quinta-feira, 14 de maio de 2026

Trump e Rubio voltam a atacar Cuba

 Extraído e traduzido do link: https://prensaobrera.com/internacionales/trump-y-rubio-vuelven-a-la-carga-contra-cuba


No dia 14 de maio nos reunimos em frente ao Congresso contra o boicote imperialista criminoso, organizado pelo Comitê Independente de Trabalhadores e Estudantes de Solidariedade com Cuba.


Nova onda de ameaças contra Cuba

Por Luis Brunetto

Uma nova onda de ameaças contra Cuba foi lançada pelo governo dos Estados Unidos por meio do Secretário de Estado, Marco Rubio. Essa série de declarações surge em meio a rumores cada vez mais fortes de que ele é a provável escolha de Donald Trump para sucedê-lo em 2028, dentre uma lista restrita de potenciais candidatos republicanos que também inclui o Vice-Presidente, JD Vance, e o agora desacreditado, mas ainda não totalmente descartado, Secretário de Defesa, Pete Hegseth. Nascido em Miami em 1971, em uma família gusana (vermes contrarrevolucionários que fugiram pra Miami da Revolução Cubana) a questão cubana é para Rubio tanto uma parte central de sua agenda, quanto um motivo condutor de sua propaganda.

Desde o sequestro de Nicolás Maduro na Venezuela, Trump e Rubio impuseram ao governo fantoche de Delcy Rodríguez o corte do fornecimento de petróleo à ilha, proibindo efetivamente o mundo inteiro de enviar combustível sob ameaça de retaliação. Em 29 de janeiro, foi assinado um decreto que permite aos Estados Unidos impor tarifas e sanções a países que enviam petróleo ou derivados, e em 1º de maio, Trump assinou uma ordem executiva ampliando as sanções a bancos e empresas estrangeiras que financiam remessas de combustível para Cuba, e impondo sanções diretas ao conglomerado econômico estatal GAESA e à produtora de níquel MOA. “A apenas 145 quilômetros do território dos EUA, o regime cubano levou a ilha à ruína e a transformou em uma plataforma para operações estrangeiras de inteligência, militares e terroristas”, afirma a ordem executiva.

Não são apenas governos fantoches dos EUA, como o da Venezuela ou o da Argentina de Milei, que estão cumprindo essa ordem da administração Trump. Governos "progressistas" na América Latina também se submeteram a essa imposição. Claudia Sheinbaum suspendeu as exportações mexicanas, que chegariam a cerca de 15.000 barris por dia até 2025, o equivalente a quase US$ 500 milhões. No ano passado, segundo o Financial Times, o México ultrapassou a Venezuela como principal fornecedor de petróleo para Cuba. Nem o Brasil de Lula, o nono maior produtor mundial de petróleo bruto, nem a Colômbia de Gustavo Petro ousaram desafiar a proibição de Trump, e Putin enviou apenas um carregamento com 700.000 barris, o que, considerando a produção interna do país de 35.000 barris por dia e seu consumo de cerca de 150.000 barris, era suficiente apenas para seis dias.

Após seu encontro com Trump na Casa Branca na quinta-feira, 07 de abril , Lula afirmou que o presidente americano descartou uma invasão de Cuba durante a conversa. No entanto, como se pode ver no vídeo de sua coletiva de imprensa, ele também não confirmou as declarações de Trump: "Foi o que disse o intérprete", declarou cautelosamente. Além disso, o presidente brasileiro ofereceu a Trump sua ajuda para facilitar as negociações com Cuba, "que quer conversar", numa oferta virtual de mediação. Mas Cuba não precisa de um mediador; precisa do fim do bloqueio, agora agravado pela proibição global de exportação de petróleo — uma situação que o próprio Brasil poderia, no mínimo, amenizar.

As razões imediatas pelas quais Sheinbaum e Lula cederam a Trump estão diretamente relacionadas à natureza capitalista de seus governos. O México está prestes a renegociar o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA), no qual Trump pretende impor condições extremamente severas ao país. Enquanto isso, no Brasil, o governo Lula manifestou preocupação com possíveis quedas no valor das ações da Petrobras em Wall Street. Nenhum dos dois países sequer cogita uma abordagem de confronto com o imperialismo estadunidense em seus próprios territórios e, portanto, tampouco consideram promover uma política genuína de solidariedade anti-imperialista, que é justamente o que Cuba precisa.

Embora o governo cubano e a burocracia cubana tenham reconhecido publicamente as negociações em março, as conversas entre a burocracia cubana e o governo dos EUA já duram meses. Em meados de março, o New York Times noticiou que Rubio exigia a renúncia do presidente cubano Miguel Díaz-Canel para que as negociações pudessem continuar, uma alegação posteriormente negada pelo próprio Secretário de Estado. No entanto, o conteúdo desta nova onda de ameaças de Rubio parece confirmar a versão anterior sobre a disposição dos EUA em forçar a saída de Díaz-Canel como condição para a continuidade das negociações: "Esse modelo econômico não funciona, e quem está no poder não consegue consertá-lo", afirmou Rubio. "A única coisa pior que um comunista é um comunista incompetente", acrescentou, em alusão direta a Díaz-Canel.

Apesar de o governo cubano ter aprofundado reformas capitalistas cada vez mais impopulares desde pelo menos 2021 — reformas que explicam protestos populares como os de 11 de julho daquele ano — a opção militar permanece em aberto para o imperialismo. Numa escalada da pressão militar sobre Cuba, antecipando uma possível invasão futura, Rubio posou para uma fotografia ao lado do chefe do Comando Sul (SouthCom), General Francis Donovan, com um mapa de Cuba ao fundo. Por ocasião da assinatura da ordem executiva em 1º de maio, Trump disse: “Talvez, no nosso regresso do Irã, quando terminarmos essa missão, interceptemos o porta-aviões Abraham Lincoln, o porta-aviões mais bonito que já vi. Interrompê-lo-emos a algumas centenas de metros da costa [de Cuba]”.

Pela mobilização da classe trabalhadora latino-americana em defesa do povo trabalhador de Cuba

É evidente que a passividade promovida por progressistas como Lula, com suas declarações “tranquilizadoras” sobre as intenções de Trump, não só é contraproducente, como serve ao objetivo imperialista de paralisar a organização da luta popular em defesa de Cuba. O conselho de Che Guevara é particularmente pertinente aqui: “Não se deve confiar no imperialismo nem um pouco”. A paralisia promovida por Lula, Sheinbaum e Petro espelha-se na das organizações políticas do conglomerado progressista e nacionalista burguês latino-americano, que não exerceu nenhuma pressão sobre esses governos para exigir o fornecimento de petróleo. Na Argentina, o peronismo, em suas diversas formas, permaneceu em completo silêncio diante dessa tremenda ofensiva do imperialismo ianque contra Cuba.

Em contrapartida, em setores do sindicalismo combativo e na esquerda independente dos governos progressistas, principalmente na FIT-Unidad (Frente de Esquerda dos Trabalhadores - Unidade), começam a surgir iniciativas de solidariedade operária e popular. No Brasil, o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (SindiPetroRJ) lidera uma campanha contra o envio de petróleo brasileiro para Israel e a favor do fornecimento a Cuba. Essa iniciativa deve ser apoiada, divulgada e replicada em todo o continente. Em nosso país, nosso partido, juntamente com organizações de piquete, grupos estudantis, organizações de direitos humanos, os partidos da coalizão FIT-Unidad e a esquerda em geral, criou o Comitê Independente de Solidariedade Operário-Estudantil com Cuba. Esse comitê realizará uma manifestação na próxima quinta-feira, dia 14, na Praça do Congreso, e planeja arrecadações comunitárias para enviar ajuda direta aos trabalhadores cubanos.

Esse caminho — a luta organizada de organizações populares que não se alinham à burocracia cubana — é o único que pode pavimentar o caminho para a luta dos povos da América Latina contra as tentativas do imperialismo estadunidense de recolonizar Cuba.