunciadas durante os dias de greve tais como: contra ao calote aos ACTs, redução do número de alunos nas salas, regulamentação dos plantões Samu e Assistência, contra o atraso do pagamento das férias, etc., formou-se um bloco pela continuidade da greve por tempo indeterminado pelo atendimento mínimo da pauta de reivindicações, com companheiros do Tribuna Classista, independentes e Conlutas se revezando na defesa de que a proposta teria que ser melhorada e pela manutenção do movimento.

Encaminhada a votação a categoria ficou claramente dividida, de forma alguma pode ser dito que a proposta 1 de encerrar a greve foi a vencedora apenas por contraste, assim aclamada pela mesa, a votação deveria ser refeita e os votos contados.

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domingo, 8 de maio de 2016

CPERS: A OPOSIÇÃO, A CRISE E AS SUAS PERSPECTIVAS.



GUILHERME GIORDANO


No dia cinco de maio do corrente ano foi convocada uma reunião por algumas forças políticas que se dizem de oposição à atual direção do CPERS, a Articulação Sindical do PT e da CUT. Entre elas, encontravam-se o PSTU, o MLS (racha da DS do PT e da CUT PODE MAIS), o Alicerce/PSOL, CEDS (Clóvis de Oliveira), etc. para discutir uma intervenção unificada dessa oposição, principalmente para o Congresso Estadual do CPERS que irá ocorrer no início de julho, visando inscrever uma tese única.


Foram convidados para essa reunião e não compareceram, por não concordarem com o método que foi proposto, o MES/PSOL e CS/PSOL.

O debate já iniciou falseado, pois não se propôs como método a discussão de um balanço das últimas eleições gerais para a direção do CPERS, na qual a categoria votou majoritariamente nas chapas da esquerda, e quem levou a eleição e ficou com a direção do sindicato foi a Articulação Sindical do PT e da CUT, com uma votação minoritária. Os que propõem a "Unidade" da "Oposição" para uma briga de aparato, sem o mínimo entendimento e acordo da caracterização de pontos decisivos na atual conjuntura, se dividiram e entregaram um instrumento de luta histórico da categoria para a política de conciliação de classes do PT e da ala majoritária da CUT.

A discussão proposta passou desde uma análise superficial da profunda crise política no país desvinculada da bancarrota mundial do capitalismo, até por proposta de alteração estatutária visando a próxima eleição do sindicato que irá ocorrer no ano que vem, nos marcos de uma situação de quebra completa do Estado do Rio Grande do Sul, aonde o governador do PMDB, Ivo Sartori, "o gringo que faz", promove um sequestro dos salários dos servidores do executivo estadual, "simplesmente parcelando-os em nove vezes". PASMEM!






O representante do TRIBUNA CLASSISTA na reunião pegou a palavra e questionou o fato de que não se discutiu a necessidade de um programa político para defender os interesses da categoria, na forma de um Plano de Lutas, e nem sequer foi mencionada a palavra "golpe", em um claro acordo tácito oportunista entre as forças presentes, que sabidamente possuem uma caracterização divergente sobre o assunto. Falou da necessidade de uma reorganização do movimento operário diante do "verniz 'institucional' (impeachment) do golpe" que se constitui como "veículo para uma profunda modificação das relações entre a classe capitalista e as massas" que passa necessariamente pela "convocação de um Congresso de bases dos trabalhadores que discuta e aprove um programa contra o ajuste e uma saída operária frente à crise", chamado este "dirigido às centrais e organizações operárias que hoje estão atravessadas e comovidas pela crise em curso e é extensivo ao Conlutas, aos movimentos sociais e às organizações de esquerda". (PO 1409,5/5/2016).

Antes de entrar na discussão da tese para ser apresentada, foi dado o informe de que o prazo (até o dia 13/05) e a vinculação das teses para eleição dos delegados nas assembleias, seria uma justificativa (burocrática) para a falsa unidade. O CEDS e o Alicerce/PSOL retiraram-se antes, e foi acordado com os mesmos de que seria apresentado um Manifesto unificado entre as forças presentes.
A metodologia para discussão da tese foi proposta com os pontos que na discussão preliminar apresentaram-se como controversos. Na discussão de conjuntura nacional, o MLS e o PSTU apresentaram uma caracterização de que não existe um golpe em curso, contra o impeachment, e de independência dos trabalhadores frente aos dois blocos burgueses em pugna.

Depois da intervenção do representante do TRIBUNA CLASSISTA, a qual caracterizou a situação política nacional associada à crise mundial, com todas as suas especificidades, e que nesse caso, do Brasil, se manifestava não somente no esgotamento da política de colaboração de classes e de tentativa de contenção das massas do PT, mas na tendência ao desmoronamento de todo um regime político moribundo, que a cada manobra e peça mexida no tabuleiro da crise, coloca as frações burguesas em um verdadeiro estado de pânico, como no caso do afastamento do Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, um ladrão reconhecido por toda a imprensa internacional, que dirigiu a sessão circense do impeachment, televisionada em cadeia nacional, que expôs para toda a população o verdadeiro antro que domina o Congresso Nacional, representantes das mais diversas siglas e frações da burguesia tupiniquim, uma verdadeira prostituição política a céu aberto, escancarando um golpe político contra as massas, a representante do PSTU saltou com uma posição ultimatista que contém outra face de uma mesma moeda daqueles que se dissolveram na política de colaboração de classes do PT para pura e simplesmente fazer a defesa do governo Dilma, que assim como o golpismo comandado por Michel Temer, seu vice-presidente, promoveu o ajuste contra os trabalhadores. O PSTU arbitrariamente entende que se uma determinada posição caracteriza que há um golpe em curso, automaticamente está fazendo a defesa do governo Dilma, enquanto que a outra da mesma moeda, arbitrou que qualquer crítica ao governo do mensalão e do Petrolão está fazendo o jogo dos golpistas.

O terceiro campo do PSTU com seu FORA TODOS é uma incógnita que nem seus militantes sabem explicar e decifrar, pois carece de uma caracterização de classe. Falando nisso, depois da vigorosa intervenção do representante do TRIBUNA CLASSISTA, o PSTU não teve coragem de apresentar o seu FORA TODOS.  

Há que se abrir uma perspectiva política para que a classe operária emerja da crise de maneira independente, classista, socialista e revolucionária. Urge que as organizações de massa da classe trabalhadora convoquem um Congresso Nacional com delegados eleitos nas bases das categorias para discutir e aprovar um programa de defesa das necessidades vitais dos trabalhadores e de um governo dos trabalhadores, bem como é necessário envolver o máximo de organizações da esquerda revolucionária e de militantes para que se construa a Conferência Latino-americana proposta pelo Partido Obrero da Argentina, pelo PT do Uruguai e demais organizações militantes e simpatizantes da CRQI para discutir e aprovar um Plano de Ação em defesa da Unidade Socialista dos Trabalhadores da América Latina, diante da monumental crise mundial que afeta todo o continente.

                                                                                      



sábado, 30 de abril de 2016

POR UM 1º DE MAIO CLASSISTA! LUTAR CONTRA O GOLPE!

                                                             


A SAÍDA PARA ESSA CRISE ESTÁ
NA ORGANIZAÇÃO E NA LUTA DOS TRABALHADORES DE UMA FORMA
INDEPENDENTE DA BURGUESIA E DE SEUS GOVERNOS!

Em primeiro lugar temos caracterizar que tudo o que vivenciamos atualmente em nosso país nada mais é do que a expressão inequívoca da crise mundial do capitalismo, que eleva as contradições sociais, econômicas e políticas a um zênite em que a luta de classes, assim como, a luta pela sobrevivência de cada classe social se dá, cada vez mais, sob a forma de uma encarniçada luta política.

Não há como separar a nossa crise política e econômica do contexto da crise mundial. A crise histórica do capitalismo que vivenciamos afeta toda economia mundial e com isso vai derrubando regimes políticos inteiros que até a pouco tempo pareciam sólidos. A América Latina encontra-se hoje fortemente afetada por essa crise e seus efeitos devem varrer todo o continente.

Antes de tudo, temos que deixar patente e claro que esse é um golpe organizado e com o caráter social da burguesia enquanto classe! As principais frações do grande capital e da burguesia unificaram-se sob a perspectiva do impeachment e do golpe parlamentar! A política de colaboração de classes que o PT sustentava com a burguesia esgotou-se. Não por uma crítica no interior do PT ou da esquerda, mas por que os setores dominantes da burguesia que estavam em aliança com o PT romperam com este governo moribundo. A luta pelo poder colocava dois blocos fundamentais da burguesia em campos opostos: um junto com o PT e o governo e o outro com a “oposição” burguesa. No último período os setores dominantes da burguesia unificaram-se, sob a articulação do PMDB, de Cunha e de Temer, com o apoio da quase totalidade dos partidos burgueses. O golpe tem nitidamente seu caráter de classe. Os setores que fecharem os olhos ou que cruzarem os braços diante do golpe terão que responder historicamente no futuro diante das massas pelos seus atos. Não é admissível uma política classista que cruze os braços ou os olhos diante do grande acordo que a burguesia realiza, unificando seus principais partidos, entidades e representantes para praticar um golpe, um assalto ao poder político.

A fração dominante da burguesia se utiliza da crise do regime político para obter o poder e formar um governo de coalizão e unidade nacional, do grande capital contra as massas trabalhadoras! Temer, Cunha, Renan, PMDB, PSDB e demais partidos burgueses prepararam um verdadeiro rolo compressor contra a maioria esmagadora da população! A partir do controle do legislativo saqueiam o poder executivo. A partir do controle do Estado saquearão às massas. A partir da exploração das massas farão recair o maior peso sobre a classe trabalhadora assalariada: a classe operária.

O espetáculo midiático do dia 17 de abril mostrou as entranhas golpistas e reacionárias do congresso brasileiro a toda população! De suas vísceras assistimos a defesa da ordem capitalista vigente junto com o cadáver insepulto do golpe militar de 1964! O Congresso Nacional é hoje um dos centros políticos da crise e trabalha ativamente, sob a liderança de Eduardo Cunha, para constituir um novo governo: burguês, corrupto e reacionário que destrua a resistência da classe trabalhadora!

Somente a organização independente dos trabalhadores, na forma de fóruns e congressos classistas, que postule a superação total desse regime político, pode derrotar esse golpe de forma cabal e completa, outras vias como eleições gerais, ou propostas intermediárias e mutiladas, somente colocarão novamente a classe trabalhadora diante do espectro do golpe organizado nas entranhas desse regime pelo grande capital. A vitória completa contra o golpe passa pela organização política dos trabalhadores de forma independente da burguesia, de seu regime e de seus governos.

                                                TRIBUNA CLASSISTA
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terça-feira, 26 de abril de 2016

NÃO AO GOLPE!

                                                                         



A FRAÇÃO DOMINANTE DA BURGUESIA SE UTILIZA DA
CRISE DO REGIME POLÍTICO PARA OBTER O PODER
E FORMAR UM GOVERNO DE COALIZÃO E UNIDADE NACIONAL
DO GRANDE CAPITAL CONTRAS AS MASSAS TRABALHADORAS!
TEMER, CUNHA, RENAN, PMDB, PSDB E DEMAIS PARTIDOS
BURGUESES PREPARAM UM VERDADEIRO ROLO COMPRESSOR
CONTRA A MAIORIA ESMAGADORA DA POPULAÇÃO!
PELA INTERVENÇÃO INDEPENDENTE DOS TRABALHADORES!                                                                     
                                                      

           David Lucius

Em primeiro lugar temos caracterizar que tudo o que vivenciamos atualmente em nosso país nada mais é do que a expressão inequívoca da crise mundial do capitalismo, que eleva as contradições sociais, econômicas e políticas a um zênite em que a luta de classes, assim como a luta pela sobrevivência de cada classe social se dá, cada vez mais, sob a forma de uma encarniçada luta política.


Nosso país encontra-se hoje em dia sob os efeitos imediatos da crise mundial por ter uma grande parte de sua atividade econômica como dependente ou influenciada (direta ou indiretamente) pela venda de matérias-primas ou commodities, que no último período vem desvalorizando-se em todos os mercados mundiais devido aos efeitos da crise e das quedas internacionais de consumo, assim como, da própria retração da atividade econômica.



Não há como separar a nossa crise política e econômica do contexto da crise mundial. A crise histórica do capitalismo que vivenciamos afeta toda economia mundial e com isso vai derrubando regimes políticos inteiros que até a pouco tempo pareciam sólidos. A América latina hoje encontra-se fortemente afetada por essa crise e seus efeitos devem varrer todo o continente.


No Brasil a crise desenvolveu-se de forma concomitante como uma crise política e econômica. O PT que sustentava um governo de colaboração de classes com uma das frações da burguesia e do grande capital, começou a perder o controle da economia e do poder político diante do agravamento da crise e de suas consequências. Seus sócios políticos e econômicos foram “abandonando” o barco sob a bandeira da denúncia de um governo imerso na “corrupção”. Corrupção essa que é o próprio modus operandi da burguesia mundial, mas que tem no Brasil um desenvolvimento mais intenso, devido a formação histórica do país e da própria burguesia nacional. Deve-se sempre colocar em evidência que em todo processo recente de corrupção política temos empresas que corrompem desviando recursos do Estado para o seu bolso. O grande capital que parasita o Estado e que até ontem estava com o governo agora é o principal promotor do impeachment, especialmente os setores industriais paulistas agrupados na FIESP. A burguesia e seus partidos foram abandonando paulatinamente o PT com delações premiadas contra a corrupção e denúncias de pedaladas fiscais, mas ocultam que não estão abandonando o governo devido a corrupção, mas procurando um governo em que a corrupção possa continuar de forma mais estável e sem tantas denúncias (o que é o PMDB, no cenário político brasileiro, senão o partido que dá aulas de como se praticar a corrupção de forma discreta e duradoura?), as pedaladas fiscais que hoje são denunciadas, foram assinadas por vários presidentes (e por Temer interinamente), enquanto a economia ainda não soçobrava, a burguesia e seus partidos aproveitaram as diversas bolsas-empresario na forma de subsídios, que a FIESP e outras federações empresariais comemoravam, curiosamente agora essas mesmas federações questionam que vai pagar o pato (o símbolo da luta desse setor é um enorme pato!) diante do deficit no orçamento federal. 

A obsessão da burguesia com o orçamento federal é antes de mais nada a preocupação com os grandes lucros que são gerados pelos títulos da dívida pública, comprados primeiramente pelo sistema financeiro, mas que foi vendido e revendido a grande parte do grande capital nacional e internacional, o receio é de que a crise mundial atinja o país de forma tão fulminante que o Estado entre em 'default', ou seja: uma quebra em que não consiga pagar os títulos da dívida pública e seus gordos juros, os mais altos do mundo, mas, como tudo no capitalismo, um dos mais arriscados também, pelo menos nos últimos anos.

O que fica claro é que a burguesia abandonou o governo e deixou de sustentar essa via de colaboração de classe como política de sustentação para seu sistema de dominação. A crise mundial levou a burguesia nacional a mudar de uma política de colaboração de classes para uma coalizão interna entre suas várias frações e desse modo tentar impedir a tendência geral de queda em seus lucros. Busca então desesperadamente outra alternativa, não para mudar de forma brusca a sua política, mas para aprofundar o que já vem fazendo há décadas: parasitar o Estado de todas as formas, através de subsídios, de títulos da dívida pública (que pagam a maior taxa de juros do mundo!) e da corrupção, que é um de seus grandes negócios, mas como o PT ficou com cara de “bandido” diante da "opinião pública" precisa arrumar outro “hóspede” que assuma o atual governo para tudo voltar a ser como antes, lógico que de forma mais intensa e profunda, afinal a crise é grande e a fome por altos lucros por parte da burguesia só poderão ser contemplados por um governo que passe literalmente um rolo compressor sobre as costas da população. O PT somente servirá agora, no plano imediato, para a burguesia, como “bode expiatório” de tudo o que tiver que ser feito, realizado ou denunciado.


Mas diante disso não devemos de forma alguma “passar a mão na cabeça” do PT. Grande parte da crise que vivenciamos é de sua inteira responsabilidade. A corrupção generalizada é apenas a expressão da adaptação do PT a política de classe da burguesia: quem é que corrompe? Sempre a iniciativa privada ou seja, o grande capital. Quem é corrompido? Sempre os partidos burgueses que eram aliados do PT até ontem. O PT mutila e impede qualquer desenvolvimento da consciência política e da organização dos trabalhadores. Mesmo durante o golpe privilegia sempre os “conchavos” de bastidores com os políticos burgueses em vez de potencializar a luta. Até mesmo a CUT parece hipnotizada dada a influencia o PT em seu interior. A beira de um golpe e nem um sinal de organização dos trabalhadores por parte da CUT. No máximo manifestações sob o controle da burocracia partidária. Nem mesmo a palavra-de-ordem de greve geral é timidamente levantada ou agitada. O PT é o símbolo de tudo o que os trabalhadores não devem realizar ao construir um partido de classe. E não podemos nos esquecer que grande parte do golpe originou-se dentro de seu governo, com seus ministros burgueses e com Michel Temer, Cunha, Renan e o PMDB e outros partidos como aliados. O PT ficou durante muito tempo utilizando o escudo de “Não Vai Ter Golpe!” apenas para defender seu governo, enquanto o golpe era gerado e gestado no interior de seu próprio governo! Sobre isso se calam e fingem que os golpistas são apenas a “oposição burguesa”, mas seus principais líderes eram até ontem os sócios do próprio governo! O PT, através de sua aliança estratégica com a burguesia, armou e municiou o golpe em curso!

Temos que deixar patente e claro que esse é um golpe de classe da burguesia! A política de colaboração de classes que o PT sustentava com a burguesia esgotou-se. Não por uma crítica no interior do PT ou da esquerda, mas por que os setores dominantes da burguesia que estavam em aliança com o PT romperam com este governo moribundo. A luta pelo poder colocava dois blocos fundamentais da burguesia em campos opostos: um junto com o PT e o governo e outro com a “oposição” burguesa. No último período os setores dominantes da burguesia unificaram-se, sob a articulação do PMDB, de Cunha e Temer, com o apoio da quase totalidade dos partidos burgueses. O golpe tem seu caráter de classe. Os setores que fecharem os olhos ou que cruzarem os braços diante do golpe terão que responder historicamente no futuro diante das massas pelos seus atos. Não é admissível uma política classista que cruze os braços ou os olhos diante do grande acordo que a burguesia realiza, unificando seus principais partidos, entidades e representantes para praticar um golpe, um assalto ao poder político. A partir do controle do legislativo saqueiam o poder executivo. A partir do controle do Estado saquearão as massas.


A crise deve continuar depois da votação do impeachment, com a vitória parcial ou não dos golpistas. De qualquer forma a crise ficará mais intensa, independente do resultado da votação. Devemos lutar de forma veemente contra essa investida da burguesia de saquear o poder político por meio de um impeachment através da unificação momentânea de suas frações dominantes. Aos trabalhadores cabe a organização independente e política quanto classe para poder lutar e ter um papel no desenvolvimento histórico dessa crise. Diante da crise mundial do capitalismo, de seus efeitos em nosso continente e no Brasil, temos que lutar por uma organização dos trabalhadores de forma independente do governo e do PT, de um lado, e da burguesia, do grande capital e de seus partidos, de outro, como primeiro passo para se levantar e construir um partido que defenda claramente seus interesses imediatos e históricos, única ferramenta organizativa e programática que pode dar conta dos impasses e contradições que nos oprimem diariamente.