quarta-feira, 9 de agosto de 2017

HÁ CEM ANOS DA REVOLUÇÃO RUSSA




 



Jorge Altamira
O Partido Obrero considera-se herdeiro da Revolução Russa, mas quando a aborda não é glorificando-a ou tendo um posicionamento de apologia à mesma, mas sim do ponto de vista crítico, que em última instância é a melhor forma de glorificá-la. Refletindo politicamente, portanto, no interior do partido e não simplesmente repetindo o que muita gente disse no passado e que deve ser superado constantemente.

 O primeiro ponto a ser assinalado é em que consiste a atualidade dessa revolução, porque descobrindo essa atualidade se produzirá um interesse. Algo que ocorreu há cem anos pode ter vigência? O que significa estarmos próximos à tomada do Palácio de Inverno, como afirmou CFK em uma ocasião de uma ocupação de fábrica na Grande Buenos Aires. Este é o ponto de partida, porque o Palácio de Inverno foi tomado há cem anos atrás. Por que a preocupação com algo que ocorreu há cem anos? Por que não se preocupar com os problemas atuais?

A própria burguesia tem consciência que nos movimentos da classe trabalhadora está presente a Revolução de Outubro; a estação final vitoriosa, emancipadora de qualquer luta de classes da juventude, da mulher, dos trabalhadores. Este é o cerne da questão.

Em primeiro lugar, a Revolução Russa é uma revolução de caráter universal em um sentido inédito na História. Não é uma revolução nacional, não é como a Revolução de Maio na Argentina, que emancipou as Províncias Unidas e eventualmente ao conjunto da América de língua espanhola, mas de raízes indígenas, do jugo espanhol.  A eclosão da Revolução Russa e a vitória em outubro provocaram na humanidade inteira a sensação, a convicção de que se iniciava o caminho da emancipação do homem pelo homem. Isso não é russo, é francês, peruano, etc. de caráter universal. Foi universal no sentido em que acabou com toda a diferenciação social e elevou a humanidade produtiva não parasitária em seu conjunto à categoria real de sujeito da História. Um fenômeno destas características sempre tem vigência. Como não vai ter vigência o começo da realização prática da emancipação do homem? Porque, em definitivo, quantos pensadores não pensaram na emancipação do homem? E nesse sentido, foram precursores, que na essência das pessoas, está a liberdade e a emancipação da exploração, mas tudo o que puderam fazer, e lhes agradecemos e reconhecemos, foi pensá-la. A Revolução de Outubro foi a ação prática concreta dessa emancipação, porque os operários e os camponeses derrotaram a burguesia, tomaram o poder e iniciaram a construção de uma nova sociedade. A utopia pensada passou a ser História em movimento.

A partir de um ponto de vista prático podemos vê-la de outra maneira. A classe operária no mundo vinha lutando pela jornada de oito horas, e por outras reivindicações, porque não havia legislação trabalhista, salvo em alguns países. Uma das primeiras medidas da Revolução de Outubro foi estabelecer a jornada de oito horas, e imediatamente a jornada de oito horas foi sendo estabelecida em quase todos os países do mundo. Quer dizer que neste exemplo prático também se vê essa universalidade, no sentido de que o ser humano, ele mesmo, adquire caráter universal, porque consagra a realização prática de aspirações comuns, e não a realização exclusiva de aspirações particulares. Então, a atualidade dessa revolução deriva-se de seu caráter histórico, quer dizer que responde a uma necessidade do próprio desenvolvimento da História, não é um acidente histórico. Não é que a História por um momento se desviou para esse lado, como ocorre, por exemplo, quando votam por alguma alternativa de direita como na Frente para a vitória na Argentina. Poderiam tê-lo votado, poderia ter ganhado, no entanto no país não altera absolutamente nada... É um acidente. A História tem acidentes. A necessidade histórica se manifesta na prática através de uma série de acidentes, como um jogador de basquetebol que arremessa dez vezes na cesta e acerta uma. São acidentes históricos, é muito importante distingui-los da incidência histórica que se manifesta subterraneamente inclusive nos acidentes, como se expressa quando ganha Macri ou quando ganhou Cristina Kichner. Eles fracassaram, quer dizer que houve um acidente. Fracassaram, não mudaram absolutamente nada, não houve transcendência. Vão figurar no rodapé da página de um livro de História secundarista.

Este tema é chave para entendermos o que se passa agora, que somos nós quem vivemos encarregados de fazer nossa própria História, como eles há cem anos se encarregaram de fazer a sua própria.  Quando comparamos com a Revolução Francesa, que foi uma necessidade histórica e foi universal, mas não como a Revolução de Outubro. Falando de coisas nossas, atuais, a Revolução Francesa impactou enormemente na América Latina. Moreno e Castellis estavam imbuídos de todas as ideias da Revolução Francesa, mas impactou também no Haiti, colônia francesa, aonde pelos ideais que eram erguidos pela revolução, os escravos das plantações de açúcar se levantaram em massa e destruíram o colonialismo e a escravidão e até mandaram um representante a Paris, dizendo: “aqui vem um negro que representa a Revolução Francesa de uma nação escrava!” Desagradou aos franceses, como prova o fato de que foi enviada uma frota por Napoleão Bonaparte, e os negros do Haiti a derrotaram e depois afundaram a frota inglesa do Império Britânico no Mar do Caribe. A Revolução Francesa teve esse caráter universal. Mas o que a distinguia da Revolução de Outubro? Que era a expressão universal de um fenômeno que seguia sendo particular. Impactou mundialmente, abriu um novo desenvolvimento histórico, mas para afirmar uma nova forma de exploração, uma nova forma de afirmação de interesses individuais, e portanto do interesse de um contra o outro, porque estabeleceu o capitalismo. A universalidade da Revolução Francesa, então, é abstrata, porque sob o lema ou a etiqueta da universalidade segue afirmando-se, muito mais que antes, o interesse individual. A Revolução de Outubro é a universalidade concreta, porque se encarrega de abolir a oposição de interesses particulares, e no marco de uma ação comum das classes trabalhadoras, elimina a exploração do homem pelo homem e abre o caminho para o desenvolvimento pleno da personalidade única que é inerente a cada pessoa. Isto é muito importante porque a universalidade é a universalidade de um mesmo, que pode relacionar-se com os demais desde o desenvolvimento de sua personalidade com relação ao desenvolvimento de outras personalidades.

A Revolução de Outubro vai dominar toda a política mundial desde 1917 até hoje de diversas maneiras. Em primeiro lugar se manifesta no fato de que depois de muitos fracassos, derrotas, burocratização, fascismo e guerra, quando na guerra o fascismo é derrotado explodem as revoluções de novo por todo o mundo. No Vietnam, China, Itália, França, Grécia, Iugoslávia ... a humanidade retoma um caminho. A Revolução de Outubro adquire uma presença definitiva porque o explorador sabe, da mesma maneira que o explorado, que se estabeleceu uma rota política para a classe trabalhadora. O operário disse: “Aonde vou nesta vida?” A Revolução de Outubro lhe apontou o caminho. O patrão ou o monopolista dizem: “O que pode me preocupar? É que a pessoa que eu exploro sabe que existe um caminho. Já suspeitava, não vinha lutar pela primeira vez em 1917, lutava constantemente, havia feito experiências audazes, por exemplo: a Comuna de Paris, importante mas durou dois meses, e agora tinha um objetivo , que o realizavam milhões de pessoas, e que não o faziam em nome de um interesse nacional. Não diziam “Rússia frente aos demais”, e a mesma Rússia não era uma Rússia, porque sob o czarismo, viviam muitas nacionalidades oprimidas, sob o império do czar, então porque chamar russa a uma revolução que deu a liberdade aos georgianos, azerbaijões, kazaquistaneses, aos finlandeses, aos ucranianos ...? Era a emancipadora de outras nações. Não ia se impor em outras nações. 

Na Ásia, a Revolução de Outubro não aboliu a sharia, a lei islâmica que submete a mulher ao homem, e isto significou um dos atos mais agudos da revolução pelo seguinte: a Rússia oprimiu esses povos sob o tacão do czarismo, e se os revolucionários abolissem seus costumes, eles diriam: “agora vem outro opressor; antes era o czar, e agora são os comunistas, são os bolcheviques.” Primeiro, tem-se que ganhar a confiança desses povos e respeitar seus costumes. Uma vez que cheguem a um entendimento de que os objetivos são comuns, explica-se que esta lei é negativa, porque oprime a mulher, e eles serão ganhos à causa da emancipação feminina, e de outras formas de atraso social. É fabuloso, no sentido de que se compreende a dinâmica da opressão. Não somente não se deve exercer a opressão, como não deve parecer que ela possa existir, e cada povo tem que se emancipar por si mesmo, e cabe a outros mostrar com exemplos, mas não com uma ordem, uma doutrina ...

Tudo o que se passa no Oriente Médio atualmente, o islamismo e os demais, demonstra que não existe uma direção política socialista que tenha uma clara compreensão de como se leva esses povos à sua efetiva emancipação, em lugar de submetê-los a uma nova opressão ou à imagem dessa opressão, porque também com a etiqueta de comunista se pode oprimir outros povos. A liberação da opressão é uma prática dessa liberação da opressão. Não quer dizer porque se alguém tem um ideal já possa ser autorizado a indicar a outros como podem se libertarem.

As revoluções burguesas tiveram um caráter universal, como a revolução francesa. Criaram um mercado mundial, o qual sob o feudalismo não existia. Isso é universal mas abstrato, porque o mercado mundial foi criado sob o interesse individual dos capitalistas da Inglaterra, França, EUA, Alemanha ...  Criava uma separação, não uma universalidade, a saber: a exploração dos operários por parte dos capitalistas. Esta é a razão profunda da atualidade da Revolução de Outubro. A importância que tem uma direção operária em um processo revolucionário, e que somente o processo é revolucionário, é autenticamente socialista se tem uma direção operária. Muitas revoluções que não tiveram uma direção operária foram igualmente socialistas até certo ponto, porque se inseriam ou pretendiam inserir-se no marco histórico da Revolução de Outubro. Por exemplo: expropriavam o capital, buscavam fazer as realizações daquela revolução, e isso é outra manifestação do impacto universal que ela teve. A revolução cubana trouxe a palavra do socialismo e sua perspectiva efetivamente na América Latina. Diferencia-se do chavismo na medida em que o chavismo é uma etiqueta. Não mudou absolutamente nada, mas revolveu autodenominar-se Socialismo do Século XXI. Por si só já é suspeito, porque quer dizer que está rechaçando o Socialismo do Século XX e a Revolução de Outubro. O socialismo do século XXI disse: “a Revolução de Outubro não é atual, temos que fazer outra coisa”. Vejam o estado em que chegou, que o próprio povo está se sublevando, uma parte sob a direção da direita, mas uma parte do povo chavista está se sublevando também, só que, tem advertido, não faz coalizão com a direita. Mas a este governo que aí está já ninguém mais o quer, salvo os que estão na Casa do Governo.

Então se produz um fenômeno extraordinário. Tudo o que vem da política mundial em geral depois da Revolução de Outubro é um gigantesco fenômeno de mediocridade política. Quando se estuda esta revolução o que se vê é que no processo que vai desde sua primeira parte, em fevereiro a outubro, a humanidade, em sete meses, desenvolve o mais alto e profundo processo político. Este é um aspecto fundamental. A nação mais atrasada, oprimida e autocrática da Europa derrota ao czar e toma medidas democráticas de gestão política, em contradição permanente até chegar a outubro, que superam toda a experiência histórica do ocidente em somente sete meses. Quer dizer que o país que vem debaixo de tudo chega acima desenvolvendo uma experiência política implacável que demonstra o esgotamento de todas as formas de democracia burguesa como saída para a Rússia. O que os ianques vão experimentar em 250 anos desde que declararam a independência, o processo político, os franceses e demais, os russos o atravessaram em sete meses. A História se comprimiu, e naturalmente o fez porque tinham a vantagem da experiência dos demais países, então podiam saber quais eram os limites de tal forma política, e estabeleceram em um processo de experiência concreta a forma mais alta, o governo dos trabalhadores, o governo dos conselhos operários. 

O capitalismo introduziu no mundo o que se chama a modernidade. Acabou com tudo o que era subjugação pessoal direta, quebrou o feudalismo, em que o senhor feudal dominava pessoalmente, e estabeleceu um sistema de dominação alienante, ou seja, que impõe um domínio sem que as pessoas se deem conta. Mas se todo mundo vota, a culpa é de quem vota mal? A culpa então não é da Odebrecht, Techint, os militares, Macri, o kirchnerismo ... é de todos nós, socializa-se a culpa. Porque nas entranhas deste regime de dominação existe uma falácia. Todos somos iguais na palavra e desiguais na prática. Então, num domingo votamos a pátria, a bandeira, etc. ... mas quem tem o controle da propriedade, dos recursos dos bancos, da moeda, da dívida externa, do estado, do orçamento, dos impostos, e condicionam tudo o que vamos fazer ... a eles ninguém elegeu. É uma classe social que exerce a sua dominação através de um sistema, que podemos chamá-lo provisoriamente invisível.

Em sete meses, a classe operária e os camponeses russos destruíram o sistema de dominação alienante. Quer dizer, não somente derrotam o czar, que é um autocrata que defende a dominação pessoal, senão que uma vez que o derrubam, na experiência de sete meses derrubam também as formas que vêm depois da dominação do czar, como ocorreu no mundo depois da revolução francesa, inglesa, estadunidense ... veio a democracia. Superam esta fase, em que todos somos iguais que é uma mentira, e estabelecem o governo verdadeiro: o governo dos trabalhadores, o governo dos que estão em uma mesma situação para o interesse comum de todos.

Esta é uma visão crítica da Revolução Russa porque queremos fazer a revolução também, não somente viver dos pergaminhos do avô. Por isso, temos que ver criticamente esse desenvolvimento. Existem dois fatores que aceleraram todos os acontecimentos. O primeiro é a guerra. Os russos não queriam mais a guerra. O czar estava os exterminando, porque os exércitos do czar eram muito fracos, e havia muita corrupção. Os russos morriam, e não queriam mais a guerra. Ao derrotar o czar e estabelecer o governo provisório que em princípio proclamava a democracia burguesa, a primeira coisa que fez o governo foi prometer que ia continuar a guerra. Necessitamos então de duzentos anos de democracia? O governo defendeu a guerra e portanto o interesse nacional particular da Rússia, que se ganhava a guerra, junto à Inglaterra, França e Estados Unidos, tinha prometido um butim de guerra. A democracia desde o debult na Rússia se entrega contra o interesse popular e a favor do interesse capitalista, e somente um partido, tão somente um, disse “paz já!” Esse partido disse que o único que pode concretizar a paz é o governo dos trabalhadores. Como fazer para que a gente governe?  Lênin disse: “expliquemos isto aos trabalhadores, que somente se eles tomarem o poder vai haver a paz, e que ninguém mais irá concedê-la”. Foi visto com desconfiança, mas em abril de 1917, frente a uma declaração do Ministro de Relações Exteriores de que iria continuar a guerra, se produz uma tremenda manifestação e cai o primeiro governo provisório.

A outra questão é que 120 milhões de camponeses queriam a terra, e todos lhes disseram: “sim, lhes daremos a terra, mas calma, não nos apressamos. Primeiro tem que existir uma Assembleia Constituinte”; e quando vai ser a Assembleia Constituinte? “contudo não tem data”. Então, os bolcheviques disseram: “está bem a Assembleia Constituinte, mas quando for convocada, já temos que ter a terra. Assim que vamos tomá-la.” Uma revolução no campo, e como no campo da Rússia haviam muitas classes sociais, esta audaz posição do partido bolchevique uniu a todas as classes sociais do campo à classe operária, sem a qual não haveriam feito a revolução. Então, a democracia burguesa, quando vem um governo mais ou menos progressista promete, mas não cumpre. O governo dos trabalhadores fala menos, mas cumpre mais. O governo direto, não a alienação donde o que parece que é, não é.

O outro motivo é que aparece um partido político que até hoje é o assombro da História, um partido político que de pronto se revela como o mais moderno de toda a História ao entender os fenômenos políticos e dizer à classe operária russa, que é muito pequena, mas muito concentrada, que a única saída é tomar o poder. Porque do contrário vai continuar a guerra, a opressão e todo este esforço vai ser um fracasso. É notável porque esse partido que vai tomar essa posição ingressa na revolução em uma situação de crise. A maioria do partido crê que tem que apoiar o governo burguês e uma minoria encabeçada por Lênin demonstra que não. Esta parte é um capítulo comovente, porque é um dos casos mais profundos de ação política, inédito, insuperável em toda a História, e por isso, a minoria pôde vencer a maioria e abrir caminho a um governo dos trabalhadores.

Toda esta introdução feita tem outra atualidade. A partir de certo momento, a Revolução Russa começou a degenerar, e entramos no stalinismo. O primeiro pronunciamento político do stalinismo é fundamental, e já estamos preparados para entender porque. Proclama que o objetivo da classe operária russa é o socialismo em só país, quer dizer, seu primeiro pronunciamento programático é “nossa revolução não é universal, mas sim particular, da Rússia, de nossos interesses e não dos interesses da totalidade da classe operária mundial.” Daí, a importância da abordagem da primeira parte a partir deste ângulo. Porque para cercear esta revolução há que privá-la do caráter universal. Uma vez que se transforma no fato particular de um país, já começam a desenvolver-se no seio desse país interesses particulares. A burocracia, a dominação por parte da Rússia dos outros Estados que havia liberado a revolução e que são submetidos à dominação da Rússia, que é mais forte e mais povoada que a Geórgia, Azerbaijão, etc. Quer dizer que começa a formar-se uma casta de interesses particulares que disse: “olhem! pode triunfar a revolução na China, mas aí nos metemos em uma guerra. Não façamos aventuras, que matem a todos os chineses, mas nós defendemos o socialismo num só país.” Exatamente ao contrário do que fez a Revolução Russa em 1917, quando explodiram as revoluções de imediato em todo o mundo e saiu em apoio, levando oradores, mandando emissários, para impulsionar a revolução a nível mundial.

De um ponto de vista particular, aos russos não lhes convinha que triunfasse a revolução na Alemanha, porque esta era uma nação industrial muito forte. A partir do ponto de vista particular, a Alemanha socialista dominaria a Rússia socialista. Então, por que Lênin queria a revolução na Alemanha? Porque lhe importavam um caralho os interesses particulares, estava pensando em derrotar ao capitalismo de fundo e estabelecer o socialismo a nível universal. Por exemplo, os EUA possuem uma universalidade que se expressa no nome do país, “Estados Unidos”. Uma certa universalidade. Da América, daqui. Nós vamos unir todos, mas os daqui. O nome que Lênin coloca ao novo Estado não possui conotações nacionais. É União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, todo é universal. Não existem russos, nem nada. Se a Argentina quisesse incorporar-se, seria outra república socialista. Então, o primeiro ato do stalinismo é esse, e é a primeira manifestação digamos no campo da esquerda, do partido russo, da Internacional Comunista, do abandono da perspectiva mundial da Revolução de Outubro. No ano de 1943, Stálin irá dissolver a Internacional Comunista, que se chamava a si mesma Partido Mundial. “Já está, não queremos nenhum partido mundial! Imperialistas, fiquem tranquilos! Não queremos lhes foder! Vocês deixem-nos tranquilos, na Rússia, nós não lhe fodemos em nenhum lado e tudo fica fenomenal.” Naturalmente, um socialismo em um país atrasado, isolado da luta de classes da classe operária mundial, vai ficar em dificuldades, porque os países capitalistas desenvolvidos dominam o mercado mundial, dominam a tecnologia, e no final pela via da pressão econômica vão terminar derrubando o caráter socialista ou futuramente socialista desse Estado.

Depois se produz uma cisão entre os partidos stalinistas, e os partidos italiano e espanhol proclamam abertamente: “A Revolução de Outubro terminou. Nós viemos do comunismo e tudo o mais, mas sejamos modernos, já está, foi um episódio.” É a segunda manifestação, mais direitista todavia, acerca do caráter particular da revolução, e depois no trotskismo, no que em seu momento se chamou Secretariado Unificado da Quarta Internacional, estabeleceu-se que a Revolução de Outubro havia caducado, modificou-se o estatuto que dizia “lutamos por uma ditadura do proletariado”, e depois trocou-se o nome de seu principal partido, e de Liga Comunista Revolucionária passou a chamar-se Novo Partido Anticapitalista.

Então, como se pode ver, no sentido de troca de nomes, o que parecia um ritual religioso, tinha um significado político mortal. Rompemos laços! Aquilo já ocorreu. Nossa corrente política, a corrente do Partido Obrero, baseia inteiramente sua estratégia na vigência da Revolução de Outubro, cem anos depois, e uma vigência que durante seu desenvolvimento mais positivo descobriu o que é o mundo pós moderno, o mundo do governo dos trabalhadores, e com o retrocesso dessa perspectiva pela derrota da classe operária nasceu uma filosofia pós moderna que é a filosofia do individualismo, do egoísmo e do niilismo. Temos então duas variantes do pós modernismo: a Revolução de Outubro, por um lado, e esta decadência monumental do capitalismo, reacionária, que aparece como filosofia atual, e que revela a completa decomposição, no plano teórico, ideológico, da classe capitalista. Não possuem mais uma rota de ação.

Quando Adam Smith escreveu A Riqueza das Nações, disse ao capitalismo: “Esta é tua rota, vamos!” Comércio mundial, mercado mundial, livre, investimento na América Latina, financiamento, e o capitalismo mais ou menos seguiu essa rota. Agora quando se abrem os livros dos Adam Smith de hoje e dizem: “Vejam rapazes, no final vamos estar todos mortos, para que traçarmos uma rota. Vamos vendo cada dia que passa!” Não possuem uma rota. Isto é, no plano teórico, do pensamento, a expressão da completa decadência de uma sociedade. Porque a expressão de que uma sociedade não é decadente, manifesta-se em sua capacidade para oferecer uma rota a essa sociedade, e aqui, a única rota que nós temos é baixar a taxa de investimento por meio da emissão de Lebacs a 24%, algo que os quarenta e quatro milhões de argentinos não sabem nem do que se trata. Deveriam descer do automóvel e desaparecer. Mas isso não vai ocorrer nunca, senão com a ação da classe operária.

A conclusão que se deve sublinhar dessa polêmica é a seguinte: o que representa para um partido operário a Revolução de Outubro? Representa que os capitalistas e os operários sabem que a abolição da exploração do homem pelo homem se dá pela formação de um governo operário. A emancipação da mulher! Todas as leis pelas quais lutam as mulheres argentinas, todas foram aprovadas nos dois primeiros anos da Revolução de Outubro. Suas mãos não vacilaram para firmar tudo o que havia que firmar e fazer o que havia de ser feito. Isto supera tudo o que temos visto nos anos posteriores. Então voltar àquilo seria um avanço. Isto é o que se deve entender para pressentir o momento atual. Deve-se estudar a fundo a Revolução Russa. Quer dizer, a Revolução de Outubro está presente permanentemente como potência, como perspectiva, mas está havendo uma mudança, e é que a burguesia começa a preocupar-se de que provavelmente tenhamos de novo uma Revolução de Outubro. Porque o semanário The Economist, que é a bíblia da burguesia – é tão velho que era lido por Marx ... É meio surrealista citar a mesma revista que Marx disse “se vem o bolchevizaço”; e qual é o objetivo? Que a sociedade capitalista em seu conjunto tem um acontecimento parecido extraordinário com as vésperas da Revolução Russa. E se determinadas causas provocaram determinadas consequências, muito cuidado!

Sem dúvida, não existe partido como o partido bolchevique, mas esta é uma deformação, porque os únicos que sabiam que o partido bolchevique era importante eram os bolcheviques, os demais não, e os bolcheviques pertenciam à Internacional Socialista, que era muito importante, mas ao explodir a guerra cindiu-se, então deixou de ser um fator revolucionário e passou a ser um fator contrarrevolucionário, e para citar Rosa Luxemburgo: “os internacionalistas que estávamos contra a guerra, sentávamos todos em uma poltrona”. Quer dizer, a crise mundial forçou as massas à intervenção. A guerra forçou as massas a uma intervenção que estes que cabiam em um salão a tinham elaborada, com perspectivas, com certezas ... Lênin havia escrito que a guerra ia levar a uma situação revolucionária, os demais se matavam de rir. Aí tem um catastrofista, desses que sempre creem que o mundo entra em colapso. Deve-se moderá-los, não? Quer dizer, os partidos revolucionários tem que ser criados antes da revolução, mas vão se desenvolver como consequência de suas características fundamentais.

A revolução de fevereiro como já se sabe foi iniciada pelas mulheres. Todos os partidos políticos disseram às mulheres que não comemoravam o oito de março mediante uma greve geral porque isso ia ser reprimido pelo czar. Por que as mulheres queriam celebrá-lo com uma greve geral? Porque queriam protestar contra as condições do momento na Rússia. Havia longas filas para comprar pão, grande escassez, e estavam fartas da guerra. Então, a briga das mulheres foi tão intensa depois de escutar a mencheviques, bolcheviques, etc. que disseram “vamos à greve igual”, e o primeiro que fizeram, que aqui todavia não se faz, mas é o que se deve fazer, porque é a chave para que a mulher triunfe, foi ir às fábricas metalúrgicas – elas vinham das fábricas têxteis – e obrigaram os homens a que lhes acompanhassem. Tentaram refletir um pouco, mas se deixaram convencer. Isto provocou o início da greve geral e da revolução.

Por que ressaltar isto? Como interpretar a consciência das mulheres? Como interpretar a consciência dos que as acompanharam? O tema foi inspirado por um debate que vários anos depois vão fazer entre dois dirigentes políticos sobre o que é a consciência política do povo, no qual um vai sustentar uma tese, o outro não vai sustentar nada. Leon Trótsky, em seu estudo da Revolução Russa, disse que o elemento fundamental dinâmico para entender toda a revolução é que se desencadearam as forças elementares das mulheres. Por exemplo, em uma greve de motoristas em Córdoba, uma mulher fala frente à televisão. Era a líder dos motoristas. Disse: “as mulheres da Rússia, os homens atrás ... porque o sindicato dos motoristas seja liderado por uma mulher ...” Segundo, disse: “sou mãe solteira”. Quantas mulheres dizem isto? Não irão declarar que são mães solteiras. Ela sim, e está orgulhosa, e é a líder dos motoristas, militante do Partido Obrero. O mais significativo foi que dissesse que era mãe solteira e que era líder de um sindicato de homens. Depois se produz uma manifestação de mil motoristas em Buenos Aires, “as forças elementares ...”. Quer dizer, nossa classe dá o combate porque já não tem mais nada a perder, e quando alguém não tem nada a perder vai a fundo. As forças elementares que Leon Trótsky assinala em seu livro.

Um líder reformista muitos anos depois disse que a Revolução Russa é um desastre, que foi feita por uma classe operária inconsciente, bárbara e imatura, porque a formação da consciência de classe dos trabalhadores leva muitos anos, e os operários russos não puderam formar isto porque haviam vivido sob uma ditadura. Não havia comícios, sedes ... Quando passassem por tudo isso teriam a consciência para tomar o poder. A pergunta é: o que é a consciência de classe? Não se nega a importância de formar politicamente, aproveita-se o ambiente de democracia para discutir e formar a consciência de classe. Mas falar de forças elementares, a palavra elementar é confusa. Não é uma força inconsciente, é a convicção mais profunda de que esta sociedade não deixa outra saída, senão a revolução. Isso é o que se formou na Rússia. Um fato excepcional. Partindo de uma nula liberdade política, os operários atuaram contudo de forma revolucionária. Foram incentivados pela própria crise política, e já em 1912, o partido bolchevique, nas eleições nacionais que aconteceram, como agora faz Maduro, operários por um lado, burgueses por outro e demais, donde os operários tinham 5% de representação e o clero 2000%, o partido bolchevique tinha ganho folgadamente as eleições entre os operários. Portanto, era o partido operário majoritário na Rússia, através da atividade clandestina. Quer dizer, a Revolução Russa demonstrou a correção da observação de Karl Marx no Manifesto do Partido Comunista, o qual termina dizendo “trabalhadores não possuem nada a perder e sim um mundo a ganhar.” Essa é a consciência revolucionária, e não a consciência acadêmica do trabalhador que se não está a serviço de compreender que a sociedade capitalista é o fechamento de todos os caminhos, não pode modificar nada profundamente.



Tradução a partir de uma transcrição de uma palestra de Jorge Altamira realizada em Mar Del Plata publicada na Revista Polenta.
Ver vídeo: vhttps://www.youtube.com/watch?v=0ksyXmSpKds&index=2&list=PL8r7QyjDw5YtD8ILmjfY4qJUNcfVwOkNV

terça-feira, 8 de agosto de 2017

SOBREVIDA DE TEMER

                                                                               


Alfeu Goulart



Por 263 a 227 votos, a Câmara Federal rejeitou a autorização para investigar o Presidente da República, Michel Temer, por crime comum (propina). A decisão do Congresso corrupto de barrar a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República), após ser absolvido pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral ), em 9 de junho, e ter feito várias manobras para conseguir o apoio necessário para rejeição da denúncia, Temer desviou de duas possibilidades de deixar o poder . Agora vai procurar a qualquer custo votar as “reformas“ tributária e previdenciária e “reconquistar” o mercado financeiro e manter o PSDB a seu lado na “base aliada” do Congresso. A votação dos deputados começou às 9hs e se encerrou pouco antes das 22hs do dia 2 de agosto em Brasília, quando o placar acusou 263 (sim) e 227 (não); eram necessários 342 votos (não) para a continuidade da denúncia apresentada no STF (Superior Tribunal Federal) pelo procurador da República, Rodrigo Janot. A acusação de corrupção passiva tem como base as investigações abertas a partir das delações de executivos da JBS no ambiente da operação Lava Jato. Com o impedimento da continuidade da denúncia, o STF só poderá processar Temer após ele deixar a presidência. A estratégia do governo é encaminhar até o fim de agosto ao Congresso o texto da reforma tributária que tem menos resistência na Câmara e no Senado e, na sequência, em setembro, colocar em votação o maior ataque aos trabalhadores, a saber: o fim da previdência pública, ao passo que para sobreviver às denuncias de propina, uma das medidas de suborno dos deputados de Temer foi comprar a bancada ruralista parcelando (perdão da dívida com a previdência desse setor ), em troca de votos, o REFIS da UDR. Apesar de ter um menores índices de popularidade da História, na casa dos 5%, a votação mostrou que a base do governo pode aprovar as medidas propostas por Temer. Por outro lado, pelos cálculos do Palácio do Planalto , o total de parlamentares governistas caiu de 411 para 370 , após as substituições de deputados na Comissão de Constituição e Justiça. “Além disso, Temer deve enfrentar ainda uma nova acusação da PGR até o final de agosto, por obstrução de justiça, e há ainda a possibilidade de que duas delações em negociação, Lucio Funaro e Eduardo Cunha, atinjam em cheio novamente Temer como no caso do grampo da JBS. Esse cenário não necessariamente será fácil para Temer“. (Jornal Noticias do Dia, Florianópolis, 03 de agosto. )
                                                                             


FRENTE POPULAR

A classe capitalista vem impondo junto com o Planalto uma agenda antioperária e entreguista. Neste clima, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), subordinada ao PT, e em particular Lula, são uma peça-chave da governabilidade, e faz demagogia mediante às massas, iludindo-as com as eleições de outubro de 2018. Estão procurando desarticular qualquer possibilidade de que a caída de Temer sobrevenha em consequência da pressão popular. Há na carpeta um projeto de auto-anistia dirigido a blindar Temer e legisladores envolvidos em escândalos de corrupção, do oficialismo e da oposição; entretanto, a justiça opera em câmara lenta tratando de dilatar uma resolução aos múltiplos casos em pugna .


ELEIÇÕES NO SINTRASEM

Nessa conjuntura aconteceu as eleições para renovação da diretoria do SINTRASEM (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Florianópolis) nos dias dois e três de agosto para o período de 2.017/2.020. Três chapas concorreram, a saber: Chapa um, da atual diretoria (Esquerda Marxista), agora no (PSOL); Chapa dois, do PT (ex-lambertistas do jornal O Trabalho, Unidos vamos à luta ) e a chapa três (Unidade, Democracia e Luta), composição da CSP CONLUTAS e UNIDADE CLASSISTA (velho PCB).

A Esquerda Marxista obteve 1.090 votos (35,7%), desgastada da campanha salarial da data–base de maio e com a derrota na greve da CONCAP, onde um dos três vereadores do PSOL , Renato da Farmácia votou com a bancada do patrão, prefeito Gean Loureiro, na seção que aprovou por um voto de diferença o regime de urgência para tramitação do projeto que transformou a empresa pública em Autarquia (o que abre caminho para a terceirização, precarização e a consequente privatização da empresa pública) , e que pode levar a demissões em massa de operários do setor de limpeza pública em Florianópolis e a consequente privatização. A Chapa da Frente Popular, O Trabalho, fez 1.269 votos (41,6 %) e a chapa três, CSP CONLUTAS (PSTU) e a UNIDADE CLASSISTA, fizeram 693 votos , totalizando 3.052 votos válidos. Nosso agrupamento, Tribuna Classista, apoiou a chapa três, que compuseram os combativos companheiros que defenderam a continuidade da greve na assembleia do dia 30 de janeiro e levou a vitória da greve, quando a direção do sindicato (EM) acompanhada pelo Trabalho propôs encerrar o movimento sob o argumento que a categoria do civil , saúde, assistência e obras já estavam a treze dias na greve e que não havia como esperar até o dia 08/02, quando iniciava o ano letivo para a educação (magistério Municipal ),a continuidade da greve mostrou-se um acerto e unificou a categoria levando-a a fazer a maior numero de dias de greve da historiados dos servidores, e na perspectiva de dar o combate à burocracia da CUT e na luta pela convocação de um Congresso Nacional da Classe Trabalhadora para organizar e unificar a luta dos explorados contra os patrões no pais para derrubar o governo ajustador Temer, que os capitalistas em bancarrota paguem pela crise!. Agora, os servidores públicos de Florianópolis, que protagonizaram a maior greve de sua história, 38 dias, e a verdadeira Guerra que foi a recente greve na CONCAP, farão a experiência de ter à frente de seu sindicato a burocracia oficial da CUT, que freia a luta do conjunto da classe trabalhadora brasileira ao não convocar uma GREVE GERAL , garantindo a governabilidade Temer e o ataque dos golpistas, reforma trabalhista , previdenciária , etc.



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Plenária do Tribuna Classista dia 12/08 em Porto Alegre

                                                                                     


"Às vésperas de completar uma década, a catástrofe mundial do capitalismo ainda nem começou."

Plenária do Tribuna Classista dia 12/08. Travessa do Ouvidor 200 - Partenon - Porto Alegre - 14:30 horas.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

UMA CONTRIBUIÇÃO AO DISSÍDIO BANCÁRIO 2017

                                                                                     




Há quase 10 anos, o mundo é assolado pela crise do capitalismo, que se por um lado ocasiona uma brutal queda nas condições dos trabalhadores, por outro paradoxalmente contribui para que uma consciência de classe seja criada no sentido de terminar com este sistema apodrecido substituindo-o por outro dirigido pelos próprios trabalhadores, sem burguesia – o Socialismo.

Com os trabalhadores bancários, esta luta não é diferente, ano após ano lutamos contra a patronal (banqueiros e Governos) e também contra a burocracia sindical que está sempre pronta para entregar a nossa luta, rebaixando muitas vezes as nossas pequenas conquistas.

Estamos neste ano de 2017 abrindo mais um Dissídio dos Bancários que a burocracia sindical está chamando de Campanha Nacional 2017; ocorre que com o traidor Acordo Bianual de 2016 com o governo golpista de Michel Temer/Henrique Meirelles, que na prática foi uma tentativa de engessar a luta da categoria, um verdadeiro empecilho para que ela possa lutar por reposição salarial, já que desde 2016 o acordo traidor determinou que será a inflação mais 1%; como vemos, é difícil na prática chamar como todos os anos de Campanha Salarial, mesmo com uma defasagem salarial da categoria por volta de 90% nos últimos 20 anos.

Abrindo oficialmente a dita Campanha Nacional 2017 tivemos no dia 10/06 os Encontros Estaduais da Caixa Federal e do Banco do Brasil altamente esvaziados em relação aos anos anteriores. 

De 20 a 23/06 ocorreram as eleições para o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre/RS onde concorreram três chapas; a chapa 1 da burocracia da CUT (Vamos Juntos) que venceu e foi reeleita para um mandato de 03 anos (2017–2020) com 3789 votos ( 57,20% dos votantes); a chapa 2 de oposição (Bancários de base- Muda Sindicato) com 2035 votos( 30,72% dos votantes) e a chapa 3 da oposição (Muda Já) apoiada pelo Tribuna Classista com 800 votos (12,80% dos votantes). A situação (burocracia sindical) obteve na verdade uma vitória de Pirro, pois se somarmos os votos das oposições mais os brancos, nulos e abstenções, praticamente metade da categoria não apoiou a chapa da burocracia. 

O que sugerimos nesse sentido que fique de lição desta eleição para a oposição é a imediata necessidade de fazer um trabalho junto à base da categoria: urge tirar um boletim de oposição sistematicamente para centralizar uma luta anti burocrática e classista, fazer reuniões periódicas, participar ativamente de todas as atividades da categoria, fazer uma oposição à burocratização do Sindicato entre outros; a categoria não vê de bom alvitre só deixar para se organizar de 03 em 03 anos para as eleições do Sindicato como fazem, normalmente, os políticos burgueses nas eleições oficiais de 02 em 02 anos.

No período de 30/6 a 02/7 tivemos o Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (CONECEF) e o Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil; já em 08/7 ocorreu a Conferência Estadual de Bancários, onde o ponto alto foi a eleição dos delegados para a Conferência Nacional dos Bancários que se realizará de 28/7 a 30/7 em São Paulo,onde serão debatidas as principais reivindicações do Dissídio 2017.

No dia 22/7 com um quórum razoável de bancários (150 a 200 participantes) ocorreu o Encontro Nacional dos Banrisulenses tendo como ponto principal a Luta Contra a Privatização do Banrisul. Não só políticos e dirigentes se pronunciaram, mas também bancários da base deram suas idéias.

Nós do Tribuna Classista esperamos um Dissídio 2017 de luta e que atendam as principais reivindicações históricas da Categoria Bancária que não foram atendidas nos últimos anos que são de conhecimento público dos bancários, entre outras, como:

- Romper com o acordo bianual com o governo golpista na luta e impor através da greve geral da categoria por tempo indeterminado reposição das perdas e aumento real de salário;.

-Lutar contra a Reestruturação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil que pavimenta o caminho para a Privatização;

-Chamar as outras categorias em dissídio para uma luta conjunta, unificada;

-Barrar as demissões com um plano de lutas nacional de ocupações das agências bancárias (10.000 bancários demitidos este ano);

-Fim dos planos de demissões e aposentadorias voluntárias;

-Não à Privatização do Banrisul e o Serviço público deve estar sob o controle dos Trabalhadores; não à Privatização da CEEE,CRM e SULGÁS;

-Pela revisão de todas as aposentadorias e pensões;

-Pela melhoria dos Planos de Saúde, que estão sucateados;

-Pelo fim da Terceirização com a imediata efetivação de todos os terceirizados;

-Lutar pelo fim do Governo Temer (ForaTemer!);

-Lutar pelo fim do Governo Sartori (Fora Sartori!); 

-Abaixo a Reforma Previdenciária!;

- Por uma luta das massas para revogação da Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações;

-Lutar por uma Assembléia Constituinte livre e soberana, onde se discuta uma ampla reorganização do País sob novas bases sociais;

- POR UM CONGRESSO DE BASES DO MOVIMENTO OPERÁRIO ORGANIZADO E CONVOCADO PELA CUT E PELO CONLUTAS PARA QUE OS TRABALHADORES EMERJAM COMO UM FATOR INDEPENDENTE FRENTE A TODAS AS VARIANTES CAPITALISTAS;

- POR UM GOVERNO DOS TRABALHADORES - Pela Revolução Socialista! 

SEDE NACIONAL: Travessa do Ouvidor 200 – Partenon - Porto Alegre/RS

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Tribuna Classista

domingo, 16 de julho de 2017

A GREVE DOS GARIS DE FLORIANÓPOLIS – SANTA CATARINA (COMCAP)

                                                                                       



Alfeu Goulart

Os trabalhadores da COMCAP (Companhia de Melhoramentos da Capital) paralisaram as atividades no dia de 10 de julho, em defesa de seus postos de trabalho em risco com o projeto que tramita na Câmara Municipal de Florianópolis em regime de urgência com o objetivo de transformar o regime jurídico de empresa pública de economia mista em Autarquia, o que leva à insegurança jurídica de cerca de 1600 trabalhadores da coleta de lixo e limpeza pública da capital de Santa Catarina. Pelo segundo dia, desde o inicio da greve, os piquetes na Câmara impediram a votação, que abre caminho para a terceirização na COMCAP, privatização e demissões em massa. A categoria, com cerca de noventa por cento de adesão à greve, rechaça o ataque do governo ajustador do PMDB de Temer, o prefeito Gean Loureiro, que acumula dívida de R$ 220 milhões do fundo de previdência dos trabalhadores. A alteração para o regime de Autarquia proposta pelo executivo em projeto de lei é uma manobra como aconteceu na cidade de Blumenau para favorecer as empresa terceirizadas de coleta de Lixo, o que significa um calote aos trabalhadores e na prática o fim do serviço público de limpeza urbana., "Como Autarquia, a Comcap pode fazer o Refis para municípios e a entrada de R$ 7 milhões em seis vezes e parcelas mensais de R$ 790 mil", ou seja, Gean Loureiro quer adaptar juridicamente a COMCAP para poder aplicar a política do Refis patrocinada pelo governo golpista de Temer, cuja preocupação é negociar perdão de dívidas previdenciárias de grandes empresas, produtores rurais e municípios da ordem de 70 bilhões de reais, dando o calote na previdência pública, para justificar a reforma privatizadora golpista em fase terminal de Temer e o PMDB, impondo brutal ataque aos trabalhadores, que nesses primeiros dias de Greve dando uma grande demonstração de luta, com paralisação geral e vigorosos piquetes que têm impedido que os legisladores da base do governo votem o projeto.

Nós que assinamos as teses do Tribuna Classista ao IX Congresso do Sintrasem estamos participando das atividades da Greve: assembléias, piquetes, etc. Pela vitória da Greve dos trabalhadores da Comcap, não à privatização dos serviços públicos, por um programa de luta de conjunto da classe trabalhadora para organizar a resistência aos ataques dos ajustadores capitalistas, por um congresso nacional da classe operária, pela derrubada revolucionaria do governo Temer, por um governo dos Trabalhadores .

No terceiro dia de greve, após vinte e seis horas de ocupação, os trabalhadores da COMCAP decidiram desocupar a Câmara de vereadores de Florianópolis, depois que os vereadores da base do governo do prefeito Gean Loureiro aprovaram por catorze votos a sete sob imenso aparato policial o projeto de lei que transforma a estatal de economia mista em Autarquia, e abre caminho para a privatização, terceirização e sucateamento da empresa pública de coleta de lixo. No entanto, a greve continua com assembléia já marcada buscando a revogação da fraudulenta votação que aconteceu com muita repressão e com vários companheiros ferido.

 

 

sábado, 8 de julho de 2017

BALANÇO DA GREVE GERAL DO DIA 30/06

                                                                             


Guilherme Giordano

A Greve Geral do dia 28/04 impactou todas as classes sociais no país.

A burocracia sindical de todas as pelagens montou uma operação apoiada naquela gigantesca mobilização para chegar num acordo com o governo Temer, canalizando toda a revolta dos trabalhadores para dentro do Congresso Nacional.

Dois meses depois foi marcado no dia 20/06 o denominado "dia do esquenta" que não foi convocado nem organizado como uma mobilização preparatória para a Greve Geral do dia 30/06, mas foi uma tentativa da burocracia sindical jogar uma ducha de água fria nessa perspectiva.

Às vésperas do dia 30/06, da Greve Geral, a burocracia sindical, mais precisamente a Força Sindical e a CUT, semearam uma confusão entre as diversas categorias de trabalhadores, com a intenção clara de descaracterizar a Greve Geral, e tentar fazer desse dia um mero dia de "descanso", sem uma ação de força dos trabalhadores contra os patrões e contra o governo para derrotar definitivamente as reformas, frente a um governo acusado de corrupção passiva pela Procuradoria Geral da República, constituindo-se num fato inédito historicamente e com 4% de popularidade. O caráter da convocação da burocracia sindical que predominou em todo o país foi de que as pessoas ficassem em casa, não fossem ao trabalho, não fossem à aula, não fossem realizar compras, não saíssem a passeio, etc.

A enorme revolta no seio da classe trabalhadora contra um regime social e político totalmente decomposto, com seus principais dirigentes políticos em sua maioria sendo denunciados por todos os lados de ladrões envolvendo todo o tecido da superestrutura, o poder executivo, legislativo e judiciário, foi de certa forma contida parcialmente no dia 30/06, o que não impediu que milhares de trabalhadores e jovens saíssem às ruas, fizessem piquetes e bloqueassem vias, com vários enfrentamentos com a polícia e prisões de manifestantes.

A política desenvolvida pelo PT e Lula é conter e impedir uma intervenção independente dos trabalhadores contra os ataques brutais que estão sendo desencadeados através do governo Temer no Congresso Nacional, principalmente com as reformas trabalhista e previdenciária.

O Feliz 2018 com uma possível eleição de Lula aposta na verdade na governabilidade do governo corrupto de Temer e coloca uma camisa de força nas mobilizações.

Já se manifesta claramente uma verdadeira aliança de Lula e o PT com o governo Temer e o PMDB, e até com o PSDB para que as investigações em torno às denúncias de corrupção sejam barradas.

A votação que se avizinha no Congresso Nacional diante da denúncia da PGR de corrupção passiva de Temer, que autorizará ou não a sua investigação pelo Supremo Tribunal Federal e o seu consequente afastamento por 180 dias, está condicionada por um lado por uma base aliada de Temer totalmente com tendências ao esfacelamento e dando sinais de batida em retirada, e por outro lado por uma política da oposição que visa tão somente acumular um ganho eleitoral para as eleições de 2018, mesmo que pra isso sejam sacrificados os direitos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores com muito grito e discussão no Congresso Nacional, num teatro cujo palco atuam atores que são assistidos por uma massa de milhões de desempregados, sub empregados, sem terras, sem tetos, trabalhadores com seus salários arrochados e congelados, aposentados ganhando uma migalha de salário mínimo, etc. que se encontram órfãos de uma direção política, mas com uma tendência cada vez maior de rebentarem todas as amarras de uma situação de barbárie e canibalismo social insuportável.

                                                                               

segunda-feira, 26 de junho de 2017

POR UMA PODEROSA GREVE GERAL NO DIA 30 DE JUNHO


Para por abaixo o governo Temer e o regime político de conjunto Por um governo próprio dos trabalhadores

Na próxima sexta feira, dia 30 de junho, ocorrerá outra Greve Geral no país contras as reformas trabalhista e da previdência do governo golpista e de Temer. É a segunda Greve Geral que ocorrerá este ano em um intervalo de dois meses. 

Está claro que a ferramenta da greve e da mobilização são as que mais evidenciam o poder dos trabalhadores, porque paralisando as atividades e ocupando as ruas, mostrando nossa determinação, detemos as reformas e abrimos caminho para tirarmos de vez o governo usurpador e lutarmos por uma alternativa operária e socialista. 

A resistência contra o sistema posiciona os partidos e evidencia a verdadeira cara da esquerda brasileira: a ala de direita do PT (Lula, Dilma) por um lado aposta num acordo com o PMDB e nem menciona a existência da greve; sua ala esquerda (Lindemberg, Tarso Genro) se aglutinam junto ao PSOL, PDT, PSB, PC do B e REDE numa frente parlamentar que não se mobiliza pela greve e apostam numa saída eleitoral levantando a bandeira de “diretas já”. Querem dissimuladamente impor a governabilidade de um governo que possui neste momento 7% de popularidade! 

Nós, trabalhadores temos que desenvolver um olhar consciente sobre estes fatos e organizar assembléias e congressos para garantir a paralisação e a presença nas ruas. Por isso, o Tribuna Classista presente nesta luta levanta as bandeiras da independência política da classe trabalhadora. 

Em oposição às saídas capitalistas e antipopulares que estão sendo levadas adiante, adquire enorme relevância e atualidade a convocação de um Congresso de Trabalhadores para discutir um programa e uma saída política frente à crise em desenvolvimento. 

- Pela retirada da reforma trabalhista e da previdência; 

- Por um salário e aposentadorias equivalente ao salário mínimo vital;

 - Pela distribuição das horas de trabalho sem afetar os salários e ocupação de toda a fábrica que feche ou demita;

 - Abertura dos livros-caixas de todos os grupos capitalistas e pelo controle operário da produção; - Pelo cancelamento do pagamento das dívidas externa e interna

 - Pela nacionalização sem indenização dos bancos e monopólios petroleiros, a fim de colocar os recursos para atender às necessidades sociais.

 - É hora de lutar por uma Assembléia Constituinte livre e soberana, onde se discuta uma ampla reorganização do país sob novas bases sociais. 

A questão-chave no Brasil e, de modo geral, na América Latina, é que a classe trabalhadora emerja como um fator político independente e se transforme em alternativa de poder.

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TRIBUNA CLASSISTA
                                        

domingo, 25 de junho de 2017

BRASIL: NOVA GREVE GERAL

                                                                                     


Pablo Heller  (Partido Obrero)



Está prevista uma nova greve geral no Brasil no dia 30 de Junho. Tal iniciativa foi tomada pelos sindicatos. Esta convocação é precedida pela paralisação do dia 28 de abril que repercutiu em todo o país. Tanto pela sua massividade como por sua contundência, foi a medida de força mais importante nas últimas décadas e foi acompanhada por piquetes, manifestações e bloqueios de vias nas principais cidades do país.

Apesar de seu sucesso, as centrais indicais perderam tempo e foram adiando uma nova chamada. Até agora evitaram dar um caráter ativo à greve de 30/06, buscando convertê-la em um dia de feriadão.

Enquanto isso, as direções sindicais, começando pela CUT - politicamente envolvida com o PT - atuam como muros de contenção de greves e iniciativas de luta em diferentes sindicatos.

GOVERNABILIDADE

A burocracia sindical está desempenhando um papel fundamental na manutenção da governabilidade de um regime que está nas cordas. Por sua vez, o Tribunal Superior Eleitoral acaba de salvar a pele de Temer, rejeitando a acusação de financiamento ilegal da chapa triunfante presidencial, o binômio (Dilma/Temer), o que significaria a destituição automática do atual presidente. Mas isso não é suficiente. Imediatamente deverá enfrentar às acusações de suborno do empresário Joesley Batista, que provocaram a recente tempestade política. Estamos diante de uma guerra sendo travada em todas as instâncias - na justiça, nos serviços públicos e, especialmente, na orientação econômica do Estado, por meio de uma luta aberta entre a burguesia local e o imperialismo pela gestão e exploração dos vastos recursos e a atividade industrial do país e, portanto, sobre o destino das grandes corporações brasileiras. A operação Lava-Jato e, agora as revelações dos irmãos Batista, estimuladas pelos Estados Unidos, têm apontado para a quebra da estrutura industrial e financeira baseada em torno da Petrobras e o sistema de contratos e concessões do Estado.

As direções sindicais estão agindo como seguidismo da estratégia PT , o qual vem colocando como saída a candidatura presidencial de Lula em 2018. Em nome do "voltaremos", bloqueia a possibilidade de que Temer caia agora sob a pressão direta da inciativa popular.

"DIRETAS"

A plataforma da greve inclui em primeiro lugar, a bandeira de "eleições diretas". É a principal reivindicação que levanta a Frente Ampla, uma coalizão de partidos, incluindo, entre outros, o PT e PSOL.

As 'Diretas' colocam ao PT um problema insolúvel, com ou sem eleições legislativas, porque para isso eles não têm outra escolha a não ser acordar com os partidos tradicionais; isso, sob o pretexto de alcançar uma maioria parlamentar, repetindo a experiência desastrosa já percorrida quando foram governo.

A declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pedindo a Temer a antecipação das eleições encorajou a direção do PT. De acordo com Cardoso, o chamado para novas eleições busca "restaurar a legitimidade da ordem à soberania popular." Estamos diante de um giro do ex-presidente, que vinha propugnando a nomeação de um sucessor de "consenso". Esta mudança provavelmente tem a ver com as crescentes fissuras no campo governamental, que se estende a um Parlamento que retardou a aprovação da reforma trabalhista e previdenciária. Esta questão é crucial, uma vez que priva Temer, quem dera, da sua principal arma de governo: a de apresentar-se como fiador do ajuste, o qual vem levando adiante desde que ele assumiu o cargo. Um pântano da ofensiva antipopular em andamento pode acelerar a determinação do capital de larga-lo de mão

O líder do PT na Câmara de Deputados, Carlos Zarattini (São Paulo) disse que vai procurar os tucanos (Cardoso) para um acordo: "Vamos tentar levá-los a concordar com as eleições diretas. Nosso objetivo é fazer com que Temer saia"(Infobae, 14/6). A greve do dia 30 está destinada a ser colocada por trás desta perspectiva política, embora tudo seja amarrado com fios de arame não se pode descartar que novamente abra-se caminho para uma saída de consenso. Depois de ter batido o martelo sobre as "Diretas Já" e aprovada esta palavra de ordem no Congresso do PT, Lula pôs de lado essa reivindicação e fez uma exortou a esperar por 2018, o que foi interpretada por alguns analistas como uma porta de entrada para negociar um sucessor através de uma eleição indireta pelo Congresso.

Independentemente disto, seja um candidato de consenso ou de uma eleição direta, necessariamente acordada, estas opções terão como base uma continuação da política de austeridade e de reformas antioperárias.

Congresso dos Trabalhadores

Seja qual for o acordo alcançado, não resultará no fechamento da crise. As convulsões políticas seguirão. A questão do momento, no Brasil, é continuar a mobilização popular, começando por garantir a massividade da greve geral e dar-lhe um caráter ativo.

Em oposição às saídas capitalistas e antipopulares que estão sendo levadas adiante, adquire enorme relevância e atualidade a convocação de um congresso de trabalhadores para discutir um programa e uma saída política frente a crise em desenvolvimento. Pela retirada da reforma trabalhista e da previdência; por um salário e aposentadorias equivalente ao salário mínimo vital; pela distribuição das horas de trabalho sem afetar os salários e ocupação de toda a fábrica que feche ou demita; abertura dos livros-caixas de todos os grupos capitalistas e pelo controle operário da produção; por cancelamento do pagamento das dívidas externa e interna, e a nacionalização sem indenização dos bancos e monopólios petroleiros, a fim de colocar os recursos para atender às necessidades sociais. É hora de lutar por uma Assembléia Constituinte livre e soberana, onde se discuta uma ampla reorganização do país sob novas bases sociais. A questão-chave no Brasil e, de modo geral, na América Latina, é que a classe trabalhadora emerja como um fator político independente e se transforme em alternativa de poder.

                                                                                    

domingo, 18 de junho de 2017

BANCÁRIOS Porto Alegre: Votar na Chapa 3

                                                                             




Passados 8 meses do final da Greve dos Bancários de 2016 e infelizmente nos deparamos com a realidade de um Acordo Bianual que na prática engessa a luta da categoria e que na época de sua imposição ajudou politicamente a governabilidade do golpista Temer e continua ajudando, pois com a atual situação político-econômica do País uma categoria forte como é a dos bancários em campanha salarial pode animar uma série de outras categorias para a luta e colocar o conjunto do regime em xeque.

Com uma derrota temporária imposta pela Burocracia Sindical à categoria com o Acordo Bianual juntamente com o agravamento da crise econômica logo após o dissídio de 2016, o Governo Temer(CEF e BB) e o Governo Sartori (Banrisul) impuseram planos de demissões e aposentadorias voluntárias para milhares de bancários; além de fecharem centenas de agências, levando a precarização do atendimento à população, aumentando o excesso de trabalho para os bancários da ativa e subindo as taxas de adoecimento dos trabalhadores bancários. Esses programas no seu conjunto recebem o pomposo nome administrativo de Reestruturação Bancária, que deve ser lido como: enxugar hoje para privatizar amanhã. Mais uma carta na manga dos governos capitalistas de plantão. Com um visível sucateamento das agências da Caixa Federal e do Banco do Brasil.

Enquanto isto no período de 1 ano, os Bancos Privados demitiram em torno de 17.000 bancários em todo o País, sem quase nenhuma luta dos Sindicatos administrados pela Burocracia Sindical. Mas o lucro dos maiores bancos em nesse período ficou em torno de R$ 30 Bilhões. No entanto, sendo o setor bancário o mais rico do País é campeão de reclamações dos clientes e remunera mal os bancários.

Defendemos a Não Privatização do Banrisul e o Serviço Público deve sob controle dos Trabalhadores. Além se seqüestrar mensalmente o salário dos servidores, o Governo Sartori quer privatizar inicialmente a CEEE, a CRM e a SULGÁS e num segundo momento tentar privatizar o Banrisul; os bancários do Banrisul já deram demonstração que vão lutar para isto não acontecer.

É preciso ganhar as ruas contra Temer e Sartori. Agora, no início do dissídio de 2017, os bancários precisam lutar por suas reivindicações prementes, inclusive lutar pela superação política de conciliação da Burocracia Sindical com os Banqueiros/Governos que historicamente só prejudica a categoria.

Os Planos de Saúde dos bancários só pioram, gerando mais enriquecimento para os Bancos. Os principais Fundos de Pensões estão atolados em rombos bilionários por má gestão e denúncias de corrupções. Existe uma brutal defasagem no número de bancários necessários para atender dignamente a população. Os aposentados são a parcela mais atacada da categoria. Defasagem nas aposentadorias, planos de saúde piorados, ficam com os seus direitos fora das reivindicações nos dissídios, etc.

Na Terceirização, os bancos estão entre os setores que mais exploram os terceirizados. Existem dados que no setor financeiro com 1,5 milhão de trabalhadores no Brasil, existem mais de 800 mil terceirizados.

Chamamos o voto na chapa 3 pela independência política do sindicato dos bancários frente aos governos burgueses e aos banqueiros.

Damos a este voto um caráter antiburocrático e contra a política de conciliação de classes da burocracia sindical e seus acólitos.





Frente de esquerda do Rio de Janeiro

                                                                                   



Roberto Rutigliano


No dia 12/06 ocorreu uma plenária da frente de esquerda socialista no Rio de Janeiro.

Esta frente nasceu um ano atrás, e por enquanto só tem representatividade local, reunindo as principais forças da esquerda no país: o PSOL, MAIS, NOS, MRT , PCB e outras organizações.

O PSTU e Tribuna Classista não participam do projeto.

A idéia básica da plenária era organizar atividades que impulsionem a greve geral. Duas bandeiras unificaram a reunião: Fora Temer e contra as reformas. A questão que surgiu como divisor de águas foi como apresentar uma alternativa de poder pós governo golpista.

A CS/TPSOL e o MRT foram contra a idéia de chamar as eleições diretas enquanto que o MAIS, NOS e setores do PSOL como Comunismo e Liberdade do vereador Renato Cinco (conhecido ativista pela legalização da maconha) levantaram a bandeira de “diretas já”.

A questão das Diretas Já

O quadro de deterioração política e moral da classe política brasileira faz com que a esquerda tenha a oportunidade de colocar em pauta a necessidade de uma mudança estrutural do sistema como resposta; assim as frentes, as organizações de bases e os congressos de trabalhadores podem reivindicar o chamado de uma Assembléia Constituinte e o governo dos trabalhadores como meta.

Na contra-mão, o PSOL fez uma frente ampla parlamentar com o PT, PSB,PDT e PC do B levantando a bandeira das diretas.

O Tribuna Classista do Rio de Janeiro coloca a questão de que hoje a postura de “diretas já” vem a domesticar as lutas e colocar à classe trabalhadora na escolha falsa de candidatos que vão impor as reformas .

Em sintonia com este argumento, o PSTU acha que tem que ser priorizada a mobilização e que qualquer reivindicação que canalize a luta para uma disputa eleitoral é um desvio democratizante.

Entendemos que os setores revolucionários hoje representados pelo PSTU,CST, MRT , Tribuna Classista, Esquerda Marxista e LPS teríamos que lançar uma campanha conjunta para esclarecer por que a reivindicação das diretas hoje significa o oposto das mobilizações contra as reformas.

O capitalismo quer que os trabalhadores paguem pela crise dos monopólios, a pseudo esquerda quer encaminhar a classe trabalhadora atrás da bandeira das diretas. Por este motivo, as bandeiras tem que ser:

- Greve geral contra as reformas.

- Fora Temer por congressos de trabalhadores que convoquem a uma Assembléia Constituinte.

- Governo dos trabalhadores.




terça-feira, 23 de maio de 2017

GREVE GERAL OU PIZZA

                                                                               

                                                  Osvaldo Coggiola




O presidente golpista Michel Temer (PMDB) decidiu defender-se (isto é, não renunciar ao seu cargo) declarando, em cadeia nacional, ter sido vítima de uma armação, ou seja, de um golpe, e solicitando ao Supremo Tribunal Federal o fim do inquérito que o implica em crimes de responsabilidade. Sem informar, porém, quem teria sido o autor (ou os autores) da trama golpista, da qual os irmãos Batista foram o instrumento executor. Preferiu sair-se pela tangente qualificando seu interlocutor na conversa mafiosa, mantida na garagem dos fundos do Jaburu, de “falastrão” e “charlatão” (portanto, não digno de crédito; “Ouvi tal impropriedade como algo característico de um falastrão que procura mostrar influência”, O Estado de S. Paulo, 22/5), um qualificativo curioso para o proprietário de um holding (J&F),uma de cujas empresas (a famigerada JBS) pulou de uma receita de R$ 4,3 bilhões em 2006 para R$ 170,4 bilhões em 2016 (uma multiplicação por 40, ou um crescimento de 4.000%, em apenas uma década; se fosse o PIB brasileiro...) até se transformar na “maior produtora e exportadora de proteína animal (aves e bovinos) do planeta”, graças, sobretudo, aos empréstimos a juros subsidiados concedidos por bancos públicos brasileiros, BNDES e Caixa Econômica Federal (que aportam pouco mais de 26% do capital do holding). R$ 5,5 bilhões é o volume de recursos da Caixa em empresas da J&F; quanto ao BNDES, ele aportou R$ 3,58 bilhões na JBS (e R$ 2 bilhões para a implantação da Eldorado Celulose). Esse dinheiro foi usado para aquisições e fusões dentro e fora do país (avícolas e bovinas brasileiras, Vigor, Alpargatas, cuja compra pela J&F foi 100% financiada pela Caixa, Eldorado e, sobretudo, frigoríficos norte-americanos; até criar seu próprio banco, acertadamente batizado com o nome de Original) durante o governo PMDB-PT, e durante o próprio mandato de Temer (como vice-presidente e presidente). 

A cilada (na qual caíram Temer, Aécio Neves e outros tantos quantos) fora montada pela PGR (Procuradoria Geral da República) que, quinze dias antes da conversa nos fundos (e de outras conversas em outros fundos) deu uma “aula de delação” aos irmãos Joesley e Wesley e ao seu pequeno séquito de trutas (incluído o alto executivo Ricardo Saud, especialista em propinas e possuidor de um domínio precário da gramática da língua portuguesa, apenas um pouco melhor no caso dos Batista). Estes não tiveram o menor problema em representar o papel deles mesmos, enganando a “profissionais” do saque das finanças públicas que no Brasil recebe o nome de “política”, os quais entregaram, monossilabicamente (Temer) ou verborragicamente (Aécio), o ouro e algo mais. A PGR fora procurada pela dupla goiana em meados de fevereiro, e gravou a conversa com Temer a 7 de março. Dez dias depois foi lançada a operação “Carne Fraca”, que evidenciou que a espetacular e meteórica fortuna da JBS fora amealhada não só com empréstimos a juros maternais de bancos públicos (cujo capital se compõe basicamente de contribuições previdenciárias dos trabalhadores), mas também com a venda de carne podre e adicionada com substâncias tóxicas de variado tipo (todas baratas). A fita foi gravada antes, mas divulgada depois, do lançamento da “Carne Fraca”. Depois de Eike Batista (“o homem que mais dinheiro fez com o Power Point” segundo The Economist; em cana [agora domiciliar] e falido) e seu “grupo X”, da Camargo Corrêa (acordo de leniência de R$ 700 milhões, uma pechincha), da Andrade Gutierrez, da Odebrecht-Braskem (maior acordo de leniência do planeta, R$ 6,8 bilhões, e com o capo também em cana) e de alguns sócios menores, chegara a hora e a vez do último “campeão nacional” de importância ainda em atividade, isto é, o réquiem da “burguesia nacional” almejada e financeiramente bajulada durante treze anos de governo Lula-Dilma e, em especial, da empresa cujo presidente até 2016 fora nada menos que o atual titular da pasta da Fazenda, ora cotado para “presidente indireto” do Brasil, Henrique Meirelles.[1]

A nova fase da crise política que se abriu com o episódio está apenas nos seus inícios. O “mercado” (o grande capital) deu seu sinal imediato, afundando o índice Bovespa em 10% (mais de US$ 200 bilhões, que viraram fumaça) quinta-feira 18 de maio, até obrigar ao uso do circuit break (interrupção das atividades e da negociação de títulos públicos) e fugindo em direção do dólar, que chegou até R$ 3,50 (+ 15%). Isto permitiu um lucro fabuloso aos mafiosos da JBS que, de posse do inside trading da fita gravada, mas ainda não divulgada, apostaram, nos dias prévios ao escândalo, contra o real em quatro praças financeiras e cambiais internacionais, com um lucro (um bilhão de dólares, segundo Temer, talvez bem informado desta vez) bem superior à multa do acordo de leniência que planejava pagar ao erário nacional; isto sem falar na venda de ações (inclusive ao BNDES) prévia ao afundamento da Bolsa de Valores, configurando um novo saque ao país. As cifras totais da manobra (das manobras) ainda não são conhecidas, mas seriam suficientes para solicitar a extradição dos Batista e comitiva que, aparentemente em número de onze, fugiram em (um dos) seus super jatinhos particulares em direção dos EUA, com permissão (sugestão?) da Justiça brasileira, para um luxuoso apartamento em Nova York (de onde também fugiram!) – e, sobretudo, para expropriar sem indenização a JBS e a J&F, uma bandeira que deveria ser levantada de imediato pelos trabalhadores e suas organizações, e também exigir a restituição de suas posses no exterior junto aos fóruns e a opinião pública internacionais. Os sem-terra começaram a percorrer esta via ocupando uma fazenda vinculada à JBS.

O acordo entre a J&F e o MPF (Ministério Público Federal) faz parte de um pacote maior, negociado fora do Brasil com “o Departamento de Justiça, o poderoso DoJ (dos EUA) (que prevê) a mudança da empresa para os Estados Unidos, onde (a JBS) já possui 56 fábricas e realiza metade de suas vendas globais” (Valor Econômico, 19/5) – para ser mais precisos, a J&F realiza 68% de suas receitas nos EUA, um total de 115 bilhões de dólares (deixando a América do Sul, Brasil incluído, com um modesto 27%) (Folha de S. Paulo, 21/5). Não sabemos (é provável) se os ex açougueiros goianos e consortes (incluída uma animadora de TV, estes “burgueses nacionais” têm uma queda muito parvenu pelas figurinhas midiáticas e as capas daPlayboy) já possuem cidadania norte-americana. A “burguesia nacional” é, sem dúvida, burguesa, mas não nacional, uma lição que a direção do PT se recusa a aprender até hoje. A liquidação desta pretensa “burguesia nacional”, a redução do Brasil a um estatuto semicolonial, tem consequências diretas para a América Latina, em primeiro lugar para a Argentina, e para a Unasul, que foi sua criatura política.

A isto se deve que, em vez da tática dos Odebrecht (que ficaram fazendo cu doce durante meses para o MPF e sua operação “Lava Jato”, o que lhes custou prisão + multa de R$ 6,8 bilhões), os irmãos Batista oferecessem espontaneamente sua colaboração ao MPF, entregando inclusive seus comparsas políticos (em número de... 1.829! segundo sua “delação [mais do que] premiada”) e oferecendo pagar, inicialmente, uma multa de R$ 1 bilhão (uma mixaria, em face das cifras acima – apenas um quarto do lucro instantâneo obtido na sua manobra especulativa contra o real), elevando-a depois até R$ 1,4 bilhão, uma cifra que coincide, sugestivamente, com o valor das propinas pagas pela J&F (segundo os documentos fornecidos pelos delatores) através de 214 repasses a 28 partidos políticos (dos 35 registrados no Brasil) ou a 1.829 “candidatos” (eleitos ou não a diversos cargos, em todos os níveis do Estado), como dizendo “uma mão lava a outra” e não se fala mais nisso. O “Departamento de Operações Estruturadas” (!) da Odebrecht confessara propinas de R$ 1,68 bilhão para 26 partidos, uma “estratégia” levemente mais concentrada e “organizada”, com departamento próprio. O MPF cobrou da J&F R$ 11,2 bilhões de multa, configurando uma pendenga de R$ 10 bilhões que não será a mais difícil de resolver (embora não seja nada fácil). E os trabalhadores assistem pela TV a um curso acelerado de teoria do Estado burguês, comprovando como um político às vezes quase desconhecido, ou uma empresa que o banca (principalmente, mas não só, nas campanhas eleitorais), consegue levar numa só tacada corrupta proventos superiores aos que eles podem obter ao longo de uma vida inteira de esforços.

Um dos decanos do jornalismo político brasileiro, Janio de Freitas, fez questão de lembrar (“As condições do caos”, Folha de S. Paulo, 21/5) que “a JBS, parte da empresa-mãe J&F, é a maior exportadora mundial de carne bovina e de frango. Seu crescimento no mundo tem sido, em grande parte, decorrente de apoios financeiros e outros, legítimos ou não (saic), dos governos brasileiros. E contraria poderosas multinacionais e governos estrangeiros empenhados na promoção internacional de seus exportadores”; uma tardia lamúria nacionalista mas não anti-imperialista. Pois a “inimiga das multinacionais” já decidiu se reciclar como sócia menor delas nos próprios EUA, largando na fuga toda veleidade “nacional”. Como escreveu o dirigente trotskista Jorge Altamira (Prensa Obrera, 19/5), “lo que acosa a la clase capitalista no son las revelaciones de los desfalcos. Estas denuncias fueron promovidas por el Departamento de Justicia de Estados Unidos. Nunca hubieran tenido lugar si no sirvieran al interés de los grupos económicos, especialmente norteamericanos, que estuvieron buscando quebrar el monopolio operacional de Petrobras en la explotación de los yacimientos pre-sal y fulminar al no menos fuerte trío de la construcción – Camargo Correa, Andrade Gutierrez y Odebrecht -, que se quedaron con más de la parte del león en obras de infraestructura desde Cuba hasta Argentina, pero especialmente en Perú y Brasil. La riña capitalista se ha puesto más brutal desde que Odebrecht ha logrado que los acuerdos de delación de sus ejecutivos vengan acompañados de la continuidad de las obras y licitaciones comprometidas con el Estado”.

O problema consiste em que as denúncias abriram uma caixa de Pandora, cujo conteúdo transformou a crise política em crise institucional (ou seja, uma crise do regime e do Estado). As delações da Odebrecht e, sobretudo, da J&F/JBS, escancararam não apenas uma rede gigantesca de corrupção, mas também: a) Que a corrupção é sistêmica, envolvendo todos os escalões do Estado de modo permanente, não só para a aprovação de alguma lei ou medida provisória, transformando quase todos os “representantes” (ou os nomeados por eles: um em cada três membros do Congresso Nacional recebeu dinheiro da JBS, e esta é apenas uma das fontes pagadoras) em reféns do grande capital: os dirigentes da J&F revelaram, por exemplo, que repassavam mais de R$ 300 mil mensais a Gilberto Kassab (PSD) ex prefeito de São Paulo e atual ministro, por “eventuais serviços futuros”; b) Que para esse objetivo tanto faz que a propina seja “legal” ou não, ou seja, que revista a forma de doação oficial (caixa 1), clandestina (caixa 2), depósito bancário, dinheiro em espécie ou depósito off shore (as contas da JBS na Suíça registram 9.000 pagamentos para políticos brasileiros nos últimos dez anos). Os “campeões nacionais” levavam uma contabilidade única para todas as despesas dessa ordem, pouco se importando com sua “legalidade ou “ilegalidade” (um dos Batista, em seu depoimento gravado, chegou a confundir-se a respeito da natureza de várias propinas) pois todas servem a um único objetivo. A desculpa-padrão do PT (e de outros), “foram doações legais” (que, lamentavelmente, não chega a cobrir todas as “doações”) é uma justificativa esfarrapada para encobrir uma política comprada pelo grande capital. A J&F relacionou propinas de R$ 800 milhões (para “políticos e operadores”) para obter fundos por valor de R$ 15 bilhões (um “custo operacional” de 5%) da Caixa e do BNDES, destinados a serem usados em contratos sobrefaturados. 

O festival de “delações premiadas” está longe de concluído: “Há sinais de que um advogado do banqueiro André Esteves (BTG Pactual) está conversando com representantes do Ministério Público. Coisa preliminar", informou o informado colunista Elio Gaspari (Folha de S. Paulo, 21/5); BTG Pactual é o maior banco de investimentos do país, com participação em inúmeras empresas e administração de fundos de hedge globais através do seu carro-chefe, o fundo GEMM Fund, que administra 22 bilhões de dólares em todo o planeta e está entre os vinte fundos de investimento mais rentáveis do mundo, com alça de 85% de suas ações (o Itaú já retirou todo seu dinheiro do BTG Pactual). A debandada dos partidos da “base aliada”, do seu lado, apenas começou: o primeiro a abandonar o barco foi o PSB (35 deputados e um ministro), seguido pelo PTN (13 deputados), o PPS (9) e o PV (6); o PSDB (47 deputados) já está dividido em torno da questão; a “base” se reduziu de 402 para 345 deputados, os “votos garantidos” para a reforma da Previdência (a mãe de todas reformas) caiu de 250 para 200 (são necessários no mínimo 308), um número por outro lado fantasioso.

O que mudou o panorama político do país, criando a base para a crise, foi a greve geral de 28 de abril passado que, em que pese seu caráter “domingueiro” (uma sexta feira que precedeu um final de semana longo) traduziu a nova situação política, a tendência para um combate político de massas contra o governo golpista de Temer. As ameaças prévias do governo, como o desconto do dia parado aos funcionários públicos, não tiveram efeito. A greve atingiu pelo menos 130 cidades, as mais populosas, incluídas as 27 capitais do país. Houve paralisação total do transporte urbano e interurbano, de quase todas as escolas e o setor educacional, e dos bancos, conquistando 90% de adesão nas montadoras do ABC paulista. O principal porto de exportação do país, Santos, foi bloqueado por piquetes de estivadores que enfrentaram duramente a Polícia Militar. As manifestações populares (houve enfrentamentos em uma dezena de cidades) foram basicamente convocadas pelos movimentos de trabalhadores sem teto e sem-terra (MTST e MST), cuja mobilização não foi incluída nas estatísticas da greve, que mobilizou, portanto, centenas de milhares de trabalhadores e jovens. A greve devolveu a iniciativa política ao movimento dos trabalhadores.

Todas as saídas “institucionais” estão postas em cima da mesa: renúncia de Temer, impeachment (há nove pedidos protocolados no Congresso - e a OAB já formalizou o seu -, precisa de 2/3 dos votos parlamentares) seguida de eleição indireta pelo Congresso (De quem? E como? A questão está em um limbo jurídico – a única lei que regulamente a eleição indireta é de 1964, governo Castello Branco), emenda constitucional possibilitando a eleição direta do presidente (já apresentada por um deputado da Rede, precisa de 60% dos votos), cassação da chapa Dilma-Temer em junho, seguida de eleições presidenciais convocadas pelo Congresso. Todas elas implicam a continuidade do Congresso golpista e dominado por corruptos durante o processo eleitoral e depois. Para o já citado Janio de Freitas: “Toda a dramaticidade da situação sintetiza-se em uma pequena frase: não há saída boa. A pior seria a permanência de Michel Temer ainda mais apalermado. Mas nenhuma das outras possíveis evitaria a continuidade das condições caóticas que sufocam o país”. Trocando em miúdos: nenhuma dessas saídas fecha a crise.

Sem base para seu programa reacionário e antissocial, o governo Temer apenas sobrevive explorando o impasse político, o que anima o editor/proprietário da Folha de S. Paulo (que contratou um “perito” para questionar a autenticidade da fita Joesley/Temer, dando o ponto de apoio para o discurso anti-renúncia de 18 de maio – e que é um torcedor fanático das reformas previdenciária e trabalhista) para afirmar (desejar) que “é cedo para dizer que esta administração acabou”. Do ponto de vista da crise política, mais importante do que a revelação dos conluios de Temer (que nunca teve votos próprios, só à sombra do PT; e cuja natureza corrupta era um segredo a vozes) foi a degringolada do propinómano Aécio Neves (apanhado em gravações non sanctas nas quais usa um linguajar digno de um chefete de quadrilha de traficantes), destituído de seu cargo de senador e “renunciado” da presidência do PSDB, ele que tinha sido derrotado nas últimas eleições presidenciais por apenas três pontos percentuais (obtendo 48,5% no segundo turno), sendo a única das alternativas para ocupar a presidência de modo indireto, ou para se opor a Lula numa eleição direta, que podia reivindicar alguma “legitimidade popular”.

As mobilizações em grande parte espontâneas de 17 de maio, em quase todas as capitais e com fortes enfrentamentos com a Polícia no Rio de Janeiro, demonstraram uma ampla base para uma grande mobilização popular. Os comícios muito menos espontâneos de domingo 21 de maio mostraram, ao contrário, certo esvaziamento. O PT encampou as “Diretas Já” para presidente através de uma vasta campanha na TV, especulando com a vitória de Lula (primeiro colocado em todas as sondagens) se ele não for previamente inabilitado, obrigando-se antecipadamente a reconstituir uma “base aliada” reacionária, talvez incluindo o próprio Meirelles (que já fez parte do governo Lula). O ex presidente (1994-2002) Fernando Henrique Cardoso, no Canal Livre de 21 de maio, clamou por um “Emanuel Macron brasileiro” por fora dos partidos e por dentro das redes sociais, como no “vitorioso” exemplo francês, especulando com os nomes de João Dória e até de Luciano Hulk (que nunca concorreu nem para síndico do seu prédio), dois homens do mundo empresarial/midiático. De cambulhada, meteu também no pacote uma “reforma política” supostamente moralizadora, com voto distrital e financiamento público das campanhas eleitorais (como se isso eliminasse automaticamente o “caixa 2”) e, sobretudo, com “cláusula de barreira” para barrar os “nanicos” (as siglas de aluguel) e, principalmente, a esquerda classista e revolucionária, a que, em primeiro lugar, rejeita as propinas e também as “doações legais” do capital.

Contra todas essas saídas reacionárias e antidemocráticas está na hora de lutar por uma Assembleia Constituinte de refundação da República, livre, soberana e democrática, sem cláusulas de proscrição e sem Congresso biônico dos corruptos do grande capital, e pela defesa de um programa anti-imperialista e classista de salvação nacional (governo dos trabalhadores) através da unidade socialista da América Latina. O meio para impô-lo foi esboçado no 28 de abril: a greve geral baseada na mobilização irrestrita dos trabalhadores (empregados e desempregados), da juventude e dos movimentos populares. Isto implica também em uma direção política cuja edificação deve ser objeto de debate aberto e democrático da esquerda brasileira e latino-americana.



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[1] Escreveu Mauro Lopes: “Dá pra acreditar que como presidente do grupo ele não soube de nada? Não viu? Não leu? Sumiram R$ 500 milhões dos cofres do grupo e Meirelles não soube? Se ele soube, deve entrar nos processos em curso. Se ele não sabia de nada mesmo, deve ser interditado, porque deixar um néscio assim como ministro da Fazenda do Brasil é um risco sem medida”. Segundo o jornalista Elio Gaspari, “sempre próximo do poder”, ele é “o sonho de consumo do mercado para a sucessão de Temer”.


                                                                              

quarta-feira, 17 de maio de 2017

DIANTE DOS NOVOS FATOS REITERAMOS: FORA TEMER!! CONGRESSO DOS TRABALHADORES PARA ORGANIZAR A LUTA E ABRIR UMA NOVA PERSPECTIVA POLÍTICA!!

                                                                                   


Uma bomba caiu sobre o panorama político nessa quarta-feira (17/05), gravações realizadas pelos donos da JBS (Joesley e Wesley Batista) colocam o presidente Michel Temer numa tentativa de comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (preso na Operação Lava-Jato), principal articulador do golpe parlamentar.

As gravações implicam também o Senador Aécio Neves (presidente do PSDB) com o recebimento de 2 milhões em propina, depositados numa empresa do senador Zezé Perrella.

Diante da imensa crise que se abre reiteramos nossa análise de que esse governo é fruto de um golpe parlamentar sustentado pelos setores majoritários da burguesia e do grande capital. Que o Governo Temer deve ser derrubado pela ação política das massas para impedir suas reformas anti operárias e anti populares, principal ataque contra a população na história da república, e que para dar uma nova perspectiva e uma nova direção à esquerda e ao movimento operário é necessário um Congresso dos trabalhadores para discutir um programa que abra novos caminhos para a classe trabalhadora. 

terça-feira, 16 de maio de 2017

APOIAMOS A CHAPA 3 PARA AS ELEIÇÕES DA APEOESP

                                                                                         

Dia 25 de maio ocorrerão as eleições na Apeoesp, sindicato dos professores estaduais, a oposição unificou as suas forças na chapa 3 - Oposição Unificada, composta por todas as forças representativas da esquerda para derrotar a atual direção do sindicato,  que é vinculada à Articulação Sindical (PT).

Apoiamos a Chapa 3 - Oposição Unificada para varrer definitivamente a burocracia do sindicatos dos professores, a atual diretoria é um retrocesso para toda a categoria. A atual presidente (professora Maria Isabel, a Bebel) está a 4 mandatos no comando do sindicato. Somente uma nova direção poderá enfrentar o Governador Geraldo Alckmin em seus contínuos ataques aos professores e à educação. 

É necessário varrer a burocracia sindical dos sindicatos para colocar de pé uma nova direção classista e combativa que dê uma nova perspectiva de luta aos trabalhadores diante do maior e mais virulento ataque já desferido pela burguesia, pelo grande capital, em nossa história. 

O governo de Geraldo Alckmin é o fiel escudeiro de Michel Temer e suas reformas anti operárias e anti populares. É necessário construir uma nova direção para o conjunto dos trabalhadores lutarem contra os governos atuais. Governos que tem um caráter de classe bem definido, ligados ao grande capital nacional e internacional.

Todo nosso apoio a Chapa 3 nas eleições do próximo dia 25 de maio. 

domingo, 30 de abril de 2017

POR UM 1º DE MAIO DE MASSAS E DE LUTA!

                                                                                   



Após a classe trabalhadora realizar a maior greve geral, em extensão (praticamente todo o território nacional), importância política e mobilização popular da história do Brasil, temos que tirar algumas conclusões.

Se os protestos do dia 25 de março foram realizados principalmente por servidores públicos, na greve geral houve uma grande mobilização da classe trabalhadora como um todo, quase todas as empresas e todos os ramos foram atingidos, e o movimento teve força em todo o país, principalmente nas capitais e grandes cidades.

Houve uma unidade entres as centrais sindicais, o que possibilitou a força da mobilização, mas também suas limitações, por exemplo, apesar da vitória expressiva da greve geral, e da necessidade da continuidade da luta dos trabalhadores (as “reformas” do governo Temer continuarão e se intensificarão), não há nem data indicativa da próxima greve e nem a organização dos trabalhadores por meio de algum fórum (um Congresso ou outro meio) para dar um norte e um programa a toda luta contra o governo Temer.

O governo Temer conseguiu unificar os setores mais importantes da burguesia em sua defesa, expressão disso foi o papel da mídia e da imprensa que tentou até o último minuto desviar o foco da população do que ocorria sob seus próprios pés.

Somente um movimento de massas da classe trabalhadora pode derrotar esse governo, que é defendido, direta ou indiretamente, pela totalidade dos partidos que compõem o regime político vigente, somente um movimento dessa natureza deixará claro aos olhos da população quem são os setores que lutam por seus interesses, e os quais atuam apenas para impedir que não só o governo venha abaixo, mas todo o regime que o sustenta.

Não podemos esquecer que esse governo foi fruto de um golpe parlamentar organizado pelos setores fundamentais da burguesia, do grande capital e de seus partidos, mas que também é fruto de um governo de colaboração de classes que o PT formou (uma frente popular) com essa mesma burguesia e seus políticos corruptos.

Grande parte dos ministros desse governo já eram ministros no Governo Dilma, ou no governo Lula. E várias dessas “reformas” já estavam na "agenda" dos governos anteriores: FHC, Lula e Dilma; o que muda é apenas a dosagem do ajuste e das “reforma”, mas todos os grandes partidos participaram diretamente para que a crise se desenvolvesse até o ponto onde chegou.

O programa que o governo Temer e os partidos que o sustentam propõem é que a crise seja paga pelos trabalhadores; já vimos esse filme antes, apenas os atores de hoje são mais monstruosos e assustadores, mas o enredo é o mesmo do passado, e sem a organização e a determinação da classe trabalhadora para colocar abaixo esse governo, as “reformas” continuarão caindo em cima das costas dos assalariados e dos setores mais oprimidos.

Chega de ser coadjuvantes! É hora de sermos os protagonistas de nosso futuro.

Nossa proposta: organização de um grande Congresso da classe trabalhadora para centralizar a luta e derrotar esse governo, nova greve geral por tempo indeterminado e criação de fóruns em que a esquerda e a classe trabalhadora possam de imediato deliberar os próximos passos na luta contra o governo Temer.

Não há como derrotar as “reformas” (trabalhista, previdenciária, etc.) sem derrotar o governo Temer, esse é o eixo que devemos focar de imediato: derrotar o governo Temer é derrotar os setores fundamentais da burguesia que sustentam seu projeto golpista, derrotar esse governo será uma vitória histórica de toda classe trabalhadora.

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                                                       TRIBUNA CLASSISTA