sábado, 24 de agosto de 2019

AMAZÔNIA EM CHAMAS: Abaixo Bolsonaro e todos os governos responsáveis pela destruição capitalista do meio ambiente


Hernán Gurian







Os vorazes incêndios que estão destruindo grande parte da selva amazônica não são produtos de uma catástrofe natural ou consequências da desídia humana, senão que obedecem a uma política consciente impulsionada pelo agro business ou capital agrário, e implementada pelo estado em benefício deste pequeno grupo de grandes latifundiários e empresas multinacionais sócias do mesmo.

Estes interesses contam no parlamento nacional, nas assembleias estaduais câmaras municipais com seus próprios blocos políticos de senadores, deputados e vereadores. É a denominada “Bancada ruralista” que concentra no Congresso Nacional a nada menos do que com uns 200 deputados de um total de 513, que mesmo pertencendo a diversos partidos, se encontram unificados na Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). Este bloco político-patronal foi um dos pilares que deram sustentação à candidatura e posterior ascensão de Bolsonaro ao poder. Não pode ser desvinculado a catástrofe de fogo e a devastação no Amazonas do caráter de classe dos interesses sociais particulares que a produziram.

Amazonas em perigo

Os últimos incêndios intencionais perpetrados por estes setores do capital agrário durante os primeiros dias de agosto são os mais graves atentados contra a preservação da selva de toda a história, mas não são os únicos.

Toda a Amazônia está sendo castigada pelo afã do lucro da classe capitalista, não só do setor rural como também do setor mineiro e a indústria madeireira, com suas sequelas de contaminação, destruição da floresta e crimes de todo tipo contra os povos originários e pequenos camponeses. Assassinatos e agressões contra índios e ativistas são uma constante em toda a região.

Não obstante nesta época do ano ser habitual que se registrem focos de incêndio, produto das secas, neste caso todos os relatórios de cientistas e órgãos estatais de controle indicam que seu enorme incremento se deve a causas intencionais. Os incêndios estendem-se pelo norte e centro-oeste do país, sendo os Estados mais afetados os de Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, chegando até a fronteira da Bolívia e Paraguai. Comparado com as estatísticas do mesmo período do ano passado, o número de focos aumentou em 70 %. Segundo dados de uma pesquisa da Universidade de Oklahoma, a Amazônia brasileiro perdeu 400 mil km² de floresta entre 2000 e 2017.

A origem destes novos e focos em massa deve ser procurada nos atos destrutivos impulsionados pelos grandes latifundiários destes Estados, no que eles mesmos batizaram como “o Dia do Fogo”, quando segundo o diário “Salário do Progresso”, de Rondônia (5/8), alguns grandes produtores rurais da região “se sentindo amparados pelas palavras do presidente Jair Bolsonaro coordenaram ataques coletivos em áreas em processo de preservação, no mesmo dia, em vários lugares”. A fins de 2018, a Assembleia dos deputados estaduais de Rondônia votou em prol de que nove áreas que se encontravam sob proteção ambiental fossem tornadas próprias para desmatamento. Na prática, isto significou uma devastação da floresta em 50 % do território do Estado. As “queimadas” ou incêndios da selva são uma técnica ou método habitual de “limpeza” agropecuária desenvolvidos pelos grandes fazendeiros para expandir as áreas de cultivo e pastagem para o gado. A expansão do capital é a verdadeira raiz da desflorestação amazônica.

O “Garimpo”

No passado 13 de agosto milhares de mulheres indígenas e camponesas marcharam para a capital, Brasília, em defesa da terra e contra a destruição do meio ambiente por parte do agronegócio e o garimpo. O "Fora Bolsonaro" ecoou com força em frente ao Planalto como expressão de repúdio ao máximo representante desta política de devastação da natureza e das massas indígenas e camponesas em benefício do ganho capitalista.

Em decorrência dos últimos meses, ao redor de 22 mil "garimpeiros" (exploradores de ouro e diamantes) invadiram terras indígenas no Estado do Amapá, onde assassinaram a um líder indígena da tribo Wajãpi e expulsaram violentamente a seus habitantes. Bolsonaro impulsionou nestes dias um projeto que legaliza estes crimes ambientais ao permitir a exploração mineira em áreas indígenas protegidas por uma lei federal.

O produto extraído do solo com métodos arcaicos em muitos casos por estes garimpeiros, em sua maioria pobres e desempregados na procura do “Eldorado” são depois expoliados por grandes empresas e máfias unidas ao poder do estado que compram o ouro a preços ínfimos.

Indústria madeireira: Bolsonaro, “o capitão da motoserra”

Assim se auto-definiu Bolsonaro frente aos meios de comunicação, quando debochou, ao melhor estilo Trump, dos dados alarmantes sobre a destruição acelerada da selva amazônica. Um dos primeiros decretos de início de seu governo foi o que habilita à privatização de milhões de hectares dentro do território amazônico em benefício do capital nacional e estrangeiro, incluindo terras que por lei pertencem às comunidades indígenas (demarcação de terras).

Da mão de toda uma política de estado favorecendo com múltiplos projetos ao capital agro-industrial, Bolsonaro levou adiante em oito meses de governo uma brutal política de ajuste na Educação, Saúde, Ciência. No Ministério do Meio Ambiente aplicou um corte de 50 % do orçamento que estava destinado ao instituto Ibama para a construção do PREVFOGO, um centro de prevenção de incêndios. Também cortou 5,4 milhões de reais (uns 73 milhões de pesos) destinados à fiscalização e combate de incêndios. Centenas de servidores públicos, que atuavam como promotores em zonas selváticas, foram os primeiros demitidos por redução de pessoal do Estado.

Em 12 de fevereiro, no histórico programa político “Roda Viva”, o ministro bolsonarista do Meio ambiente, Ricardo Salles, deixou a todos estupefatos ao declarar, como uma expressão pública de desprezo à “questão ecológica”, que “não sabia bem” quem tinha sido Chico Mendes, o militante e sindicalista defensor da floresta amazônica, reconhecido mundialmente e assassinado por pistoleiros dos latifundiários do Acre, em 1988. “É irrelevante saber isso”, disse o canalha. Antes de ocupar postos públicos, Salles foi um advogado vinculado a setores do agronegócio e foi processado judicialmente quando era secretário do Meio ambiente, em São Paulo, sob o governo de Alckim (PSDB), por violar leis de proteção ambiental ao conceder licenças de exploração de terras que se encontravam preservadas por lei, bem como por utilizar um helicóptero de um latifundiário para se mobilizar, sendo servidor público.

Foi justamente no Acre, durante a campanha presidencial, onde o então candidato Jair Bolsonaro pronunciou um de seus discursos mais brutais ao prometer que se fosse eleito iria fuzilar a todos os militantes do PT e esquerdistas daquele Estado. Nesta categoria, Bolsonaro incluía a todos os ativistas, considerados um entulho para os planos expansionistas dos sojeiros e pecuaristas da região. Neste sentido, já como presidente em exercício, Bolsonaro está impulsionando um projeto no Congresso que libera o porte de armas em todas as propriedades rurais. Um claro chamado a que os grandes proprietários de terras formem milícias paramilitares para atuar contra os camponeses sem terras, os pequenos agricultores, índios e militantes ecologistas. É a ostensiva contra-reforma agrária.

O aumento das queimadas aconteceram um mês após Bolsonaro ter declarado à imprensa que não acreditava nos dados oficiais divulgados por seu próprio governo em relação ao alarmante aumento dos focos de incêndio, algo que os produtores rurais entenderam como um aval ou carta branca para avançar em seus métodos de limpeza da floresta. Inclusive Ricardo Galvão, diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (ligado ao Ministério de Tecnologia) foi exonerado pelo presidente depois de alertar pelos altos índices de desflorestação que está sofrendo a Amazônia, o acusando de danificar a imagem da economia do Brasil. Imediatamente, Bolsonaro culpou às organizações ecologistas de serem as responsáveis pela catástrofe, em uma tentativa de criminalização.

Os governos petistas

A degradação da selva amazônica realmente não começou sob o gerenciamento de Bolsonaro, ainda que este tenha acelerado o ritmo.

Sob todos os governos democráticos, o avanço dos negócios capitalistas em detrimento da preservação da natureza foi uma constante. Com Fernando Henrique Cardoso, as matanças de camponeses e indígenas foram sistemáticas, bem como o desenvolvimento descontrolado do garimpo. Também, os governos do PT não foram uma trava a estes atropelos, mas antes pelo contrário, tanto Lula como Dilma deram impulso aos ruralistas para avançar com seu gado e sua soja para o interior das florestas. Lula se orgulhava de ser o principal provedor de soja à então pujante China. Durante os quatro mandatos "petistas' produziu-se a maior concentração do mercado de proteínas da história, em mãos das gigantescas JBS-Friboi e a Marfrig, enormes latifúndios e virtuais donos de milhões de cabeças de gado que passaram por seus frigoríficos. De fato, uns dos principais ministros de Lula foi Meirelles, ex diretor da JBS-Friboi. Em 2002, Lula chamou de “heróis nacionais” aos usineiros, grandes empregadores de mão de obra escrava e depredadores do solo. Toda uma definição política.

Dilma foi mais longe, ao nomear como Ministra de Agricultura, Kátia Abreu, uma latifundiária pecuarista e presidenta da Confederação Nacional de Agricultura – o equivalente à Sociedade Rural argentina. Abreu declarou ao assumir o ministério que “a presidente Dilma foi a primeira chefe de governo que se dispôs a atender a agenda tão complexa como a do agronegócio." Apoiou a reforma do Código Florestal que favoreceu o aumento ou extensão dos limites de exploração do solo em benefício dos latifundiários.

Sob os governos do PT produziu-se uma aliança com os ruralistas latifundiários, na qual cresceu exponencialmente o agro business, manteve-se o trabalho escravo no campo, a desflorestação do Amazonas seguiu seu curso e nunca se avançou nenhum milímetro na Reforma Agrária, tantas vezes prometida aos camponeses sem terra.

Saída

A simples continuidade de Bolsonaro e sua equipe à frente do governo só pode oferecer para o futuro imediato novas catástrofes ambientais de intensidade cada vez maior. Sem ir mais longe, seu mandato debutou com outra catástrofe ambiental: a ruptura de um dique que continha dejetos tóxicos da empresa Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, provocando a morte de 200 pessoas e o desaparecimento de outras 93, além da virtual extinção do povo de Brumadinho e a contaminação de rios e milhares de hectares de terras.

O desenvolvimento capitalista nas condições de seu declínio e de sua decomposição é incompatível com a preservação dos ecossistemas e da vida mesma, sempre em risco por catástrofes provocadas

Uma onda de manifestações em várias capitais e cidades do Brasil estão programadas para os dias 23, 24 e 25 deste mês pela “defesa da Amazônia”, bem como também estão sendo convocadas manifestações às embaixadas brasileiras em diferentes países. Estas convocações deverão ser transformado em verdadeiras manifestações de repúdio a Bolsonaro e a todos os governos responsáveis da catástrofe ambiental.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

DECLARAÇÃO DO AGRUPAMENTO TRIBUNA CLASSISTA

Aos dirigentes, militantes de base e simpatizantes da CRQI 

e do Partido Obrero da Argentina

 

 

 

 NÃO À RUPTURA DA CRQI E DO PARTIDO OBRERO DA ARGENTINA


Desde o Brasil, fomos fortemente impactados com os acontecimentos que envolvem o Partido Obrero da Argentina.

Ainda no interior do PT lutamos sob a forte influência do PO e de seu principal dirigente, Jorge Altamira, que desde então foi nossa principal referência programática e política do ponto de vista do internacionalismo proletário e da defesa da Revolução Socialista, em uma profunda delimitação das vertentes nacionalistas burguesas e frentepopulistas.

A total degeneração da organização, em que militamos por mais de 20 anos, que ora se converteu em porta-voz e conselheira virtual do lulismo, nos conduziu a uma ruptura com a mesma e uma maior aproximação do PO, da CRQI e do próprio Jorge Altamira, a partir de 2008.

Passamos a publicar o jornal Tribuna Classista, as Declarações Internacionais da CRQI, organizamos duas atividades públicas com Jorge Altamira em Porto Alegre, sul do Brasil, participamos, desde de 2009, de todas as Conferências Latinoamericanas que ocorreram em Buenos Aires e no Uruguai e em alguns  Congressos do PO. 

Somente no ano passado estivemos presentes em abril e novembro nas Conferências Internacionais que ocorreram em Buenos Aires com uma combativa intervenção no ato que encerrou a primeira e uma contribuição importante na resolução aprovada na Comissão contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, na segunda.

Dito isto, entendemos que a ruptura política, se consumada, será um gravíssimo erro histórico com consequências programáticas e políticas nefastas para o desenvolvimento da consciência das massas que perpassa os marcos das fronteiras argentinas,  pois terá um alcance internacional. 

Enfim, depois de altos e baixos organizativos, nosso pequeno agrupamento se vê na obrigação moral de se posicionar frente a esta situação.

E o que queremos dizer primeiramente é NÃO À RUPTURA!



Que sejam retiradas todas as sanções contra o setor que esporadicamente se encontra em minoria e que lhe seja restituído todos os direitos de militantes políticos do PO, integralmente.

Basta de medidas arbitrárias de cunho administrativo e burocrático! Pela mais completa liberdade de discussão e expressão! 

Essa é a nossa posição inicial.

Em defesa da CRQI e do Partido Obrero como fios de continuidade da IV Internacional de León Trótsky e da estratégia política da Revolução Mundial do Proletariado e do Socialismo.



Antonio Carlos Tarragô Giordano
Artigas Heller Alvez
Carlos Afonso Coling de Castro
Daniel Cejas
Eugênio Borges
Fábio André Pereira
Luís Guilherme Tarragô Giordano
Sérgio Miguel Souza da Costa


Em nome do agrupamento TRIBUNA CLASSISTA do Brasil

sábado, 29 de junho de 2019

Prefácio à História da Revolução Russa


León Trótsky,  (14/11/1930, Prinkipo/Turquia)






[...] “A característica mais incontestável da revolução é a intervenção direta das massas nos acontecimentos históricos.
Comumente o estado, monárquico ou democrático, domina a nação; a História é feita pelos especialistas da matéria: monarcas, ministros, burocratas, parlamentares e jornalistas. Todavia, nas curvas decisivas, quando um velho regime se torna intolerável às massas, estas destroem as muralhas que as separam da arena política, derrubam os seus representantes e, intervindo desse modo, criam uma posição de partida para um novo regime. Seja isso um bem ou um mal, cabe aos moralistas julgá-lo.
Quanto a nós, tomamos os fatos tal como se apresentam, em seu desenvolvimento objetivo. 
A História de uma revolução é, para nós, inicialmente a narrativa de uma irrupção violenta das massas onde se desenrolam seus próprios destinos.” 

“Numa sociedade em revolução, as classes entram em luta. É, por conseguinte, absolutamente evidente que as transformações produzidas, entre o princípio e o fim de uma revolução, quer nas bases econômicas da sociedade, quer no substrato social das classes, não são suficientes para explicar a marcha da revolução em si, uma vez que, em curto lapso de tempo, derruba as instituições seculares, e cria novas para, em seguida, derrubá-las também. A dinâmica dos acontecimentos revolucionários é diretamente determinada pelas rápidas e intensas e apaixonadas mudanças psicológicas das classes constituídas antes da revolução.”  
“Com efeito, uma sociedade não modifica as suas instituições na  medida de suas necessidades, como um artífice renova o seu instrumental. Ao contrário: a sociedade praticamente considera as instituições como algo para sempre estabelecido. Durante uma dezena de anos, a crítica de oposição serve apenas como válvula de escape ao descontentamento das massas, o que se constitui em condição de estabilidade do regime social: tal é, em princípio, o valor adquirido pela crítica social-democrata. São necessárias circunstâncias absolutamente excepcionais, independentes da vontade individual ou dos partidos, para libertar os descontentes do espírito conservador e levar as massas à insurreição.”  

“As bruscas mudanças de opinião e de humor das massas, em épocas de revolução, provém por conseguinte, não da maleabilidade ou da inconstância do psiquismo humano, porém de seu profundo conservantismo. As ideias e as relações sociais, permanecendo cronicamente em atraso, quanto às novas circunstâncias objetivas, até o momento em que tais circunstâncias se abatem como um cataclisma, provocam, em época de revolução, sobressaltos de ideias e paixões, que a cérebros de policiais se apresentam simplesmente como obra de “demagogos”. 

“As massas entram em estado de revolução não com um plano preestabelecido de transformação social, mas com o amargo sentimento de não lhes ser mais possível tolerar o antigo regime. Apenas o centro dirigente das classes possui um programa político, o qual, entretanto, precisa ser confirmado pelos acontecimentos e aprovado pelas massas." [...]



Que FAZER?


 Vladimir Ilyitch Uliánov (1902)




As questões palpitantes do nosso movimento


[...] "Pequeno grupo compacto, seguimos por uma estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão. De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado,  cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo a parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação. Alguns dos nossos gritam: Vamos para o pântano! E quando lhes mostramos a vergonha de tal ato, replicam: Como vocês são atrasados! Não se envergonham de nos negar a liberdade de convidá-los a seguir um caminho melhor! Sim, senhores, são livres não somente para convidar, mas de ir para onde bem lhes aprouver, até para o pântano; achamos inclusive, que seu lugar  verdadeiro é precisamente no pântano, e, na medida das nossas forças, estamos prontos a ajudá-los a transportar para lá os seus lares. Porém, nesse caso, larguem-nos a mão,  não nos agarrem e não manchem a grande palavra liberdade, porque também nós somos "livres" para ir aonde nos aprouver, livres para combater não só o pântano, como também aqueles que para lá se dirigem!! [...]

segunda-feira, 24 de junho de 2019

SOCIALISMO OU SOCIALISMO

Correspondente bancário de Porto Alegre






 
A atual crise mundial do capitalismo já está completando 11 anos (2008 a 2019) com uma enorme desaceleração da economia mundial e com uma previsão de PIB mundial em torno de 2,5 % em 2019 e possivelmente igual ou menor em 2020. Entre os principais riscos para este baixo crescimento mundial, se destacam as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, bem como problemas estruturais do capitalismo que desestimulam o investimento em vários países, sobretudo na Zona do Euro. Para piorar estamos entrando em uma nova grande crise mundial do capitalismo; na verdade é a continuação da atual crise; ou seja, é de fato a crise terminal do capitalismo? Não há mais espaços para se falar em crises cíclicas? Será terminal mesmo?


A americalatinização da Europa é o exemplo mais cabal da crise irreversível do capitalismo. A União Europeia que tinha um padrão de vida invejável, agora  à beira de sua desintegração apresenta vários problemas sociais, econômicos e políticos comuns aos países latino-americanos.



O Reino Unido será atingido por tarifas se o Brexit não chegar a um acordo, acredita o Banco Central Inglês; como há meses, a saída da Inglaterra da UE não consegue chegar a um M.D.C. entre as partes, isto está causando uma grande crise capitalista na região do EURO.

Passando pela Espanha com as suas questões separatistas que conturbaram e conturbam a UE e que nem os tribunais espanhóis e a política dos separatistas conseguiram resolver.

Este ano ocorreram as eleições do Parlamento Europeu, que foi caracterizada por uma total fragmentação das forças políticas, o que nos próximos cinco anos contribuirá com a aceleração da desintegração do Bloco Europeu. Partidos tradicionais perderam espaço e o Partido Verde cresceu, se apresentando através de uma lente invertida como o grande representante dos trabalhadores europeus.

A Itália, bola da vez, terceira maior potência da Zona do EURO, está totalmente anêmica há vários anos e a UE e o capitalismo mundial assistem a isto apavorados. A Itália em recessão pode puxar a UE, pois a sua dívida é uma das maiores do mundo, isto pode gerar uma das maiores moratórias do mundo com consequências globais devastadoras, e o perigo é grande, pois os populistas italianos de direita adotam políticas de gastos altíssimos.   

Na Alemanha a coalizão dos partidos CDU ( União Democrata Cristã) e SPD (Social-Democrata da Alemanha) está em perigo, pois o SPD teve uma derrota eleitoral muito forte no Parlamento Europeu, junto com isto a locomotiva alemã a cada ano vem desacelerando a sua economia.

Na França, 50 anos depois do Maio de 68, o Fora Macron ! foi o que a população francesa através dos coletes amarelos repetiu por vários meses. A popularidade de Emmanuel Macron despencou de 68% para 26%, após mais de 20 manifestações contra o Governo Macron, este aceitou aprovar uma série de reivindicações para a classes média e baixa, mesmo assim não foi o suficiente para os manifestantes. No Primeiro de Maio, Paris virou uma praça de guerra, de um lado os coletes amarelos e os Black Blocs, e do outro lado as forças de repressão.

Num futuro próximo muitos acontecimentos novos irão surgir na Europa em plena crise capitalista. Especialistas concordam que a longo prazo , a guerra comercial entre Estados Unidos e China deve trazer riscos para o mundo inteiro. As constantes negociações entre os Governos Donald Trump e Xi Jinping são insuficientes e estão sempre fracassando, pois o sistema capitalista mundial conspira sistematicamente contra o próprio sistema. 

Não é só o comércio mundial que está se desacelerando, mas a economia mundial como um todo. O último acordo ficou basicamente assim: os Estados Unidos suspenderam as sobretaxas impostas à China, e os chineses comprariam mais bens e serviços americanos. Não estamos livres do imperialismo norte-americano e a burocracia restauracionista chinesa nos arrastarem para uma Guerra Mundial. E por falar em guerra, os Estados Unidos está procurando uma com o Irã, podendo colocar fogo em todo o Golfo Pérsico, a questão é o Petróleo e quem vai continuar dominando-o. O Golfo Pérsico está armado até os dentes. Operações de guerra já começam a ser montadas na região. O Imperialismo, se ameaçado contra-ataca de imediato, por isso os trabalhadores do mundo inteiro precisam saber quem são os seus inimigos.

A Síria é um exemplo real do que o Imperialismo pode fazer a uma nação, após oito anos de guerra, o país totalmente destruído e 12 milhões de sírios deslocados ou refugiados. Estiveram guerreando na Síria: Árabes, norte-americanos, russos, franceses, ingleses e outros. O ditador Bashar Al-Assad, por hora continua no poder. E o povo sírio são os perdedores de mais uma guerra capitalista.

Enquanto o capitalismo ruma para a barbárie, os trabalhadores para mudarem este horrível destino para a humanidade devem se agrupar em torno de Partidos Operários Revolucionários e uma Quarta Internacional Socialista, para através da Revolução Socialista Mundial impor o Socialismo.  
 

domingo, 23 de junho de 2019

ATRASOS DE LEITE NOS SALÁRIOS SEQUESTRADOS NO RS

                Sergio Miguel - Correspondente do agrupamento Tribuna Classista no RS







O governo do RS sofre as terríveis consequências normais de um desgoverno,  onde os trabalhadores são as maiores vítimas, pois os latifundiários, banqueiros e grandes industriais têm onde se sustentar e se esbaldar, já que é própria da sua natureza a exploração capitalista do homem pelo homem.


No mês de junho de 2019, nem sequer o mês de maio foi pago, ou seja, estas classes citadas acima estão sendo financiadas pelos recursos negados aos trabalhadores, que com suas necessidades inadiáveis, lutam para manterem a família e a si próprios sem o dinheiro seqüestrado pelo governo. Até quando? Estes já miseráveis trabalhadores, de um lado, e um monte de pançudos capitalistas do outro, que não estão nem um pouco preocupados com esta terrível situação de pavor e penúria destes infelizes da única classe que produz. O capital esmaga quem produz e enaltece os parasitas. Além de atrasar salários, estes governos deste sistema, não pagaram o décimo terceiro de 2018, dinheiro este atrasado também, a qual já deveríamos ter recebido no ano passado, e no entanto os opressores dos trabalhadores nos forçam a encher os bolsos dos banqueiros com altíssimos juros e taxas sem precedentes para aniquilar de vez este que trabalha e produz dia a dia, hora por hora, minutos contados no relógio, e  chega em casa de madrugada com a família esperando o alimento inexistente, deste provedor sem seu salário, com suas várias contas mensais já vencidas, e ir dormir com a fome forçada. Pobre trabalhador.

No RS, e em todo Brasil e em todo mundo isto acontece, exatamente igual, sem nenhuma diferença, e a classe trabalhadora sofre. Salários de junho só começaram a ser pagos no dia 10  para todos os servidores do RS; no mês anterior, abril,  quem recebia um pouco mais, foi receber o total do salário apenas em 27 de maio. Sequestros constantes salariais que vem sendo feitos desde anos anteriores, incluindo décimos terceiros atrasados e seqüestrados, um absurdo para o trabalhador. Em uma política de manipulação do governo estadual e federal sob a batuta do capitalismo de ambos. Por isto:




-Por um congresso de base da classe trabalhadora, convocado pelas centrais CSP/CONLUTAS, CUT, CTB, INTERSINDICAL, por um programa de reivindicações que satisfaça as necessidades mais vitais


- Fora o governo Bolsonaro!

-Fora o governo Leite!
-Por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo