domingo, 4 de outubro de 2026

NAS ELEIÇÕES, EM DEFESA DA INDEPENDÊNCIA DE CLASSE DOS TRABALHADORES

 

Candidato a presidência pelo PSTU
Guilherme Giordano

Estão em curso as eleições no Brasil que decidirão os cargos da presidência da República, renovação de 2/3 das cadeiras do Senado, num total de 54, sendo duas por Estado da Federação, incluído o Distrito Federal, 513 deputados federais, as assembleias legislativas e os governos estaduais. 

A nível mundial, estão marcadas por uma explosão de rebeliões populares em todo o mundo: "Na França, no Chile, na Alemanha e em Manchester, milhares marcham contra o ajuste dos governos capitalistas e em defesa do povo palestino. As juventudes tomam as ruas pela educação e contra o serviço militar obrigatório. No Estado espanhol, a crise habitacional se intensifica, dando lugar a mobilizações massivas rumo a uma greve geral." (Prensa Obrera, 03/10/2026)

O Partido Obrero dentro da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - UNIDADE argentina adverte: "Mostremos como se luta na Argentina nesta terça-feira, 6/10, nos concentraremos nos Tribunais contra o DNU 70/23 de Milei e sua entrada em vigor por decisão da Corte Suprema, e em 15/10 ocuparemos o Congresso Nacional contra a estrangeirização de nossas terras e pela efetiva implementação da Lei de Financiamento Universitário. FORA MILEI. GREVE GERAL PARA DERRUBAR ESTE GOVERNO DE CAPACHOS E DE AJUSTADORES." (Prensa Obrera, 03/10/2026)

Em pleno desenvolvimento da guerra imperialista iniciada pela OTAN na Ucrânia contra a Rússia, que está  ceifando a vida de milhões de seres humanos, da continuidade do genocídio promovido pelo arquiterrorista e assassino estado de Israel, sob o comando do nazisionismo, com o aval do imperialismo ianque, mantendo também ações terroristas além de Gaza, a Cisjordânia com o avanço da colonização, e através de operações militares e bombardeios em diversos países da região, como o Líbano, Síria e outras frentes de guerra no Oriente Médio, na trilha de seus conflitos contra grupos armados como o Hezbollah e o Hamas, e em países como Iêmen e Catar, a América Latina foi colocada oficialmente na agenda do orçamento de guerra do departamento de estado norteamericano com o sequestro do presidente Maduro da Venezuela, que está nesse momento sob a tutela da colonização trumpista, a intensificação do embargo econômico a Cuba, com o aumento das ameaças de invasão, e os tarifaços, que se constituem em verdadeira declaração de guerra atingindo em cheio e principalmente o Brasil.

A intromissão sistemática do imperialismo ianque, desde o financiamento e sustentação dos golpes militares em toda a América Latina, não é nenhuma novidade. Com o pretexto de combate ao narcotráfico e ao crime organizado, Trump criou o chamado Escudo das Américas em março do corrente ano, que já atinge 19 países do continente.

Mais recentemente, revelado pelo jornal britânico The Guardian, o imperialismo ianque destinou 1 milhão de dólares, equivalente a R$ 5,1 milhões, com a finalidade de financiamento de um projeto, no Brasil, dirigido a contestar a atuação e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) 

Há retaliações diplomáticas entre embaixadas, e às vésperas da eleição, os EUA decidiram fechar a embaixada norte-americana em Brasília e todos seus consulados nos Estados da Federação com o rumor de ameaças em sua segurança, constituindo-se como uma clara tentativa de interferência externa no resultado das eleições.
Nessa toada tocada pela crise imperialista é que a polarização entre as candidaturas de Lula, da Frente Ampla e de Flávio Bolsonaro do PL, afogado num lamaçal de denúncias de corrupção, orgias, etc., se intensifica.
Crise de direção do proletariado
Mais uma vez o Programa de Transição, publicado em 1938, de Leon Trótsky, ronda o planeta. Nele, Trótsky caracteriza a crise capitalista mundial e o denomina como A Agonia Mortal do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional. 
Tendo como premissa número um a crise mundial do capitalismo, Trótsky prognostica a segunda guerra mundial e caracteriza que as condições objetivas para a revolução socialista haviam amadurecidas, numa escala geométrica, a tal ponto que aproximavam-se do seu apodrecimento. É que as condições subjetivas, ou seja, a consciência do proletariado, um partido operário que expressase conscientemente os interesses da classe operária, caminhava no máximo numa escala aritmética, ou seja, desproporcionalmente à realidade dada. Por isso propõe constituir uma ponte através de reivindicações transitórias que impulsionasse a consciência imediata dos trabalhadores à necessidade da conquista do poder político e da revolução socialista.
Das burguesias nacionais e do imperialismo só se podia esperar com o avanço do nazismo na Alemanha e do fascismo na Itália ("nem chorar, nem rir, compreender!")  a catástrofe da carnificina de uma nova guerra mundial, muito mais destruidora que a primeira, ou seja, da humanidade sendo levada para um verdadeiro inferno. Por isso Trótsky afirma que "a crise da humanidade reside na crise da direção do proletariado", ou seja, a única classe social que poderia evitar todas as consequências terríveis e nefastas de uma hecatombe mundial, que converteu milhões em bucha de canhão. 
E a direção majoritária do proletariado naquele momento estava nas mãos da social-democracia putrefata e do stalinismo moribundo, um cadáver insepulto, segundo um dirigente trotskista boliviano.
Entre a camisa-de-força da Frente Ampla e o fascismo
"As frente populares, por um lado, e o fascismo, por outro, são os últimos recursos políticos do imperialismo contra a revolução proletária".
É sempre bom lembrar que em 1989, a burguesia com o receio de uma possível vitória de Lula nas eleições presidenciais, frustrada pela fraude da soberania popular com o aparecimento de uma candidatura que expressava uma das mais atrasadas oligarquias políticas, a famigerada corrupta e mafiosa República de Alagoas, começou a exigir nos principais jornais do centro do país, em especial O Estadão, que nos seus editoriais exalava o veneno do disciplinamento burguês sobre o PT, a expulsão das correntes trotskistas do partido, para que o mesmo se tornasse "um partido responsável", é claro da ordem burguesa. 
Prontamente, a direção do PT, sob o comando de José Dirceu e sua corrente política, colocou em marcha uma verdadeira caça às bruxas, consumando com a expulsão da corrente política Causa Operária, em seu 1º Congresso Nacional, em 1991. Depois veio a expulsão em acordo da Convergência Socialista.
Por que as correntes, que também se reivindicam trotskistas, Democracia Socialista - DS e O Trabalho permanecem até hoje? E também, logo depois, a ruptura à direita da Convergência Socialista, o grupo que se chama MES no PSOL, pôde retornar à vontade para o PT? O caça às bruxas da corrente majoritária foi executado, em vários lugares, justamente por estas correntes que jogaram na lata do lixo o trotskismo, que de maneira farsesca, reivindicam até os dias de hoje.
A burocracia oficial necessitava de um verniz esquerdizante para colocar em marcha um programa e uma política cada vez mais direitista que tinha como estratégia "governar o estado burguês" no sentido de "democratiza-lo", o "governo para todos". Foram aprofundadas, em decorrência, as chamadas alianças pragmáticas com partidos da burguesia e inclusive com a direita burguesa. A conciliação e colaboração de classes passou a permear um finado partido que era pra ser dos trabalhadores.
Por que lembramos e refrescamos a memória desse período de intensa luta de classes no interior do PT? 
Porque queremos denunciar a corrente Semear do dirigente "trotskista", Valério Arcary, que publicou um documento, cinicamente, utilizando como título o refrão de um verdadeiro hino contra a ditadura militar, do consagrado músico e compositor, o célebre Geraldo Vandré, "QUEM SABE, FAZ A HORA, NÃO ESPERA ACONTECER!" 
O documento em questão, no fringir dos ovos, reclama a retirada das candidaturas independentes (podemos até discutir o grau dessa independência) da esquerda que se reivindica revolucionária, "democraticamente", a saber: PSTU, PCB, UP e PCO.
Na divisão do trabalho da burocracia oficial petista, assim como os que se reivindicam trotskistas, no interior do PT, que ocupam hoje um papel marginal, salvo em um ou outro Estado, essa corrente política que se abrigou no PSOL, depois de ter provocado uma ruptura no PSTU, presta seu verniz esquerdizante para dar continuidade no disciplinamento imposto pela burguesia, num passado recente. A letargia política em que se encontra a base social do PT levou um setor do mesmo a atacar as greves que estavam em curso dos Correios e bancários com a mesma acusação de que supostamente iriam favorecer a candidatura direitista de Bolsonaro filho.
Da nossa parte, frente ao ufanismo político frenteamplista com seu euforismo eleitoreiro (que não ocorreu na ocasião em que o golpismo, capitaneado pelo Vampiro Temer, atacou os direitos trabalhistas e em que o bolsonarismo atacou os direitos previdenciários, com as respectivas infames reformas trabalhista e previdenciária) e o lixo da escória direitista e fascistoide bolsonarista, defendemos as candidaturas do PSTU, não obstante nossas divergências programáticas e políticas, em nome da luta pela independência política dos trabalhadores, por um reagrupamento de forças da esquerda que se reivindica revolucionária, por governos de trabalhadores, pelo Socialismo, contra os governos da guerra e da fome, em todo o mundo.