domingo, 22 de outubro de 2023

ELEIÇÕES NA ARGENTINA


A crise do capitalismo na Argentina criou um caos social. O país está mergulhado numa dívida externa com o FMI; tem hiperinflação, desemprego e índices de pobreza nunca vistos.

Os  dois grupos políticos que se intercambiam no poder: o peronismo e o macrismo, esgotaram as condições de vida das massas desesperadas.  O país está à beira de uma verdadeira tormenta, mas a esquerda, que é importante, não consegue capitalizar este descontentamento. Neste rio revolto é que aparece a figura de Milei.

A ultradireita argentina representada nestas eleições por Milei e Bullrich querem atacar ainda mais as conquistas sociais e erradicar a consciência política de boa parte da população que se mobiliza contra os militares e contra os planos econômicos.

Massa, o representante do peronismo atua como uma espécie de saída organizada da burguesia frente àaventura que representa Milei.

Milei é um Bolsonaro “feito na Argentina”, um personagem que fala de acabar com a casta política, mas que busca uma frente com setores da burocracia sindical peronista como Luis Barrionuevo e com setores do macrismo.

As eleições para os setores da esquerda marxista são um episódio na luta pela conquista do poder. Elas servem para divulgar as ideias, medir sua influência e utilizar o parlamento burguês para agitar e propagandear um programa e uma política revolucionária, mas a luta real é nas ruas e na organização política.

Hoje, 22 de outubro, as correntes “Política Revolucionária” e o “Agrupamento Tribuna Classista” do Brasil se pronunciam a favor do voto pela “Frente de Izquierda Unidad” e alertam que uma vitória do Milei pode desencadear um caos similar ao que Bolsonaro fez no Brasil nos quatro anos de seu governo, do mesmo modo que Massa e a direita macrista darão continuidade aos ataques mais profundos que já realizaram e seguem realizando em seus governos que se sucederam. Entre as 4 candidaturas, existe uma alternativa dos trabalhadores.


Por isso:

Viva a luta da FITU! Fora Milei! POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES

domingo, 15 de outubro de 2023

DIA 15 DE OUTUBRO, DIA DO PROFESSOR, DEVE SER UM DIA DE LUTA, NÃO DE COMEMORAÇÃO, PORQUE A MAIORIA DOS PROFESSORES NÃO POSSUI NENHUM MOTIVO PRA COMEMORAR

 


Viegas Fernandes da Costa, Professor

A maior parte dos professores que conheço (e me incluo nesta observação) já pensou em desistir da profissão. Muitos o fizeram. Excelentes profissionais da educação que por força do mundo real enveredaram por outras atividades. Outros tantos adoeceram, desanimaram, esvaíram-se das vontades. Alguns ainda persistem saudáveis, física e mentalmente, mas não são regra. No Brasil (assim como em tantos outros países) professor engrossa as estatísticas dos sofredores psíquicos. Por isso, a cada dia 15 de outubro, as eventuais manifestações de apreço e reconhecimento aos professores são como um pequeno refrigério, porém, ao mesmo tempo, angustiam. Porque a mesma sociedade que uma vez por ano agradece seus profissionais da educação, que faz reportagens louvando a dedicação e desprendimento dos seus professores, é aquela que chama de vagabundos aos educadores que lutam por melhores condições de trabalho e de vida, que os persegue por meio de movimentos criminosos como o da tal "escola sem partido", que repete irresponsavelmente que professores são privilegiados com a regalia de gozar férias por 45 dias, que acredita e insiste na tese de que o magistério não passa de vocação e sacerdócio. A mesma sociedade que solta balões e multiplica cartões virtuais no dia 15 de outubro é aquela que insiste em não compreender as especificidades da profissão do magistério e pensa que um professor tem que estar 40 horas semanais dentro da sala de aula com turmas que superam 30 alunos. 

Não haverá valorização da educação sem a valorização do profissional da educação, sem a valorização do professor. E a valorização não pode se limitar a uma homenagem no dia 15 de outubro. Se você realmente reconhece a importância do professor na construção de uma sociedade mais justa e capacitada para refletir a respeito dos seus problemas e buscar soluções para os mesmos, vá para a rua, lute, defenda a educação pública e exija condições de trabalho e de vida para seus profissionais. No contrário, o 15 de outubro será apenas mais uma data em que exercitaremos o estéril afago da piedade.



sábado, 14 de outubro de 2023

Por uma frente única internacionalista dos trabalhadores contra a guerra imperialista!


 Vide link: https://prensaobrera.com/internacionales/por-un-frente-unico-internacionalista-de-los-trabajadores-contra-la-guerra-imperialista

Versão final do Partido Obrero da Argentina, da Tendencia Internacionalista Revolucionaria da Itália, do Polo Obrero da Argentina e do SI COBAS da Itália, com base em intercâmbios e alterações em conjunto com outras organizações internacionalistas. O debate sobre o texto terminou em 4 de outubro.

A guerra na Ucrânia já dura quase 500 dias e não existem perspectivas imediatas para a sua cessação. O número de mortos e feridos ultrapassa meio milhão. É uma das guerras mais sangrentas desde a Segunda Guerra Mundial.

E a perspectiva é que isso se agrave. A recente Conferência da OTAN, realizada em Vilna, adotou medidas drásticas para desenvolver plenamente o caminho da guerra contra a Rússia e a perspectiva direta de confronto com a China. A Conferência militarista contou com a presença de países da Ásia (Japão, Coreia, etc.) e da Austrália, comprometendo-se não só com o envio de armas à Ucrânia para continuar a carnificina bélica, mas também com uma escalada militar contra a China.

Tudo isto confirma que na Ucrânia não há intervenção militar a favor da democracia e da autodeterminação nacional. O governo de Zelensky atua como um peão da OTAN. O povo ucraniano é usado como bucha de canhão para os interesses do imperialismo ocidental.

No outro lado da trincheira, a invasão militar da Rússia nada tem a ver com a luta dos povos contra o imperialismo. Putin é o chefe de um governo oligárquico de capitalistas, que procura estender o seu domínio não apenas às massas trabalhadoras russas, mas também aos seus vizinhos. A Rússia, como potência militar, atua como um Estado opressor não só do povo russo, mas também de numerosos povos, especialmente daqueles que a rodeiam, como evidenciado pela guerra contra a Chechenia e pela colaboração do exército de Putin na repressão do proletariado e rebelião popular no Cazaquistão. Além disso, a crescente presença econômica, política e militar russa na África e no  Oriente Médio revela que a burguesia russa não está apenas interessada em proteger as suas fronteiras e recuperar o espaço que outrora pertenceu à URSS, mas é um “ator” no mercado mundial em todos os sentidos.

O desenvolvimento da guerra deixou claro que os principais inimigos dos trabalhadores ucranianos e russos estão nos seus respectivos países.

Esta é uma guerra imperialista de ambos os lados. Os trabalhadores e soldados da Ucrânia e da Rússia são vítimas da carnificina imperialista, baseada nos interesses predatórios de ambos os lados concorrentes.

A guerra entre a OTAN e a Rússia ameaça espalhar-se sem cessar, tornando-se uma guerra atômica global aberta. A sabotagem e os ataques aéreos organizados pelo Ocidente já levaram a guerra ao território russo. A retaguarda das forças pró-OTAN em países como a Polônia e as forças russas na Bielorrússia dão a indicação de que a guerra poderá incorporar mais países a qualquer momento. A tendência para a guerra responde a uma razão subjacente. É um produto direto da crise estrutural do capitalismo que leva ao aumento das rivalidades inter-imperialistas, a maiores disputas entre corporações capitalistas, a choques e enfrentamentos, incluindo militares, entre Estados. Da junção chino-norte-americana que existiu durante as três primeiras décadas do século XXI, passamos, a partir de 2018, para uma guerra comercial entre os EUA e a China, um processo de deslocalização de cadeias de abastecimento e uma forte escalada de guerra – devido à mudança no equilíbrio de poder entre as antigas e as novas potências capitalistas. As tensões militares na África, que têm por trás os mesmos confrontos internacionais, mostram a responsabilidade das grandes potências capitalistas por trás do levante militarista no mundo.

O esgotamento do sistema capitalista, que é evidente nas crescentes crises econômicas e que nos leva a uma nova recessão global, é um fator fundamental que empurra a guerra porque cada entidade capitalista (grandes empresas, estados) tenta descarregar a crise nas costas de seus concorrentes e especialmente sobre as massas trabalhadoras. Segundo um relatório do banco Credit Suisse que acaba de ser publicado, a polarização econômica e social continua a crescer. 1,2% de uma população milionária monopoliza 48% da riqueza mundial, enquanto 2,8 mil milhões de habitantes apenas têm acesso a 1,1% da riqueza, condenando centenas de milhares à miséria e à fome.

Os governos imperialistas votam orçamentos de guerra com aumentos acentuados nas despesas militares, ao mesmo tempo que cortam os investimentos sociais e promovem planos de austeridade severos. A inflação está corroendo os salários. Os governos têm desenvolvido uma ofensiva contra as aposentadorias para acabar com elas e estabelecer um sistema de subsídios à indigência, ignorando os direitos dos trabalhadores. As taxas dos serviços públicos aumentam, a educação e a saúde pública são privatizadas.

Isto leva – e levará mais a cada dia – à resistência das massas exploradas contra os ataques das suas burguesias e governos, em defesa das suas condições de vida, contra a barbárie capitalista. As greves dos trabalhadores e as revoltas em massa são o panorama em desenvolvimento.

Até agora, não houve mobilização de massas contra a guerra imperialista. O contraste é claro se o compararmos com as mobilizações internacionais do passado contra a guerra do Iraque e outras ações desenvolvidas por ocasião das cúpulas da OTAN e do G7. A razão é que a esquerda se alinhou principalmente por trás de um lado reacionário ou de outro, enquanto a classe trabalhadora sofre os golpes dos ataques capitalistas também devido à ausência de uma liderança revolucionária.

De momento, os protestos limitaram-se a diversas ações isoladas: trabalhadores portuários nos EUA, Itália e outros que se recusaram a portar armas que seriam utilizadas na guerra contra os seus irmãos trabalhadores noutros países. Exigimos também o direito de mobilização contra a guerra na Ucrânia e na Rússia, que tem sido brutalmente perseguida pelos governos de Kiev e de Moscou.

Apelamos a provocar uma virada de 180 graus e a promover uma grande mobilização internacional. O ponto de partida é defender uma política independente de ambos os lados.

Uma sessão plenária de organizações sindicais, sindicais e políticas na Itália convocou - no quadro de um plano de luta nacional - um dia de mobilização na base militar de Ghedi, instalada na Bréscia, para unir a reivindicação contra o imperialismo italiano à luta contra a OTAN, que também terá lugar no mesmo dia nas bases da Aliança Atlântica na Toscana e na Sicília, para sábado, 21 de outubro. Sob o lema “O principal inimigo está no nosso país”, estes trabalhadores e organizações de esquerda mobilizam-se em primeiro lugar contra a sua burguesia imperialista.

Consideramos este dia, e em particular a manifestação em Ghedi, como um primeiro passo para uma mobilização internacional contra a guerra na Ucrânia e todas as guerras do capital em curso. Vamos trabalhar para criar uma coordenação internacional de todas as forças que partilham a nossa oposição proletária e internacionalista à guerra e estabelecer uma Frente Única contra a guerra e os ajustes capitalistas contra as massas. Trabalhemos juntos imediatamente para organizar um primeiro dia de luta internacional contra a guerra imperialista.

Abaixo os orçamentos de guerra e os rearmamentos militares. Abaixo as sanções ocidentais à Rússia que matam de fome o povo russo. Liberdade para presos políticos anti-guerra na Rússia e na Ucrânia. Pela plena liberdade política e sindical na Ucrânia e na Rússia. Abaixo as leis e perseguições anticomunistas.

Aumentos nos investimentos sociais (educação, saúde, habitação) para as massas trabalhadoras. Recuperação do sistema de aposentadoria dos trabalhadores. Aumentos nos salários que compensam automaticamente a escassez capitalista. Basta de trabalho precário, defesa dos direitos trabalhistas e negociação coletiva.

Guerra à guerra! Abaixo a guerra imperialista! Dissolução da OTAN, retirada das tropas russas da Ucrânia. Abaixo os governos responsáveis ​​pela guerra de ambos os lados. Pela unidade internacional dos trabalhadores. Confraternização entre trabalhadores e soldados ucranianos e russos para pôr fim a esta guerra reacionária e impor uma verdadeira paz que só os governos dos trabalhadores podem alcançar.

Trabalhadores do mundo uni-vos!


PELO FIM DOS BOMBARDEIOS NA FAIXA DE GAZA


Vide link: https://prensaobrera.com/internacionales/cese-de-los-bombardeos-a-gaza


Pablo Heller


 

Abaixo o Estado genocida de Israel!

Todo apoio ao povo palestino!


A retaliação do governo israelita foi brutal. O governo israelita está bombardeando a Faixa de Gaza e o seu Ministro da Defesa acaba de informar que vão cortar a eletricidade, os alimentos, a água e o combustível. Até agora, os ataques sionistas deixaram mais de 500 palestinos mortos (incluindo mais de 80 crianças) e aproximadamente 2.700 feridos.

O governo dos Estados Unidos anunciou o envio de navios, aviões de combate e um porta-aviões para o Mediterrâneo oriental, para apoiar Israel na sua ofensiva contra o povo palestino.

É claro que não há comparação possível entre o poder de fogo de ambos os lados. Netanyahu declarou “estado de guerra”, que apenas prevê um extermínio. Netanyahu prometeu deixar a Faixa de Gaza, com 43 quilómetros de comprimento e 10 quilómetros de largura, “em ruínas”, dizendo à sua população cativa para “sair”, embora saiba que não o podem fazer.

Israel mobilizou quatro divisões de tropas, bem como tanques, para a fronteira de Gaza, juntando-se aos 31 batalhões já presentes na área, o que é um sinal bastante plausível de que haverá uma incursão terrestre.

48 horas após a operação levada a cabo pelo Hamas, o exército israelita recuperou o controle da zona fronteiriça. Haveria pelo menos 900 mortos identificados do lado israelense e 2.000 feridos. A captura de reféns, anunciada pelos representantes do Hamas, tem como objectivo trocá-los por prisioneiros palestinos que são mantidos em cativeiro, em alguns casos durante anos, em condições humilhantes e sujeitos a humilhações permanentes.


Um regime de apartheid e limpeza étnica

É impossível compreender a ação militar palestina sem a agressão que o povo palestino vem sofrendo . A orientação estratégica do governo israelita é anexar a Cisjordânia e fazer de Jerusalém a capital do Estado.

Com base no que aqui apontamos, a acusação de anti-semitas contra todos aqueles que se opõem e confrontam o Estado de Israel e se solidarizam com o povo palestino é hipocrisia e perfídia. O Estado Sionista é um regime de expulsão e limpeza étnica contra o povo palestino, o que traz à mente as tentativas de consagração de uma raça superior, que foi uma das bandeiras supremacistas agitadas pelo nazismo e outras experiências dessa natureza ao longo da história contemporânea. Agora, promovida pelos próprios círculos governamentais, pretende-se avançar para consagrar Israel como um Estado Judeu e dar-lhe estatuto constitucional. Neste contexto, a reação do gueto palestino contra um opressor armado até aos dentes evoca o exemplo da revolta dos prisioneiros judeus no gueto de Varsóvia em 1943.

A burguesia e os seus governos que proclamam abraçar a democracia não têm escrúpulos em aliar-se aos apologistas de Hitler. O governo alemão apoia os esforços dos intelectuais de direita para justificar e minimizar os crimes do regime nazi. Há menos de duas semanas, todo o Parlamento canadense, juntamente com o primeiro-ministro Trudeau e o embaixador alemão, aplaudiram de pé Yaroslav Hunka, um antigo membro da Waffen-SS nazi, que participou no massacre de judeus no Holocausto. Já para não falar do batalhão Azov, hoje integrado no governo Zelensky, cujos contatos estreitos com organizações neonazis são conhecidos. A utilização de elementos por essa força política como a suástica celta e a figura do anjo lobo, emblemas das tropas SS hitleristas, falam por si só da sua filiação.

Hoje, o regime sionista e o Ocidente rasgam as suas roupas contra a natureza retrógrada e confessional do Hamas e classificam-no como terrorista, mas promoveram-no e encorajaram-no no passado, quando lhes convinha enfraquecer a Organização de Libertação da época. (OLP), caracterizada por ser uma organização secular.

Panela de pressão

Não deveríamos ficar surpreendidos pelo fato de, nestas condições, tanto Gaza como a Cisjordânia terem virada uma panela de pressão. A raiva e o ódio são sentidos em todas as camadas da população palestina, mas especialmente nas fileiras da juventude. A nova geração é a que mais reage contra esta situação humilhante e não só questiona o governo israelita, mas também coloca um dedo acusador contra a política contemporizadora e colaborativa da liderança palestina. O questionamento não é apenas dirigido a Mohamed Abas, presidente da Autoridade Palestina, mas também se estendeu ao próprio Hamas, que há muito havia decidido um apaziguamento e um modus vivendi com o sionismo. A direção tomada pelo Hamas nesta última operação tem provavelmente a ver com o estado de espírito prevalecente que descrevemos.

É importante notar que o Presidente Abas governa há 14 anos sem eleições para renovação de cargos, de tal forma que perdeu toda a legitimidade. As autoridades palestinas são fantoches do regime sionista e o Estado Palestino é visto pela população como uma impostura.

“Mais de 56%, numa pesquisa realizada, apoiam o regresso a uma intifada ou revolta contra Israel. No ano passado, numerosos novos grupos militantes surgiram nas cidades de Nablus e Junin, no norte da Cisjordânia, desafiando a legitimidade das forças de segurança da Autoridade Palestina” (BBC News, 4 / 7).

Perspectivas

Netanyahu abriu o guarda-chuva: “Estamos embarcando numa guerra longa e difícil que nos foi imposta por um ataque assassino do Hamas”. Ele alertou que uma fase ofensiva continuará “sem limitações ou tréguas” até que a “segurança” seja restaurada aos israelenses. Não podemos escapar ao fato de que o Presidente israelita, Isaac Herzog, pretende aproveitar esta nova cruzada como um disfarce para contrariar a grave crise política aberta pela reforma judicial de Netanyahu. Para já, a oposição ofereceu ao chefe de Estado um governo de “concentração nacional”, figura que está prevista para momentos de emergência no país e que já foi posta em prática em experiências passadas. A atual oferta da oposição funciona como uma tábua de salvação para um governo atingido pelas tensões internas que abalaram o país.

Contudo, a nova escalada, incluindo uma eventual incursão militar, não será capaz de desarmar esta bomba-relógio como não foi capaz de fazer no passado. Tenhamos em mente que já houve quatro invasões anteriores a Gaza. O que está na base disto é a inviabilidade histórica de um Estado que é sustentado por um regime de desapropriação das suas terras e de limpeza étnica contra os palestinos. Tal regime só pode ser sustentado com base num sistema de guerra permanente e que atinge limites intransponíveis e é a fonte para a rebelião palestina ser recriada continuamente ao longo destes 75 anos.

É claro que este estado de guerra permanente tem o seu preço e continua a infiltrar-se no regime sionista, apesar do fato de o que prevalece entre a maioria das correntes da vida política israelita ser uma hostilidade à luta do povo palestino. O fracasso da sofisticada defesa israelita e dos serviços de inteligência do Mossad, dos Estados Unidos e do imperialismo em detectar a iminência desta grande operação militar das organizações palestinas não escapou aos círculos do poder. A intenção de anexar diretamente os territórios ocupados da Cisjordânia, consagrar um “Estado Hebreu” e até abandonar formalmente a política de dois Estados causou uma divisão interna em Israel que se estende aos países imperialistas. Esta fissura atinge as próprias forças armadas israelitas e há queixas de que a agitação que prevalece dentro delas minou os rigorosos mecanismos de vigilância.

Teremos também que ver como isso afeta o cenário regional e mundial, que é extremamente agitado e convulsivo, e onde estão na superfície os confrontos entre Estados, as guerras e as revoltas populares. Acaba de ocorrer um confronto armado na fronteira entre o norte de Israel e o Líbano. Israel disparou uma série de ataques de artilharia no sul do Líbano no domingo, depois que o Hezbollah atacou três posições militares israelenses na disputada área das Fazendas Shebaa. Uma invasão de Gaza poderia abrir uma segunda frente que teria como protagonista o Hezbollah, que já em 2006 infligiu uma derrota ao poderoso exército sionista. Mas também poderá quebrar o delicado xadrez regional que tem sido tecido nos últimos anos e que conta com a bênção de Washington para a normalização das relações entre os países árabes e Israel. O primeiro sintoma é que o acordo que a Arábia Saudita estava prestes a assinar com o governo sionista foi adiado, reproduzindo os acordos já assinados pelos Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Bahrein.

Um parágrafo especial merece a posição de apoio a favor de Israel assumida por Alberto Fernández, Sergio Massa, Patricia Bullrich e Javier Milei. Não há “brecha” no apoio ao Estado genocida de Israel.

Apelamos à promoção da mobilização na Argentina e internacionalmente em solidariedade com a resistência heróica do povo palestino. É sabido que o Partido Obrero não partilha a estratégia do Hamas. Como socialistas, denunciamos a natureza confessional da sua política e do sistema estatal com o qual pretendem governar a Faixa de Gaza, os seus laços com a organização nacionalista da Irmandade Muçulmana e o seu apoio ao regime teocrático do Irã e  do regime reacionário de Erdogan na Turquia. Mas, independentemente das nossas sérias diferenças, estamos perante um golpe contra o sionismo e o imperialismo que o sustenta.

Defendemos incondicionalmente o direito à rebelião do povo palestino com os meios que estiverem à sua disposição para enfrentar este verdadeiro genocídio.

Abaixo o Estado Sionista e os crimes da ocupação israelita. Pelo direito de retorno da população palestina. Por uma Palestina única, secular e socialista, como parte de uma federação socialista dos povos do Médio Oriente.